Os vestígios de calçada histórica descobertos a 7 de março no Largo da Mulher Morta (localidade situada em torno da Vila Medieval), Ourém, estão neste momento a ser novamente cobertos, depois de realizadas as devidas medidas de conservação. Segundo explicaram os serviços municipais ao mediotejo.net, a estrada ainda é essencial ao trânsito automóvel, pelo que se optou por tornar a proteger estes achados arquelógicos.
A estrada está neste momento a ser repavimentada com calçada portuguesa. Este era o projeto inicial quando, na passada semana, se descobriam “vestígios bem preservados da calçada histórica que liga esta povoação à Vila Medieval de Ourém”.
“Em 2010 e 2011, as calçadas históricas de Carapita e Mulher Morta, localizadas no sopé da vila histórica da cidade, foram reabilitadas pelo Município. O projeto de intervenção abordou vários pontos: a remoção de entulho e a limpeza das antigas calçadas, tornando-as assim visíveis; o seu estudo histórico e arqueológico; a patrimonialização; e, por fim, a integração de ambos os troços, transformados em circuitos pedonais, no roteiro turístico da Vila Medieval”, informa um comunicado divulgado pelo município.

“Mais recentemente, no decorrer de uma decisão entre a Câmara Municipal de Ourém e a Junta de Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, o projeto estendeu-se à melhoria dos acessos locais e à valorização do Largo e Cruzeiro da Mulher Morta, que fazem parte do património cultural do Município”, frisou. “O betuminoso presente no Largo da Mulher Morta seria substituído por pavimento com calçada de calcário mas, durante a sua remoção, foram descobertos vestígios arqueológicos que dão continuidade à calçada que desce da Vila Medieval”.
Segundo a Chefe de Divisão de Ação Cultural do município, Ana Saraiva, os vestígios começaram a ser cobertos na sexta-feira, dia 11 de fevereiro, uma vez que na zona ainda existem moradias e trânsito automóvel. “Se fosse só trânsito pedonal não havia problema”, sublinhou, mas uma vez que ainda passam carros optou-se por proteger o património e continuar com a obra de calcetamento. A responsável comentou ainda que se um dia deixar de existir a passagem de automóveis no local, poderá equacionar-se trazer novamente os vestígios medievais à luz do dia.
Os achados foram registados e o seu estudo vai agora prosseguir, ficando a sua consulta disponível no Centro de Documentação do Museu Municipal “assim que possível”. O acompanhamento arqueológico da intervenção patrimonial teve o apoio do Instituto Politécnico de Tomar.
Castelo prepara-se para concurso a fundos comunitários
No âmbito desta recuperação de calçada histórica, Ana Saraiva revelou ainda ao mediotejo.net que se encontra em fase de preparação o programa de intervenção no Castelo de Ourém. Esta grande requalificação encontra-se ao abrigo do protocolo celebrado em 2014 com a Fundação Casa de Bragança e tem estado a aguardar financimento. Uma vez que os programas comunitários finalmente abriram, o projeto vai enfim avançar.
