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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Torres Novas | Populações humanas da Península Ibérica já controlavam o fogo há 400 mil anos – estudo

Um estudo liderado pelo paleoantropólogo João Zilhão concluiu, a partir de escavações arqueológicas em Torres Novas, que as populações humanas da Península Ibérica já dominavam há 400 mil anos as tecnologias que permitiam controlar o uso do fogo.

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O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, foi conduzido por uma equipa de investigadores do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa e resulta de escavações feitas na Gruta da Aroeira, em Torres Novas, entre 2013 e 2017.

Em declarações à Lusa, o paleoantropólogo João Zilhão disse que o trabalho “comprova, num caso em que a datação é absolutamente segura e, para os parâmetros do período, muito precisa, que há 400.000 anos as populações humanas da Península Ibérica dominavam as tecnologias ligadas ao uso controlado do fogo”.

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“E, se era assim na Península Ibérica, sê-lo-ia também seguramente nas outras regiões habitadas da Europa, Ásia e África”, frisou.

Durante as escavações na Gruta da Aroeira, onde em 2017 foi encontrado o fóssil humano (um crânio) mais antigo de Portugal, com 400 mil anos, a equipa coordenada por João Zilhão recolheu vestígios da ação do fogo, como restos de ossos queimados e carvões.

O estudo foi liderado pelo paleoantropólogo João Zilhão a partir de escavações arqueológicas em Torres Novas. Foto ilustrativa: DR

“Podemos agora afirmar com segurança, com base na Gruta da Aroeira, que, há 400.000 anos, a humanidade já dominava o fogo”, sustentou o paleoantropólogo português, ressalvando que tal “não quer dizer, evidentemente, que o não fizesse desde há mais tempo”.

“Quer só dizer que estas são, de momento, as provas mais antigas que temos”, sublinhou o investigador e docente, também responsável pela descoberta do ‘crânio da Aroeira’.

João Zilhão lembrou que “há uma corrente de opinião que defende que o uso controlado do fogo é tão antigo como a humanidade (1,5 a 2,0 milhões de anos) e outra que defende que só foi conseguido há menos de 50.000 anos (antes disso, os grupos humanos saberiam utilizá-lo, mas não produzi-lo)”.

O investigador assinalou que mesmo as jazidas de Beeches Pit, no Reino Unido, e de Qesem, em Israel, apontadas como “os mais antigos exemplos de conservação de lareiras”, possuindo vestígios como carvão, ferramentas de pedra e restos da caça consumida, têm datações imprecisas, variando, no caso da primeira jazida, entre 375.000 e 425.000 anos, e, na segunda, entre 200.000 e 300.000 anos.

Justificando a importância da produção e utilização controlada do fogo, já durante o Paleolítico Inferior (período entre 3 milhões e 250.000 anos), João Zilhão realçou, citado num comunicado de imprensa da Universidade de Lisboa, que o lume permitiu “cozinhar alimentos, melhorando a qualidade da nutrição e alargando o leque de plantas comestíveis”.

Um estudo liderado pelo paleoantropólogo João Zilhão concluiu, a partir de escavações arqueológicas em Torres Novas, que as populações humanas da Península Ibérica já dominavam há 400 mil anos as tecnologias que permitiam controlar o uso do fogo. Foto: DR

Além disso, era “uma fonte artificial de calor e aquecimento dos espaços residenciais [cavernas], sem a qual, na Europa temperada, a sobrevivência humana durante o inverno não teria sido possível”, adiantou o paleoantropólogo.

Da equipa de João Zilhão fizeram parte os investigadores espanhóis Montserrat Sanz e Joan Daura.

Agência de Notícias de Portugal

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