Entroncamento | Grupo de formação de maioria cigana é exemplo de integração (c/ vídeo)

De um total de 17 formandos que frequentam uma ação de formação no Entroncamento, só três é que são “paítos”, designação que os da etnia cigana dão aos não ciganos. Destinada a desempregados de longa duração, a ação está a ser um sucesso e enquadra-se no Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (PO ISE) do Fundo Social Europeu que inclui vários módulos formativos na área do trabalho social e orientação.

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Pela cor da pele, pela forma como se apresentam e pela maneira de falar percebe-se que são pessoas de etnia cigana. E estão em maioria nesta turma de formação que está criada no Entroncamento há cerca de dois anos.

Quando visitámos o grupo, numa sala na rua 1º de Maio, decorria mais uma sessão de uma UFCD – Unidade de Formação de Curta Duração desta vez sobre animação cultural com a duração de 50 horas.

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A formadora Carla Ildefonso estava acompanhada por Rita Rodrigues, da empresa Planeta Informático, promotora da ação de formação. Na ocasião resolviam-se questões burocráticas de calendário e assiduidade.

Todos reconhecem o bom ambiente na turma de formação, um caso de sucesso no Entroncamento. Foto: mediotejo.net

O ambiente é calmo e percebe-se que todos estão ali movidos pelo objetivo de aprender algo mais e aproveitar o momento de convívio, além de acrescentarem alguns euros ao seu rendimento.

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Ciganos e “paitos” estão unidos pela formação, “como se fosse uma família”, refere uma das formandas mais velhas. Pelo que percebemos todos se mostram satisfeitos com o decorrer das ações em que a formadora Carla Ildefonso é a responsável.

Rita Rodrigues, da empresa Planeta Informático, e Carla Ildefonso, formadora. Foto: mediotejo.net

“Damo-nos todos muito bem uns com os outros, aqui somos todos iguais, somos uma família”, afirma Natália Lopes, 62 anos, quando questionada pelo mediotejo.net. Entre as várias mulheres formandas, é a única não cigana.

Elogia os colegas e a formadora Carla. “É uma excelente professora, explica muito bem. Não nos dá descanso, é exigente, mas colabora connosco”. Revela que a formação ajudou-a a ultrapassar uma fase difícil de depressão.

Aos 50 anos e já com alguns anos de experiência como formadora em ambientes hostis como por exemplo em estabelecimentos prisionais, Carla Ildefonso encara a formação a uma turma maioritariamente de etnia cigana, como um desafio idêntico a outras ações.

“Gosto muito de estar com eles, já tenho uma relação pessoal com todos e não olho para eles como sendo de etnia, até me esqueço”, refere a formadora que acompanha este grupo há cerca de dois anos e com quem já criou laços. Confessa que, “por vezes até é mais difícil dar formação “aos senhores” como eles dizem (designação dada aos não ciganos)”.

Reconhece que “por vezes há choques de personalidade, mas isso nada tem a ver com o facto de serem ou não da etnia”. Outra questão sensível tem a ver com questões de diferenças culturais. Temas como a sexualidade por exemplo são consideradas tabu porque na cultura cigana têm outro tipo de abordagem.

Todos os alunos com quem falámos são unânimes em elogiar a formação e a formadora, estando disponíveis para participar noutras ações que venham a surgir.

Durante a ação de formação. Foto: mediotejo.net

Délio Bruno, 33 anos, não tem dúvidas de que esta aprendizagem “é uma mais-valia para a integração no mercado de trabalho”. Não consegue apontar dificuldades até porque “a formadora Carla é excelente na forma como ensina”.

Para Manuel Romão, 55 anos, “nunca é demais aprender. Quando era mais novo não me foi dada a oportunidade e por isso há que aproveitar, é sempre bom”. É com este espírito que tem participado nas várias ações de formação desde há cerca de dois anos a esta parte.  “Nós queremos aprender mais e esta é uma oportunidade que estamos a aproveitar, é muito útil”, assegura.

Prosseguindo a ronda por alguns formandos, falamos com Luís Lopes, 62 anos, que não pertence à etnia maioritária naquela sala. Sobre o tema da ação (animação cultural) diz que “já tinha ouvido falar sobre alguns assuntos assim por alto”, mas agora “estamos a profundar um pouco mais, o que nos dá uma valorização muito grande”.

A sua opinião sobre a turma reforça a ideia do bom ambiente e camaradagem que existe. “Há uma ótima interação, é espetacular, é um grupo mesmo com “G” grande”, reconhece.

Rita Rodrigues, da empresa de formação e consultoria Planeta informático, com sede no Porto, mas com ações um pouco por todo o país, aponta como objetivo desta formação que os formandos, no final, saiam mais capacitados depois de um percurso formativo preenchido com um leque variado de aprendizagens que vão fazendo.

Destinada a desempregados de longa duração, a ação enquadra-se no Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (PO ISE) do Fundo Social Europeu e inclui várias UFCDs na área do trabalho social e orientação.

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