Torres Novas/Golegã | Espécies exóticas ameaçam biodiversidade do Paul do Boquilobo (c/VIDEO)

À semelhança do que tem sucedido no rio Tejo, e através dele, alguns peixes que povoam as águas do Almonda na Reserva Natural do Paul do Boquilobo encontram-se sob ameaça pelo crescimento exponencial de espécies exóticas invasoras, nomeadamente o peixe-gato e o lagostim de água doce. Mas também há registo de introdução de aves exóticas no território, como o tecelão, e até o número de cegonhas aumentou mais do que seria suposto, aqui provavelmente devido ao aquecimento global.

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O alerta é deixado pelo porta-voz da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, Fernando Faria Pereira, numa entrevista realizada ao mediotejo.net por altura do 40º aniversário da reserva. “Não só em termos científicos, a biodiversidade é também um factor de identidade de um determinado local. E à medida que vamos perdendo esse factor de identidade – essas espécies que são características de determinadas zonas – em benefício de outras espécies que são exóticas, perdemos também a identidade. Penso que isso tem um valor tão grande, essa identidade natural, como tem a identidade cultural”, entre outras, defendeu.

Paul do Boquilo. Foto: mediotejo.net

O lagostim de água doce e o peixe-gato, nos peixes, e o tecelão ou a viuvinha, nas aves, são algumas das espécies exóticas que foram introduzidas fora dos seus habitats e que têm surgido no Boquilobo, afetando o seu equilíbrio natural e transformando-o.

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Da esquerda para a direita, os representantes dos envolvidos no órgão de gestão da Reserva da Biosfera: Joaquim Cabral (Torres Novas), Fernando Faria Pereira (ICNF), Carlos Godinho (Golegã) e Mário Antunes (OngaTejo) Foto: mediotejo.net

“A natureza tem um determinado dinamismo”, explica o especialista. Uma das espécies de peixe atualmente em risco devido à introdução humana de animais exóticos é o ruivaco, uma espécie endémica da bacia do Tejo. “É ao nível dos peixes que há maior ameaça”, adiantou, sendo introduzida uma nova espécie de peixe em Portugal “a cada dois anos”.

Fernando Faria Pereira acredita que muitos destes animais são libertados propositadamente fora dos seus habitats, mas não nega o impacto do aquecimento global. “É perfeitamente notório que o número de casais de cegonhas aumentou imenso”, reflete, considerando que se os invernos não estivessem tão amenos os números de cegonhas seriam inferiores.

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Prepara-se um “Selo Biosfera” que será adquirido através do órgão de gestão da Reserva da Biosfera, cumprindo princípios de sustentabilidade Foto: mediotejo.net

Quanto à poluição, o responsável evidencia as significativas melhorias na qualidade da água da reserva nos últimos anos, face ao investimento do município torrejano em sistemas de tratamento de águas resIduais. “A situação melhorou muito significativamente”, frisou.

Mas também a nível agrícola, salientou, há cada vez maior preocupação com a utilização equilibrada da água, assim como de adubos e pesticidas, pelas propriedades adjacentes ao Paul do Boquilobo.

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