Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Domingo, Outubro 24, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Torres Novas | GoFigo cria sociedade de produtores e quer denominação de origem do figo preto

O projeto operacional GoFigoProdução apresentou no dia 1 de outubro os resultados do seu programa de quatro anos a investigar novas técnicas de cultivo “racionais”, ao encontro do que se designa de “agricultura inteligente”, para a cultura do figo em Torres Novas. O resultado deste trabalho é um caderno de boas práticas, que prometem uma melhoria na produção e qualidade com menos custos e maior sustentabilidade de recursos, e a criação de uma associação de produtores.

- Publicidade -

A GoFigo quer agora avançar para novas etapas do seu projeto global de promoção do figo, nomeadamente criando uma Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG) do figo preto torrejano.

A GoFigo é um consórcio de entidades privadas e instituições públicas que se candidatou a fundos disponibilizados pela Rede Rural Nacional (estrutura ligada ao Ministério da Agricultura) para estudar novas técnicas de cultivo que possam revitalizar e ajudar a promover o figueiral, um setor em decadência no concelho de Torres Novas.

- Publicidade -

Surgiu assim a GoFigoProdução, um “projeto operacional” que ao longo de quatro anos obteve financiamento para estudar o figueiral torrejano, tendo apresentado esta sexta-feira os seus resultados. 

Segundo recordou a grande promotora e porta-voz do grupo, Michele Rosa, a ideia sempre foi “fazer algo diferente”, mostrando que o “figo na sua totalidade, fresco, seco, transformado, valia a pena”. Mas “não podemos continuar a produzir da maneira como se produzia”, constatou.

“Os resultados são promissores”, adiantou ao grupo de pessoas presente na Biblioteca Municipal de Torres Novas, tendo feito notar que “começa a haver dados concretos para trabalhar como deve ser”. “Já temos um grupo de produtores”, adiantou, e “muito investimento já começou a ser feito, com capital próprio”. 

Conforme recordou posteriormente, o figueiral torrejano estava abandonado e cheio de silvas, tendo o seu projeto de jovem agricultor focado a necessidade de melhorar a qualidade das técnicas e do solo, nomeadamente a melhoria da gestão de sistemas agrícolas e florestais e a conservação de solo e água.

O consórcio da GoFigo reúne atualmente vários produtores e seis entidades: a empresa Rosagro, a Casal dos Cardos – Sociedade Agrícola, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), o Instituto Superior de Agronomia (ISA), o Centro Operacional e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) e o Qualifica oriGIn Portugal.

“Isto foi apenas o início”, adiantou Michele Rosa ao mediotejo.net, constatando que a investigação incidiu sobre pomares velhos, cuja resposta é mais lenta, devendo agora avançar para pomares mais recentes. A utilização sustentável da água e o coberto vegetal são os focos que se seguem, assim como o uso de novas tecnologias, como as sondas e parcerias ao nível da robótica e farmacêutica.

A porta-voz frisa que a GoFigo olha o figueiral no seu todo, da folha ao tronco da árvore, e é necessários diminuir os custos da colheita para que o figo, de forma geral, posso entrar no mercado a um preço competitivo. Quem integra a estrutura, que não se fixa apenas em Torres Novas, tem que aderir às técnicas agrícolas desenvolvidas e que vão uniformizar e estimular a produção, sendo depois a sociedade por quotas que vai vender o produto.

Nascida em 2020, esta nova sociedade por quotas é a alternativa à cooperativa idealizada pela equipa, mas cujo modelo jurídico não servia os objetivos do grupo, além do que, constata, “as cooperativas estão desacreditadas”.

“Temos técnicas comuns, vamos produzir de formas equiparadas, para depois todo o produto fresco, seco ou transformado” possa ser lançado ao mercado por esta nova sociedade, adiantou.

“Resistências há sempre”, admite Michele Rosa, sobretudo no território onde o figo tem uma tradição e deixou marcas na população. No entanto a entrada de produtores mais velhos e que acreditam nesta visão de trabalho organizado racionalmente deu fôlego à iniciativa, que continua a crescer.

No que toca ao figo preto, variedade que só existe em Torres Novas, a GoFigo quer avançar para a qualificação, criando uma DO ou uma IG. “O figo preto é uma variedade única no mundo e é nela que vamos trabalhar e estudar”, adiantou, referindo que não existem estudos sobre esta variedade e será um dos focos do grupo nos próximos quatro anos.

A este propósito, esteve presente na sessão de apresentação uma responsável da Rede Rural Nacional, que adiantou que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vai contar com novos avisos de fundos para projetos operacionais da natureza do GoFigoProdução, voltados agora para a adaptação e mitigação às alterações climática. 

A abrir os trabalhos esteve o presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, reconhecendo que o concelho esteve estagnado ao nível do figueiral, “mas acordámos de novo”, elogiando esta iniciativa privada que conta com o apoio do município.

Já o diretor regional de Agricultura de Vale do Tejo, José Lacerda, frisou o exemplo singular de “inovação” deste projeto, que conseguiu unir privados e instituições, frisando que “este trabalho de equipa é o futuro”.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome