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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

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VN Barquinha | Arquiteto propõe percurso circular à volta do Castelo de Almourol

Neste ano de 2021 assinalam-se os 850 anos do castelo de Almourol. Reedificado em 1171 por Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, este monumento nacional é um dos ex-líbris do concelho de Vila Nova da Barquinha, motivo de atração de milhares de visitantes nacionais e estrangeiros anualmente. No âmbito do seu aniversário, o arquiteto Tomás Reis desenhou um projeto onde é proposta a criação de uma nova estrutura de acesso ao castelo, com um percurso pedonal circular que envolve a ilha fluvial e as margens do rio Tejo. O presidente do Município da Barquinha considera que a proposta “não faz qualquer sentido” por não respeitar “minimamente o espírito do lugar”.

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A proposta de criar uma nova estrutura de acesso ao Castelo de Almourol em forma circular, envolvendo a ilha fluvial sobre a qual assenta o monumento, foi enviada pelo arquiteto Tomás Reis aos órgãos de comunicação social. Ao nosso jornal, o mestre em Arquitetura e Design Urbano pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa refere que o desenvolvimento deste projeto se insere na comemoração dos 850 anos do castelo e que pretende criar “um percurso circular que envolve a ilha do castelo, lançando os visitantes à descoberta de um lugar de grande valor histórico e cultural”.

O arquiteto Tomás Reis propões a criação de uma nova estrutura de acesso ao Castelo de Almourol, através de um percurso circular que una as duas margens do rio Tejo. Imagem: Tomás Reis

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Trata-se assim de criar um “percurso circular elevado, centrado na torre de menagem do castelo” oferecendo uma observação mais próxima ao visitante da vegetação ribeirinha, num percurso que liga a pequena ilha a ambas as margens do rio Tejo. Segundo o arquiteto, desta forma cria-se “um senso de unidade, para proteger o património cultural e natural num lugar que está a mudar ao ritmo do aquecimento global”.

Isto porque Tomás Reis defende que, perante a ameaça à beleza cénica do local, resultado dos “vários problemas ambientais, como a diminuição do caudal do rio Tejo” e “um clima cada vez mais árido”, é necessária “uma tomada de consciência para preservar a identidade do lugar”, situação essa onde “a arquitetura pode dar um contributo importante”.

“O local parece ter sofrido mais alterações ambientais ao longo das últimas décadas do que nos oito séculos anteriores (…) estas alterações são evidenciadas nestes novos acessos, que percorrem um círculo em torno do castelo, levando os visitantes a aproximarem-se da vegetação ripícola. Pretende-se, desta forma, evidenciar a riqueza patrimonial, natural e cultural, assim como a relação do castelo com o espaço envolvente”, admite, no comunicado enviado ao mediotejo.net.

No entanto, a proposta chegou apenas aos órgãos de comunicação social. Em reação a este projeto de arquitetura (que pode ser consultado AQUI), o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, admite ter conhecimento desta ideia pela comunicação social, referindo que “se fosse eu, apresentaria às partes intervenientes num processo destas características, ou seja Engenharia Militar, titular da propriedade do Castelo de Almourol, DGPC, entidade de tutela dos monumentos nacionais, e à Câmara Municipal da Barquinha, administrador do bem”.

“Obviamente que a mesma deveria ser apresentada ao Executivo, como é apanágio nesta autarquia, uma vez que é uma decisão coletiva e que seria esta que, como tem sido recorrente em Almourol, haveria que suportar os custos da obra”, acrescenta ainda o autarca em declarações ao mediotejo.net.

Quanto à ideia de construir um acesso pedonal circular em torno do castelo, o autarca defende que “esta proposta, na minha avaliação subjetiva, não faz qualquer sentido pois a mesma não respeita, minimamente, o espírito do lugar”. “A grandeza temporal e intemporal do lugar, numa suavidade incomum em Portugal, deve ficar como está!”, vinca.

Relembrando que “já em 1857, aquando da construção da linha do Leste, houve quem defendesse que o caminho-de-ferro passasse por cima do Castelo de Almourol, o que, afortunadamente, não veio a acontecer” o autarca sublinha o impacto ambiental que tal obra provocaria no ambiente e na sua envolvente, “coartando os padrões de vida da fauna e flora”, o que, considera, “seria razão mais que suficiente para chumbar este projeto”.

Defendendo que Almourol é “um monumento fértil em património cultural intangível”, o presidente do Município da Barquinha refere que a proposta apresentada pelo arquiteto “não faz qualquer sentido pois não respeita, minimamente, o espírito do lugar”. Imagem: Tomás Reis

“Almourol é um encantador mosaico de memórias, estórias e lendas, um monumento fértil em património cultural intangível, que marca a paisagem deste sítio ímpar em Portugal”, releva o presidente do Município de Vila Nova da Barquinha, que cita Miguel Torga:

“O que me vai valendo nesta penitenciária pátria é nunca perder de vista alguns recantos que nela são oásis de libertação e de esquecimento. Empoleirado no terraço desta fortaleza lírica que os Templários ergueram no meio do Tejo, debruçado sobre o abismo a deixar o rio deslizar brandamente na retina, quero lá saber se a política vai bem ou mal, se a literatura anda ou desanda, se a nau colectiva singra ou soçobra! Extasio-me, apenas. Ou melhor: numa espécie de petrificação emotiva, acabo por fazer corpo com as muralhas, e ser o próprio baluarte erguido na pequena ilha, inexpugnável a todas as agressões do real.”.

“Então, por favor, não agridam o real!”, termina o edil.

Já esta sexta-feira, em comunicado, a autarquia acrescenta que a referida proposta “será presente a reunião de Câmara no próximo dia 27, do corrente mês, não estando qualquer verba prevista para este avultado investimento no orçamento municipal”.

O Município esclarece ainda que enviou uma missiva assinada pelo presidente, Fernando Freire, ao arquiteto, na qual refere os argumentos já expostos acima nesta notícia. Em resposta, Tomás Reis sublinha que “as imagens que partilhei fazem parte de um trabalho de visualização, feito a título individual” em que “mais do que um projeto fechado, de qualquer natureza, pretende-se lançar questões sobre a visibilidade do território e visões sobre património”.

“Acredito, aliás, que a crítica pode melhorar os projetos. Imaginar, numa proposta de visualização, uma obra concluída, sem qualquer discussão, seria, também a meu ver, um exercício de ficção. Como sabemos, as intervenções no território estão, cada vez mais, sujeitas a um escrutínio maior. (…) Compreendo que atravessamos um ano desafiante, e que as intervenções na paisagem e no património podem tender para o consenso e para fortalecer o sentimento de pertença. Nestas condições, a apresentação do projeto a mais entidades deixa de ser necessária. Desejo que o castelo continue a ser vivido pelos Barquinhenses, num lugar onde também encontro paz e tranquilidade”, termina o arquiteto.

 

Abrantina mas orgulhosa da sua costela maçaense, rumou a Lisboa com o objetivo de se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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