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“Mulheres”, por Helena Pinto

Aproxima-se o dia 8 de Março e com ele o Dia Internacional da Mulher. Dia longínquo que nos trás sempre à memória as lutas das mulheres pela redução do horário de trabalho, pelo aumento do salário, pelo direito ao voto, contra todas as discriminações. Lutas diversas ao longo dos anos, mas todas elas lutas pela dignidade.

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Não faltam tentativas para fazer do 8 de Março um dia das mulheres mas um dia em que podemos fazer coisas diferentes (como jantar só com amigas), um dia em que recebemos flores (é irritante a forma como até instituições públicas decidem oferecer flores neste dia) ou mesmo um dia em que com muito paternalismo nos dizem que “somos as maiores” e em que nos agradecem tudo o que fizemos pela família e pela sociedade, mas de preferência se o tivermos feito na sombra.

A minha geração já atravessou muitos “8 de Março”, já ouvimos e vimos muita coisa. E infelizmente continuamos a ouvir e a ver. Por vezes parece que andamos sem sair do mesmo local e outras andamos mesmo para trás.

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A pandemia veio fazer incidir a luz sobre aspectos muito importantes da vida das mulheres que estavam meio esquecidos. Estão a ser feitos vários estudos sobre o impacto da pandemia na vida das mulheres e existem já evidências sobre as quais é preciso falar: o aumento da pobreza, o aumento da carga com as responsabilidades domésticas, o desregular do horário de trabalho, a falta de apoio para quem tinha e tem trabalho precário ou trabalho informal, o aumento da ansiedade e da frustração pessoal e o aumento da violência doméstica.

Este último aspecto não está ainda devidamente estudado e muito menos avaliado o seu real impacto. Mas que aumentou, aumentou. Ao mesmo tempo, provavelmente, o número de denúncias não vai aumentar, pelos motivos óbvios. Quem vive com o agressor dificilmente o vai denunciar em tempos de confinamento…

Circula pela rede social instagram um vídeo recente de um jovem que afirma ter violado uma rapariga que teve que ser socorrida pelo INEM, identifica a rapariga e descreve o acto de violação. Tudo com um sorriso nos lábios, com a naturalidade de quem cumpriu o seu papel….

Quantos mais 8 de Março são necessários para que não seja possível tratar as mulheres desta forma? A violação é um crime! É preciso fazer caminho em Portugal para que “NÃO” seja efectivamente “NÃO” e para que o ônus deste crime terrível deixe de estar do lado da vítima. A liberdade das mulheres no espaço público e no espaço privado é o valor que é preciso defender.

No 8 de Março, milhares de mulheres e em especial mulheres jovens têm dado corpo aquilo que chamam de Greve Feminista e saem à rua. É um dia, mas é um dia sempre inspirador e que alimenta as nossas muitas lutas há mais de um século.

Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas.
Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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