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Sábado, Outubro 23, 2021

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Médio Tejo | Portugal conquista duas medalhas de ouro no Mundial de Orientação em BTT (c/VIDEO)

Daniel Marques e Susana Pontes conquistaram para Portugal duas medalhas de ouro no Campeonato do Mundo de veteranos de orientação em BTT, no primeiro dia de uma competição em que a Dinamarca conquistou oito medalhas, sete em veteranos e uma em juniores masculinos. Nos escalões jovens, a melhor classificação ficou a cargo de Marisa Costa em Juniores Femininos, na 11ª posição, a 55 segundos da vencedora.

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Na prova, que decorreu na quinta-feira no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, num terreno variado constituído por floresta suburbana, parque e zona urbana com uma densa rede de trilhos, Daniel Marques e Susana Pontes, ambos do Clube de Orientação do Centro (COC), de Leiria, venceram os respetivos escalões etários e conquistaram a primeira medalha de ouro do seu percurso desportivo.

Portugal conquistou duas medalhas de ouro no Campeonato do Mundo de veteranos de orientação em BTT. Foto: mediotejo.net

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Susana Pontes, 50 anos, professora de educação física, não escondeu a satisfação pela subida ao mais alto lugar do pódio, tendo a atleta, que representou a seleção nacional de seniores durante vários anos, feito notar que esta “é a primeira medalha de ouro”, tendo já obtido o segundo e terceiro lugar em provas internacionais ao longo da carreira.

“Têm sido alguns anos a treinar, já faço isto desde 2004, tentei sempre dar o meu melhor, obviamente. Hoje, cometi ali um erro e tive que dar tudo até ao fim para ver se as coisas se encaminhavam e realmente tive uma estrelinha de sorte também”, afirmou.

Susana Pontes, do Clube de Orientação do Centro (COC), de Leiria, conquistou a primeira medalha de ouro do seu percurso desportivo. Foto: mediotejo.net

Questionada sobre o segredo para o sucesso nesta modalidade desportiva, Susana Pontes destacou a importância de “gerir o fator mental juntamente com o físico”, fatores que transporta para as suas aulas e modo de vida.

“Se vamos no nosso limite não conseguimos pensar, temos de gerir isso. E muitas vezes na vida o stress leva-nos também a saber ter que abrandar para pensar, e acho que isto é muito parecido com a vida e a gestão daquilo que temos de fazer”, afirmou.

Susana Pontes, 50 anos, professora de educação física, não escondeu a satisfação pela subida ao mais alto lugar do pódio. Foto: FPO

A orientação em Bicicleta de Todo-o-Terreno (BTT) é uma disciplina semelhante à orientação pedestre, mas em que a deslocação é feita em BTT, sendo objetivo conseguir escolher a melhor opção entre os pontos definidos no mapa do traçado definido, numa lógica de corrida individual em contrarrelógio, em terreno desconhecido e geralmente de floresta ou montanha.

Daniel Marques, 37 anos, engenheiro civil de profissão, é um dos mais experientes atletas nacionais, tendo hoje conquistado uma vitória “saborosa” e a primeira medalha de ouro da sua carreira.

“Foi saborosa, como é óbvio, a jogar em casa, numa prova extremamente exigente, com adversários à altura. Consegui hoje ser o mais forte, amanhã logo se vê. Foi uma corrida muito interessante e estou com boas expectativas para os próximos dias também”, afirmou, tendo feito notar que esta é a primeira medalha de ouro.

“Sim, é a primeira, é o meu primeiro ano também em masters, portanto, foi uma boa estreia”, notou.

Daniel Marques sagrou-se campeão do mundo em veteranos no escalão M35. Foto: mediotejo.net

Questionado sobre o percurso desenhado em Santa Margarida, Daniel Marques disse que o mesmo “era desafiante, num terreno muito exigente ao nível de navegação e de circulação, ou seja, muita pedra no caminho, muitos caminhos em mau estado”, tendo destacado a importância de “saber gerir” as condições da melhor forma, perante atletas de todo o mundo, alguns deles profissionais.

