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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Zibreira | A freguesia no centro de tudo, com um pouco de tudo, mas pouca população

*texto atualizado às 19h19 de 3 de julho de 2021

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Os Censos de 2011 contabilizaram na freguesia de Zibreira, em Torres Novas, 1028 pessoas. Na confluência da A1 com a A23, a freguesia está no centro de tudo, possui praticamente todos os equipamentos sociais e detém um potencial industrial à espera de ser explorado. A empresa Renova é o maior empregador local e dinamizador do próprio território. Mas a freguesia quer crescer e expandir-se, assim haja entusiasmo e algumas alterações às diretrizes de construção urbana. 

Na junta de freguesia de Zibreira há uma biblioteca à espera de ser explorada. O espólio de livros antigos aguarda um projeto que o torne eventualmente mais atrativo ao público. O presidente da junta, João Carlos Santos, constata que já pouco interesse há pelo facto das juntas de freguesia investirem neste tipo de oferta cultural. No entanto os livros estão ali, a aguardar quem queira descobrir alguma preciosidade esquecida.

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Dinâmico e cheio de ideias, João Carlos Santos (PS) frisa com satisfação todas as potencialidades da sua freguesia.

Com data de fundação desconhecida, a Zibreira desconhece inclusive qual a origem do seu nome. “Sabe-se que é uma freguesia antiga, mas nem a data nem o ano de fundação”, admite o presidente, referindo que já houve esse esforço ao nível da autarquia, de tentativa de datação histórica, até para se celebrar a data a nível local, mas toda a história deste território administrativo está ainda por investigar e escrever. 

Sobre o nome há quem diga que vem de “Zimbros” ou de “Zebras”, mas são meras conjeturas. A nível nacional existem localidades com nomes semelhantes, como Zimbreira (Mação) e Zebreira (Idanha-a-Nova), mas não se sabe se haverá relação. É neste crise de identidade que navega a Zibreira, certa pelo menos de pertencer ao concelho de Torres Novas e albergar uma das principais empresas do território. 

João Carlos Santos destaca o potencial de exploração económico da sua freguesia, dotada de uma zona industrial Foto: mediotejo.net

Freguesia com cinco aldeias  – Zibreira, Bairro de São José, Almonda, Bairro de José Dias Simões e Videla – a Zibreira contava há uma década pouco mais de mil habitantes, mas o presidente assegura que houve crescimento da população jovem.

A autarquia está localizada junto ao nó da A1 com a A23, a cinco minutos de Torres Novas, 20 minutos de Santarém e uma hora de Lisboa. É uma zona pacata, rodeada de amplos espaços verdes, atravessada pelo rio Almonda, cujo nascente aqui se situa. “É ótimo para quem gosta da natureza”, reflete.

A freguesia tem centro de saúde com médico de família e enfermeiro, uma mais valia nestas terras do interior. A escola básica é comum com a freguesia do Pedrógão e situa-se naquela freguesia, o Centro Escolar de Serra de Aire. A Zibreira tem porém um centro de solidariedade social, com lar, centro de dia e apoio domiciliário. “Tem um pouco de tudo e está perto de tudo”, frisa o presidente.

É por isso com orgulho que João Carlos Santos fala do projeto do espaço multiusos que está a ser construído na escola básica desativada e que vai ser dotado de cozinha, churrasqueira e bar. Um investimento de 70 mil euros, com apoio da Câmara Municipal. O objetivo, conforme explica, é devolver a vida cultural à freguesia que se foi perdendo com os anos, sobretudo devido à falta de população. 

Neste momento, constata, a freguesia só tem uma associação, que é a Associação de Caçadores. Os ranchos que existiam noutros tempos acabaram por ser desativados. As próprias festas populares também morreram, tendo a comissão de festas, em parceria com a junta, reativado o arraial de verão em 2019, em honra de São Sebastião, que neste momento ainda não regressou devido à crise sanitária. A vida associativa foi desaparecendo devido à falta de pessoas e de iniciativa e a aposta da junta nos eventos culturais quer sobretudo trazer de volta esse espírito coletivo. 

A longo prazo, adianta, pretende que fique anexo ao espaço multiusos um ringue, com balneários e um wc público. O terreno foi cedido pela empresa Renova, o maior empregador da freguesia e cuja importância no território é possível de constatar com alguma evidência: as próprias paragens de autocarro têm o logótipo da empresa.

João Carlos Santos fala do mega investimento de 70 milhões que vai ampliar a fábrica e criar novas dinâmicas na freguesia e mais postos de trabalho. “A Renova é uma mais valia em termos económicos e de apoio à junta de freguesia. Nunca nos dizem não”, afirma. 

Foi por isso com alguma tristeza que viu fugir a oportunidade de ter na freguesia também o centro logístico da Mercadona, empreendimento que acabou por optar por Almeirim. Na perspetiva do presidente, a escolha deveu-se aos elevados preços pedidos por metro quadrado dos terrenos, privados, da zona industrial da Zibreira.

“Julgo que a Câmara Municipal, os proprietários e a junta de freguesia têm que se reunir para acertar preços”, constatou, salientando que algumas das parcelas nem acessos têm. “Temos que dar o pulo”, defende, e tal só se consegue com consenso.

José Carlos coloca alguma expectativa na revisão do Plano Diretor Municipal. A junta pensa que eventualmente poderá ser criada uma nova zona industrial que abra novas perspetivas e com preços mais acessíveis. Tal permitiria alavancar de vez o território, há anos a aguardar por novos investimentos industriais, e fazer a Zibreira efetivamente crescer”. 

Na autarquia falta também zona urbana, que permita a edificação de novas moradias e, com tal, a fixação de casais jovens. É outro problema que este presidente espera ver resolvido com o novo PDM. “Almonda e Videla têm muito espaço de construção”, constata. 

Ao nível da junta de freguesia, frisa, neste momento o grande foco é o investimento cultural, através do espaço multiusos em construção e o futuro ringue anexo, com projeto já aprovado. “Quando a parte da cultura já tiver ritmo, vamos debruçar-nos sobre a praia fluvial”, antecipa.

João Carlos tem um plano para limpar a zona da azenha e criar na Zibreira uma praia fluvial digna desse nome, dando a conhecer a beleza do rio Almonda e das suas paisagens. A ideia, já exposta à população, está de momento em ‘banho-maria’ dada a prioridade, ao nível de investimento, na cultura, explica.

Mas o presidente destaca que poderia ser feito, desde já, muito mais pelo rio, cuja beleza das paisagens está escondida pela vegetação e falta de limpeza. “O rio é uma mais valia”, salienta, “podíamo-nos juntar todos para fazer uma limpeza e desassoreamento”.

Unindo-se as entidades em prol de um projeto comum, seria depois possível fazer atividades no rio, devolvendo-se “a vida”.

“Há paisagens lindas, de natureza pura”, constata, acreditando que os próprios proprietários privados aceitariam e beneficiariam com este esforço comum. 

Sobre a nascente do rio Almonda, nas traseiras da fábrica 1 da Renova e ainda no território da Zibreira, o autarca prefere não se pronunciar. Há sensibilidades diferentes e questões legais complexas, assim como diferentes projetos para aquela nascente rodeada de terrenos privados, da Renova e não só. 

A terminar o primeiro mandato, o presidente, que se vai recandidatar pelo PS a esta autarquia, refere que “gostaria que a minha freguesia caminhasse para o desenvolvimento”, não só industrial mas também humano.

“Criar as condições para que as pessoas se sintam bem na aldeia”, resume .

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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