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Quarta-feira, Outubro 27, 2021

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Torres Novas | GoFigo quer recuperar figueirais e fazer renascer modelo da cooperativa

O grupo operacional GoFigoProdução promoveu no sábado, 15 de setembro, um debate aberto sobre o figo torrejano num figueiral em Adofreire, Torres Novas. Este é um dos primeiros passos deste projeto financiado por fundos europeus, que tem como objetivo a recuperação da cultura da figueira na região de Torres Novas. A derradeira meta final é a reestruturação de uma organização de produtores, que valorize e rentabilize de forma equilibrada o figo local.

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Cerca de meia centena de pessoas reuniram-se na manhã de sábado num figueiral de Adofreire para discutir o futuro do figo torrejano. Blocos de notas nas mãos, muita concentração, muito pedidos de silêncio. A época, afinal, não podia ser melhor: finalmente o figo é encarado como um produto nobre, integrando as correntes de alimentação saudável atualmente em voga.

GoFigo reuniu cerca de meia centena de participantes no Dia Aberto em Adofreire Foto: mediotejo.net

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Após uma luta de alguns anos, Michele Rosa da Rosagro – Sociedade Agrícola viu o projeto GoFigoProdução receber uma avaliação adequada na sua candidatura ao Programa de Desenvolvimento Rural 2014 – 2020. Este é um projeto a quatro anos e que possui atualmente seis parceiros – DoceTerra, Casal dos Cardos Sociedade Agrícola, Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Instituto Superior de Agronomia e Associação Qualifica/oriGIn Portugal – mas que tem por objetivo alcançar um número muito maior de parcerias, no intuito final de se criarem as condições para fazer renascer uma organização de produtores de figo torrejano e que se entre no mercado a preços rentáveis para os agricultores.

A aposta encontra-se virada para a definição de técnicas de produção que assegurem uma maior qualidade do figo, aumento de produção e diminuição dos custos, nomeadamente em mão de obra. Encontra-se por tal entre os objetivos da GoFigo publicar um caderno de boas práticas agrícolas para a fileira de figo.

“Todos juntos conseguimos ir mais longe”, defendeu Michele Rosa para o grupo reunido no figueiral, mostrando a sua satisfação pela presença de tantas pessoas. “Sozinhos somos demasiado pequenos”, constatou, numa atividade que “não é fácil”.

O objetivo da iniciativa do debate aberto, explicou a responsável ao mediotejo.net, é que o grupo consiga atrair mais investidores no figo, para que os figueirais não sejam abandonados. Conforme já mencionara na sua intervenção, a GoFigo foi recebida com ceticismo, uma vez que ao longo das últimas décadas foram muitos os esforços para promover o figo torrejano sem resultados. Porém, atualmente vive-se um outro contexto.

“Estamos na moda, temos que alavancar isto”, constatou, “antes disto acontecer [a procura do figo ter aumentado devido às novas filosofias de alimentação saudável] já queríamos recuperar [os figueirais], mas foi uma alavancagem”.

Debate aberto promovido pela GoFigo sobre o figo torrejano. Sessão decorre até ao meio dia nos figueirais de Adofreire

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 15 de Setembro de 2018

Este trabalho vai incidir sobre o figo preto de Torres Novas e o pingo de mel, também plantado no concelho. Conforme destacou Rui Sousa, do INIAV, “o nosso foco tem que ser sempre o que a pessoa vai consumir”, apostando-se essencialmente na qualidade mediante a criação de uma marca. Para tal, é necessário ganhar dimensão para que os produtores possam negociar, em conjunto, junto das grandes superfícies. O responsável defendeu ainda que é necessário separar quem produz de quem distribui.

Também presente na sessão, o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira (PS), recordou a decadência do figo torrejano depois da entrada na Comunidade Económica Europeia. Mas “houve sempre essa preocupação, nunca se apagou, por isso é que existe a Feira dos Frutos Secos”, salientou. “A feira nunca acabou”, com muitos a defenderem ao longo dos anos a “bandeira do figo” pelos sítios por onde passaram e, finalmente, esta nova geração.

Pedro Ferreira referiu ainda que “não tem sido fácil” a luta pela “denominação de origem do figo preto de Torres Novas”, salientando que “não tem havido empenho da parte política” pela valorização do figo. “Se queremos que isto vá para a frente (…) tem que ter uma orientação técnica”, defendeu, mostrando a disponibilidade do município para apoiar o projeto da GoFigo.

No decorrer da manhã foi ainda abordada a análise dos solos e folhas das figueiras, a qualidade do figo, a qualificação do figo preto de Torres Novas, havendo ainda uma intervenção da marca Paladin.

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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