Para o atleta de Leiria, esta é uma modalidade “muito desafiante”, tendo feito notar que “não é só andar bem de bicicleta e não é só o nível físico que interessa, mas também a componente mental”, destacando a importância das “escolhas no meio do mapa”, e de “escolher os melhores caminhos para chegar o mais depressa possível” aos pontos de controlo.

“É um jogo, um jogo de labirinto e não é o que anda mais que ganha, mas também o que se orienta melhor”, afirmou.

Daniel Marques venceu o master M35 e sagrou-se campeão do mundo em Orientação em BTT. Foto: FPO

Com um total de 369 atletas de 26 países em competição até domingo, nos concelhos de Abrantes, Constância, Chamusca e Sardoal, o Médio Tejo BTT Orientação (MTBO2021) é composto, além do Campeonato do Mundo de veteranos, pelo Campeonato da Europa de juvenis e juniores, que já tiveram esta manhã a realização da prova de sprint, pelo Campeonato da Europa de seniores e CX80 Taça do Mundo de seniores.

Itália, Rússia, Áustria e Dinamarca conquistaram o ouro na primeira competição do MTBO 2021 nos escalões juvenis e juniores. Foto: FPO

Na manhã de quinta-feira, o destaque foi para Itália, Rússia, Áustria e Dinamarca, países que conquistaram o ouro na primeira competição do MTBO 2021 nos escalões juvenis e juniores.

Em evidência esteve a formação da Rússia, que conquistou três medalhas (ouro, prata e bronze), sendo que entre os portugueses a melhor classificação ficou a cargo de Marisa Costa em juniores femininos, na 11.ª posição, a 55 segundos da vencedora.

VIDEO | REPORTAGEM EUROPEU JUVENIS E JUNIORES MTBO2021:

Davide Machado e a júnior Marisa Costa são os representantes portugueses em que a delegação nacional deposita agora esperanças na conquista de novas medalhas, nomeadamente na Taça do Mundo e no campeonato da Europa de elites de orientação.

Davide Machado vai participar na Taça do Mundo e no campeonato da Europa de elites de orientação. Foto: mediotejo.net

Davide Machado, 33 anos, Natural de Braga, reside em Sintra, responsável de loja. Já tem uma medalha de ouro no currículo, quais as expectativas?

Já tenho uma medalha de ouro numa Taça do Mundo, realizada em Portugal, e uma medalha de prata no Campeonato do Mundo. No Campeonato da Europa vamos tentar a minha sorte, é claro que estamos em vantagem por ser em Portugal, acabamos por ter um conhecimento na parte da cartografia similares àquele que normalmente utilizamos. Acresce também a responsabilidade pelo facto de estar a correr em casa. Fisicamente estou bem, vamos ver como corre, estou cá para fazer o meu melhor e depois daí surgirá o melhor resultado possível, vamos ver.

És operador de loja, portanto não és profissional de orientação, mas há aqui profissionais de outros países… como é competir com esta discrepância?

Não é fácil, porque mesmo a nível de treinos, uma pessoa tem de treinar fora do horário do trabalho e requer uma logística muito maior, mais tempo, o qual tem de ser retirado a outras ocasiões, de lazer, de tempo em família, não é fácil. Mas como bom português, tenta-se desenrascar da melhor forma, e tentamos fazer o nosso melhor também com as condições que temos.

O que é que gostas mais nesta modalidade, o que te motiva?

O desafio. Eu faço outras modalidades, faço maratonas BTT, BTT, mas adoro orientação BTT pelo desafio em que consiste esta modalidade. Temos a componente física, da bicicleta, mas temos também a componente mental, da parte da orientação. E o desafio que surge de ponto para ponto, não é só a parte do tempo – que é importante, claro, ganha quem fizer melhor tempo – mas é o desafio constante ao longo de toda a competição, é isso que me move. Comecei na orientação pedestre já há 15 anos, já é um longo caminho, e adoro este desporto.

Marisa Costa, junior, já tem medalhas internacionais no currículo. Foto: mediotejo.net

Marisa Costa, 20 anos, vive em Tomar e atualmente estuda em Aveiro. Já tens currículo nacional e internacional, quais as expectativas para o que falta?

Sinto-me bem, o facto de estar a correr em casa é uma mais valia e dá mais confiança. Fisicamente preparei-me o melhor que podia, é dar tudo o que tenho e confiar no processo até aqui e que vai correr bem.

