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Domingo, Novembro 28, 2021

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“Pode acontecer a qualquer uma”, por Helena Pinto

Foi notícia regional e nacional a brutal agressão a uma mulher residente no Entroncamento, levada a cabo pelo seu companheiro, que filmou a agressão, obrigando a vítima a mostrar para a câmara as feridas e depois divulgou o vídeo. A PSP foi chamada a intervir. A vítima recebeu tratamento hospitalar em Abrantes e tem um Plano de Segurança. O agressor está em fuga (última informação disponível) e tem antecedentes na prática do crime de violência doméstica.

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Estamos no mês de Novembro, no dia 25 vamos assinalar mais um Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Há quem diga que as coisas estão diferentes, que não é preciso estarmos sempre a falar do mesmo, que existe muita informação e apoio. Como ainda existe quem diga que a culpa “também é da mulher”, por mais chocante que seja.

A violência contra as mulheres, nas relações de intimidade, na família e na rua está longe de ser erradicada. É mais visível, felizmente (!), mas continua a marcar de forma profunda e para toda a vida muitas mulheres, raparigas e meninas.

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Muito já foi feito, muito mesmo. As leis mudaram, as polícias mudaram a sua forma de agir, há mais apoios, há mais informação. Mas os números continuam a ser assustadores, incluindo os números de assassinatos de mulheres. É o maior problema de segurança no nosso país. O perigo vive dentro de casa. A pandemia e os confinamentos agravaram esta situação. Todos os estudos e a recolha de informações demonstram que a violência doméstica aumentou. Aumenta e assume novas formas. Como é exemplo o caso que relato.

O que leva um jovem a filmar a agressão à sua companheira e a divulgá-la? O que pretende atingir? Que significado tem para ele (agressor) tornar público o seu acto de poder e de crueldade?

Não pretendo neste texto dar resposta às perguntas que coloco. Pretendo sim que se reflicta sobre o que significam estas situações, sobre o que temos que fazer e qual o nosso papel, individual e colectivo. Uma pessoa a quem chegou o vídeo desta agressão fez o que tinha que ser feito e chamou de imediato as autoridades e accionou a solidariedade para com a vítima.

O silêncio é cúmplice. Ao mínimo sinal devemos actuar.

Espero que se aproveite este mês de Novembro para continuar a sensibilizar pessoas e instituições para a necessidade de estarmos alerta para as situações de violência, todas elas. É preciso denunciar, mas também é preciso ser solidária com as vítimas e mais, é preciso cumprir a lei, penalizar os agressores, mas também fazer a sua condenação social.

As autarquias locais têm um papel fundamental. Os Planos Municipais para a Igualdade estão em elaboração e no Médio Tejo existe mesmo um serviço de apoio às vítimas de violência. É tempo de agir, congregar vontades, divulgar o que se faz.

Que nenhuma mulher se sinta sozinha, pois pode acontecer a qualquer uma!

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação Feministas em Movimento.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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