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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

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Ourém | Apicultores assustados: eliminados 21 ninhos de vespa asiática num ano

A morte de colmeias desde o último verão devido à propagação da vespa asiática (vespa velutina) pelo centro do país está a deixar os apicultores do concelho de Ourém bastante assustados. Em outubro o município teve que realizar uma contratação de urgência para fazer face a um conjunto de ninhos identificados pela Proteção Civil, tendo eliminado 16. Desde que o primeiro ninho foi eliminado em setembro de 2017 que já foram registados 21 ninhos por todo o concelho. A base da dieta desta vespa são as abelhas, atuando sobre as abelhas europeias de forma extremamente agressiva e sem que estas, ao contrário das irmãs asiáticas, tenham desenvolvido formas de resistência. A Associação de Apicultores da Região de Leiria, Ribatejo e Oeste há muito que vem alertando para o problema. 

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A situação crítica em que vivem atualmente as abelhas de forma geral é alvo de discussão há pelo menos uma década a nível global, quando começou a registar-se um súbito decréscimo nos enxames que ninguém consegue explicar com clareza. Uns apontam para os pesticidas, outros para os novos parasitas, havendo ainda espaço para as consequências das alterações climáticas. O problema não é menor: as abelhas são responsáveis pela polinização de 70% das plantas cultivadas em todo o mundo. A morte das abelhas é, em última análise, o início da decadência do ecossistema.

ninho de vespa velutina. Foto: DR

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Em Ourém, e um pouco por toda a região, o predador do momento é a vespa asiática, uma espécie invasora proveniente do norte da Índia, leste da China, Indochina e Indonésia, que entrou de forma involuntária na Europa em 2004 e tem vindo a propagar-se, inserindo-se em Portugal em 2011 pelo norte do país. Atualmente tem sido cada vez mais identificada na região do Médio Tejo. Não sendo mais perigosa para o ser humano que uma vespa europeia (com exceção de quando se tenta eliminar o ninho, tornando-se então muito agressiva e perseguindo o atacante por vários metros), é uma espécie carnívora e predadora das abelhas, segundo informação do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Segundo explicou ao mediotejo.net Anabela Mendes, da Associação de Apicultores da Região de Leiria, Ribatejo e Oeste, o ano apícola em Ourém decorre entre outubro e julho. A vespa asiática tem o seu período predatório no verão. O ano de 2018, constata, foi “atípico”. O período de chuva contínuo até junho contribuiu para o enfraquecimento das colmeias, que tiveram que ser alimentadas em grande medida pelos apicultores. Deste modo, a vespa asiática encontrou um terreno fértil para atacar, causando a forte mortandade que se está a registar no território.

Segundo o município, 16 destes ninhos foram exterminados por uma equipa externa contratada pelo município em outubro, o que resultou num procedimento de 5 mil euros.

“Sendo um predador novo, que os apicultores não estavam habituados a enfrentar, o impacto é maior”, constata, admitindo que se esteja a registar algum pânico. Desde há algum tempo que a associação, assim como a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal, tem vindo a alertar para o problema, que em 2011 começou a afetar o norte de Portugal. Estão a ser desenvolvidos livros técnicos, projetos de investigação e ações de informação sobre as formas de combate à vespa. Mas agora que a vespa chegou efetivamente ao território é natural que se tenha maior perceção do seu real impacto.

Anabela Mendes explica que a eliminação de ninhos de vespa asiática “deve ser feito por quem sabe”, avisando-se de imediato a Proteção Civil. A utilização de químicos não autorizados para eliminar os ninhos pode ser prejudicial para o próprio meio ambiente, alerta. “Nós percebemos bem a aflição dos apicultores, eles gostam muito das abelhas”, salientou, mas este combate tem procedimentos próprios e só utilizando-os se poderá chegar a um controlo desta espécie invasora.

Ninho de vespa velutina em período larvar. Foto: mediotejo.net

A Associação de Apicultores da Região de Leiria tem cerca de 80 associados do concelho de Ourém, tendo trabalhado já com vários executivos da Câmara de Municipal. “Ourém é um dos municípios que apoio bastante a apicultura”, frisou, sublinhando o esforço dos técnicos municipais para combater a praga. O concelho, adianta, é inclusive um dos produtores do “Mel do Ribatejo Norte”, uma DOP – Denominação de Origem Protegida.

Equipas do município no terreno

O primeiro ninho de vespa velutina em Ourém foi registado em setembro de 2017, tendo sido encontrado em Alqueidão, na freguesia de Nossa Senhora da Piedade. Desde então, segundo números disponibilizados pelos serviços municipais, foram localizados 21 ninhos, com uma propagação por todo o concelho: um em Vale Travesso (Nossa Senhora da Piedade); um em Casaria (união de Gondemaria e Olival); um em Vilar dos Prazeres (Nossa Senhora das Misericórdias); um em Pêras Ruidas e um em Casal dos Frades (Seiça); um em Ruge Água e um em Freixianda (união de Frexianda, Riberia do Fárrio e Formigais); um em Pederneira, um em Salgueiro de Baixo e um em Casal dos Secos (união de Rio de Couros e Casal dos Bernardos); um em Resouro, um em Cavadinha e um em Pederneira (Urqueira); um em Lavadrio (união de Matas e Cercal); seis pequenos ninhos no beirado de um edifício, na sequência da queda de um ninho em Vale da Perra (Atouguia).

Segundo o município, 16 destes ninhos foram exterminados por uma equipa externa contratada pelo município em outubro, o que resultou num procedimento de 5 mil euros. O presidente da Câmara, Luís Albuquerque, adiantou ao mediotejo.net que a 16 de outubro os serviços municipais foram alertados para a existência de ninhos de vespa asiática, tendo sido feita esta contratação de urgência. Para além do trabalho da equipa, o Serviço Municipal de Proteção Civil eliminou outros dois. Os serviços mantêm-se no terreno.

“A situação estará controlada”, considerou Luís Albuquerque. Se alguém encontrar um ninho de vespa asiática deve contactar de imediato o Serviço Municipal de Proteção Civil ou identificar o ninho na plataforma SOSVespa (www.sosvespa.pt).

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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