O sprint é a tua vertente preferida ou tens outra preferência?

Eu sou mais de provas mais físicas, como média-longa. O sprint depende muito da técnica do mapa em si mas estou mais confiante para a prova de amanhã que é mais ao meu jeito.

Como é conciliar os estudos com a prática desta modalidade exigente?

É um pouco complicado, principalmente em época de aulas.

O que gostas mais na modalidade, o que te motiva?

O espírito, não há inimigos, estamos todos aqui pelo mesmo, tentar elevar a bandeira de Portugal ao mais alto nível de sempre, sem rebaixar ninguém, e acho que aqui temos todos essa noção e damo-nos muito bem. E mesmo o próprio desafio da modalidade, de conciliar o mental com a parte física. É muito interessante.

Artur Mendonça, uma esperança nacional que representa o BTT Loulé. Foto: mediotejo.net

Artur Mendonça, na orientação há mais ou menos 4 anos, é de Tavira, 17 anos, estudante. Como é participar nesta competição de âmbito mundial?

É diferente das que estou habituado, o nível é mais elevado e em cada minuto há mais concorrência e qualquer erro vai ser crucial para a classificação final.

Como se faz um atleta de BTT Orientação para se preparar? Como é também conciliar os estudos com a exigência competitiva para integrar a seleção nacional?

Temos que treinar muitas vezes por semana e conseguir conciliar com os estudos. Aproveitar ao fim de semana, quando temos mais tempo, para fazer alguns treinos de orientação para não esquecer essa parte técnica, e tentar sempre evoluir na parte física que também conta na orientação.

Como é que despertaste para esta modalidade e o que mais gostas nela?

Conhecer sítios novos e pegar no mapa e explorar sítios novos. Mistura também a bicicleta, que eu gosto muito de andar, e orientação, que é bom.

Expectativas para agora e para o futuro?

Quero fazer uns bons resultados nesta prova. Medalhas não considero impossível, mas é preciso estar concentrado na prova, não cometer erros.

Fábio Gonçalves e André Abreu, atletas da UCDA Chamusca e da seleção nacional. Foto: mediotejo.net

Fábio Gonçalves, 16 anos, estudante no Entroncamento. Como é participar neste evento e quais as expectativas?

As expectativas é fazer o melhor que posso, sempre, e dar o meu máximo para conseguir os melhores resultados.

Como despertaste para esta modalidade?

Foi o meu pai que me introduziu nesta modalidade, ele já fazia, eu andava noutras andanças, mas ele introduziu-me, eu gostei e fiquei. Eu sempre gostei de andar de bicicleta e quando comecei a fazer orientação e juntei as duas coisas, ganhei uma paixão.

Quais as expectativas para esta competição e para o futuro?

Fazer o melhor que posso, e para o futuro espero ser dos melhores, ambicionar o mais alto possível.

André Abreu, 17 anos, de Santa Margarida, estudante em Constância

Correr em casa é um bocado difícil porque nos dá muita confiança e essa confiança nem sempre é bom, às vezes dá-nos mais à vontade e depois cometemos erros. Eu cometi ali um grande erro com uma vedação, fiz um pouco de tempo a mais, mas penso que o resto das etapas que estão para vir vão correr melhor.

E quais são as expectativas para o presente e futuro?

Dar o meu melhor amanhã para poder corrigir a prova de hoje que correu menos bem, e dar o meu melhor ao representar Portugal.

O que gostas mais nesta modalidade?

Esta modalidade nem sempre foi o que eu queria mesmo, mas como surgiu esta oportunidade comecei a gostar e aqui estou.

Helder Faísca Guerreiro, presidente da Federação Portuguesa de Orientação. Foto: mediotejo.net

Hélder Faísca, presidente da federação portuguesa de orientação. O que significa para Portugal e para a federação acolher estas provas?

Penso que é acima de tudo um reconhecimento da IOF (International Orienteering Federation) pelo trabalho realizado ao longo dos anos pela Federação Portuguesa de Orientação e pelos clubes portugueses na organização de provas deste tipo.

