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Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

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Espanha reactiva centrais a carvão na semana em que Portugal encerra o Pego

Centrais da Endesa e da EDP já tinham encerrado e receberam um pedido "urgente" do governo espanhol para voltarem a produzir energia, perante a escalada dos preços da eletricidade e o risco de haver falhas de fornecimento no Inverno.

Na sexta-feira passada, quando a Central Termoeléctrica do Pego terminava os seus stocks de carvão, mais de 30 camiões andavam em grande azáfama a transportar 100 mil toneladas deste mineral desde o porto de Ferrol, na Galiza, para a Central de As Pontes, na mesma vila espanhola. Apesar de estar sem funcionar desde julho, e de ter iniciado o seu processo de desmantelamento, esta segunda-feira, 22, a central gerida pela Endesa (que detém 44% da Central do Pego) voltou a ser ativada, em resposta a um pedido “urgente” do governo espanhol. A medida, considerada “transitória e excepcional”, visa garantir as necessidades da rede elétrica nacional, numa altura em que os preços da energia atingem valores recorde.

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Alguns dos trabalhadores despedidos nos últimos meses, ou recolocados noutras centrais da Endesa, noutros pontos de Espanha, voltaram a ser chamados para a Central de Ferrol. Os sindicatos aproveitaram para pedir ao governo e à Endesa que “aproveitem este tempo extra para fazer uma transição verdadeiramente justa, procurando alternativas inovadoras de investimento para a indústria local” e apoiando “a formação e requalificação dos trabalhadores”.

O vice-presidente do governo da Galiza, Francisco Conde, responsável pela pasta da Indústria na região espanhola, disse ao jornal A Voz de Galicia” lamentar o “desnorte” e a falta de visão estratégica de longo prazo, considerando que a decisão de fechar as centrais a carvão em Espanha foi “precipitada”, estando agora o país “em dificuldades para garantir o fornecimento de eletricidade e preços competitivos para as famílias e empresas”.

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Para já, a Central As Pontes, que tem 1.400 megawatts de potência instalada, só poderá funcionar até 31 de dezembro e usando apenas duas das suas quatro torres, as únicas que estão “adaptadas aos requisitos ambientais exigidos”. Mas, segundo a imprensa espanhola, o governo pretende que as licenças de várias centrais a carvão no país sejam reactivadas e prolongadas pelo menos até final de 2022.

Já na próxima semana, também a central da EDP em Los Barrios, na província de Cadiz, voltará a funcionar. A empresa portuguesa está a fazer a reconversão desta central de carvão para a produção de hidrogénio verde, a fim de fornecer toda a zona industrial do Campo de Gibraltar e a exportação para outros países, por mar, mas recebeu também um pedido “excepcional” do governo espanhol para voltar a produzir energia a carvão.

Os preços da energia no mercado ibérico (Mibel) nunca estiveram tão altos. No início deste ano situavam-se nos 32 euros por MegaWatt/hora, tendo atingindo os 281 euros por Mwh em outubro. Com a chegada do Inverno e verificando-se que não existia capacidade de garantir as necessidades energéticas do país sem recorrer ao nuclear e ao carvão, o governo espanhol deu “um passo atrás” e decidiu rever as ordens de encerramento em curso. Em 2020 tinha sido determinado o fecho de 7 das 15 centrais a carvão do país, tendo como meta terminar a produção em definitivo entre 2026 e 2030.

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Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Estas decisões ocorrem na UE e os cidadãos só podem ficar perplexos com tal desnorte pois, encerra a PEGOP e na mesma semana reabre FERROL. O Ministro Matos Fernandes diz que vai acabar tudo bem, que os trabalhadores vão receber formação, não se sabendo qual nem para quê a não ser para que os Trabalhadores recebam salários. O Povo diz que “o que começa mal tarde ou nunca se endireita”. Estou em crer que: Iremos ter um grande apagão; Vamos pagar cada dia mais caro os combustíveis; O dito mercado, elevado ao nível de DEUS, vai continuar a enriquecer uns poucos à custa de todos nós. Recordo aqui e agora o ditado brasileiro: ” Patrão caixão não tem cofre”. É preciso continuar a questionar as decisões dos Governantes mas mais do que isso, temos de procurar quem nos governe no país, na UE e no Mundo saiba traçar políticas ambientais coerentes e indissociáveis do fim da sociedade de consumo.

  2. Com base nas previsões da DGEG – REN de outubro de 2020, contidas no Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento abaixo, não haverá grande razão para festejar o fecho do Pego a carvão. Ainda bem que Espanha está a ser cautelosa, pois no mínimo seria prudente negociar que trabalhasse até fim de março 2022 (ponta de carga de inverno). Caso haja prolongamento de estiagem as coisas podem mesmo ficar apertadas… (e não se pense que a importação tudo salva, pois Espanha tem regime hídrico semelhante e a projeção de preços futuros para França mostra que se prevê uma fase de aperto). Ora no Relatório citado prevê-se carência de potência disponível para cobrir a ponta de consumo de inverno em 2022, devido ao descomissionamento da Central do Pego (a carvão) no final de 2021 e apenas previsão de entrada em serviço das hidroelétricas de Gouvães e Daivões (Iberdrola) em janeiro de 2023. A solução mais simples e barata seria autorizar a REN a negociar o prolongamento do contrato do Pego pelo menos até março de 2022 (como reserva de segurança, só utilizável em caso de absoluta necessidade), mas o “pecado” de aceitar um pequeno acréscimo de emissão de CO2, leva a DGEG a propor: solicitar ativação de um programa de apoio ao Operador do Sistema espanhol (REE); redução de consumo, recorrendo ao serviço de interruptibilidade dos consumidores industriais elegíveis; deslastres pontuais de consumos não prioritários, no caso de incumprimento da medida anterior pelos clientes interruptíveis!

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