Gavião | “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30” afirmam importância da memória oral

Primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Créditos: mediotejo.net

O Arquivo Digital e Imaterial da Comenda organizou no sábado, 3 de outubro, os primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Iniciativa que se apresentou, em Comenda (Gavião), como um espaço de partilha de memórias, de discussão sobre a perspetiva antropológica do conto e, nessa senda, decorreu a apresentação da obra “Antologia do Conto Alentejano”, um livro com 28 contos, coordenado pelo portalegrense Fernando Mão de Ferro, das Edições Colibri.

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O “desamor” dos jovens pela leitura foi problemática abordada na primeira edição dos “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30” com as opiniões a divergirem. Alguns dos oradores afirmaram que as novas gerações têm um problema com a leitura em geral mas defenderam que as publicações sobre as suas terras, designadamente livros sobre a cultura local, tradições e figuras podem reavivar o interesse e o gosto dos jovens pela leitura. E outros garantiram observar, no seu dia a dia, jovens leitores interessados e com sentido crítico, notando que esses têm de ser acarinhados enquanto tal.

Apesar da dúvida sobre o interesse das novas gerações na literatura, imperou o consenso no que toca à importância de reafirmar a cultura portuguesa (ou as várias existentes), as tradições e da preservação da memória em formato escrito. Umas jornadas que versaram essencialmente sobre a preservação e divulgação da Cultura do alto Alentejo.

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Primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Créditos: mediotejo.net

O editor Fernando Mão de Ferro, das edições Colibri, apresentou o seu mais recente livro “Antologia do Conto Alentejano”, com 28 contos onde o Alentejo “é constante, está sempre presente. O Alentejo é cenário e personagem”, disse, considerando “extraordinária” aquela celebração da Cultura portuguesa no Salão Paroquial e Comunitário da Comenda. Quanto à obra, todos os contos são originais exceto o de Joaquim Maria Castanho que conta uma lenda que lhe foi transmitida pela avó, explicou o editor.

O portalegrense salientou a importância de “reafirmarmos a nossa Cultura. Não pode diluir-se na Cultura da União Europeia. Em cada cantinho do País existem culturas diversas, tradições. É necessário mantermo-nos de pé se queremos manter um país diferente, do qual termos orgulho”, disse, valorizando também as culturas existentes por todo o mundo mas refutando “as formatadas, que a todo o momento nos entram pela casa dentro e que tentam formatar a nossa maneira de ser e de estar”, disse, referindo-se “a este coisa maliciosa que é a televisão” impondo “coisas iguais para todo o mundo”.

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Por seu lado, a psicóloga Elisa de Mira confirmou a importância de preservar a identidade mas referiu não gostar de “tradições” mas sim de “traduções da Cultura nas suas atualizações”.

Nuno Silveira abordou a memória oral, as diversas pronuncias do País e falou de Pequito Rebelo, um homem do integralismo lusitano que nasceu, viveu e foi latifundiário na Comenda.

Já Eduardo Luciano, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Évora, concordou que “o conto pode efabular a memória” afinal “quem conta um conto acrescenta um ponto”, defendendo que tal ação “é acrescentar memória e possibilidades de futuro”, ainda que possa parecer um paradoxo.

Primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Créditos: mediotejo.net

Os primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”, inseridos nas Jornadas Europeias do Património 2020, contaram com dois painéis de debate e reflexão em que participam, além do editor Fernando Mão de Ferro, alguns dos contistas e outras personalidades do setor da cultura e das artes.

Os Encontros tiveram assim como temas de debate o “Educar pelo legado do Património Imaterial do testemunho oral – o Conto no seu contexto antropológico” (no primeiro painel) e “Educar pelo legado do Património Material do testemunho escrito – o conto no seu contexto historiográfico” (no segundo painel). Pelo meio um momento musical com Ana Barrento, uma jovem compositora e interprete, natural de Comenda.

Mas a sessão foi aberta por Marline Próspero, presidente do Orfeão Estrela da Planície da Comenda, que convidou os presentes a terem “esperança no futuro” agradecendo a presença de todos apesar do cenário de pandemia.

Primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Créditos: mediotejo.net

A intervenção seguinte esteve a cargo de Carlos Alexandre, presidente da Junta de Freguesia de Comenda, que deu conta da Cultura ser “uma grande aposta” da freguesia.

“Realizamos e apoiamos várias atividades e projetos quer seja de iniciativa pública ou privada”, disse, referindo que a freguesia aderiu ao movimento sem fins lucrativos Little Free Library através do qual “foram instaladas três pequenas bibliotecas gratuitas, uma em cada localidade da freguesia e que até ao momento tem tido uma grande adesão, superando as expectativas”.

Primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Créditos: mediotejo.net

Por fim, o presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Pio, afirmou “sentir no presidente da Junta um interlocutor muito válido naquilo que são as atividades culturais que o concelho faz”.

Para José Pio “não é por acaso” que a Comenda “tem sido um lugar privilegiado para que a Cultura aconteça. Tem um vasto conjunto de pessoas que são filhos da terra, infelizmente a vida levou-os para outros sítios, mas nunca esqueceram as suas raízes e hoje, muitos anos passados, começam a regressar e a fazer da sua terra a terra que ambicionam”.

Primeiros “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”. Créditos: mediotejo.net

O presidente terminou a intervenção dando conta da “extrema disponibilidade” da Câmara Municipal de Gavião para “apoiar tudo aquilo que seja importante para a freguesia e para o concelho” e assim aconteceu com a primeira edição dos “Encontros de Cultura do Alto Alentejo 20|30”.

PODE VER AQUI O PROGRAMA

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