Vemos aqui uma grande envolvência, muita gente a trabalhar…

Sim, nestas organização a Federação Portugesa de Orientação tem sempre a colaboração dos vários clubes. Portanto entre os vários clubes que se disponibilizam cria-se um comité organizador com elementos dos vários clubes, e depois a organização toda pode ter 10 ou 12 clubes, não consigo precisar quantos aqui se encontram, mas digamos que dentro dos 80 elementos da organização se calhar temos 10/12 clubes.

E qual é o segredo para o sucesso de uma organização de um evento que acolhe centenas de participantes de dezenas de países e uma comitiva portuguesa também muito interessante em termos competitivos?

Eu penso que da organização é de facto um espírito de equipa e de amizade. Na orientação, não sendo a federação muito grande, não tem um muito grande número de clube e atletas, e há portanto uma grande amizade entre todos – e ela acaba por ser reforçada nestas organizações – mas podemos dizer que os atletas de orientação se conhecem todos uns aos outros e os próprios elementos dos clubes também já se conhecem, daí que consigamos trabalhar em conjunto e realizar este bom trabalho. Quanto à competitividade dos atletas, temos tido nos últimos anos alguma sorte, alguns atletas bons que têm aparecido, esperemos que consigamos desenvolver o trabalho junto dos jovens, e claro que a federação nestas provas em Portugal que nos é possível trazer mais jovens, é evidente que os trazemos também para lhes dar alguns incentivos.

Há esperanças nalguma medalha para Portugal? (além das duas medalhas de ouro conquistadas pelos veteranos na prova da tarde)

Há esperanças. O David Machado já provou que pode conseguir medalhas e a Marisa Costa no último ano de juniores esperemos também que consiga. Mas qualquer outro poderá, não digo medalhas mas um diploma, será possível.

Os atletas portugueses são todos amadores, com as mais variadas profissões, estudantes, que competem contra alguns profissionais, parece que há aqui uma diferença competitiva…

É como em todos os desportos, sabemos bem que um determinado desporto que num país tem uma determinada relevância, noutro país não tem, e, quer dizer, em orientação Portugal ainda está muito abaixo. Mas são desportos individuais e aparecem sempre revelações.

Quantos atletas praticantes tem a federação nesta vertente de orientação BTT?

Não tenho números presentes. A federação ronda – e agora com a pandemia o número reduziu um pouco – os 2000 federados. Há muita gente que faz a orientação BTT e faz também pedestre. A orientação, e acho que é como em todos os desportos, mas é possível na mesma prova ter uma parte bastante competitiva e uma parte mais de lazer e de desporto de família. A orientação disputa-se em contra-relógio e é possível termos percursos mais suaves em que pode ir o pai com o filho, e ter o percurso competitivo, mais a sério. Não tenho presente, mas há mais pessoas a fazer orientação pedestre, exatamente por esse motivo, porque é mais fácil e agradável de fazer em lazer. Mas digamos que numa prova de BTT, numa Taça de Portugal normal, habitualmente há 130-150 atletas. Em termos pedestre, mete 500-600. Isto numa prova normal. Claro que se vierem atletas de Espanha os números aumentam, porque temos protocolos com Espanha e disputamos várias competições, e aí junta-se mais gente.

Portanto, uma prova deste calibre em Portugal, com a envolvência de todos os clubes, esta é também uma montra para potenciar a captação de novos atletas…?

“Sim, é evidente que sim, e nesta fase de pandemia não há espetadores, mas tentamos sempre que numa situação normal as provas sejam metidas no meio das pessoas, para que as pessoas vejam também que de facto existe a orientação. É evidente que a orientação também não é um desporto muito suscetível a espetadores, mas às vezes fazemos pontos, onde todos os atletas vão passar, de forma a poder colocar espetadores nesses pontos. Neste caso, como estamos em pandemia, nem isso temos, mas é evidente que sempre que se mostra uma modalidade há sempre uma possibilidade de atrair atletas”.

Elite internacional de orientação em BTT marca presença até domingo, 10 de outubro, em Abrantes, Constância, Chamusca e Sardoal. Foto: CMA

Depois de Constância, o evento vai ainda acolher os campeonatos de distância média, na sexta-feira, em Alcaravela (Sardoal), a prova de distância longa, no sábado, no Arripiado (Chamusca), e a prova de estafetas mistas e estafetas em Abrantes, no domingo.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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