Cartoon: DR

De acordo com o seu significado, “demagogia é o discurso ou ação política em que se procura conquistar apoio através da manipulação das emoções populares, em detrimento do uso de argumentos lógicos ou racionais”.

Isto faz-me recuar a 1982 para recordar a letra de uma canção:

‘Dão nas vistas em qualquer lugar
Jogando com as palavras como ninguém
Sabem como hão-de contornar
As mais directas perguntas

Aproveitam todo o espaço
Que lhes oferecem na rádio e nos jornais
E falam com desembaraço
Como se fossem formados em falar demais

Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira

P’ra levar a água ao seu moinho
Têm nas mãos uma lata descomunal
Prometem muito pão e vinho
Quando abre a caça eleitoral

Desde que se vêem no poleiro
São atacados de amnésia total
Desde o último até ao primeiro
Vão-se curar em banquetes, numa social

Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira’.

Apesar de ter quase 40 anos, se ignorarmos a habilidade para jogar com as palavras, a letra desta canção mantém a sua atualidade. Em prejuízo das pessoas e do desenvolvimento dos territórios.

Mantendo-me no universo das canções, fica no ar a promessa de que agora é que se vai fazer o que ainda não foi feito. Percebe-se que assim seja, porque o passado já passou e o futuro ganha-se no presente, de preferência com “presentes”. Mesmo que seja com aqueles onde se diz dar aquilo que a lei obriga ou onde se regista o momento fotográfico do espaço comercial que abriu no mesmo local onde outro acabou de fechar.

O poder da palavra tem vindo a ser substituído pela sobrevalorização do instantâneo, transferindo a prioridade para a gestão do momento e justificando assim o oneroso contrato de comunicação.

É isto o que a demagogia nos vende. É esta a demagogia que respiramos. Aquela que elogia a pintura de fachadas e ignora as fachadas sem pintura que continuam a ameaçar ruir a qualquer momento. A mesma que não faz contas nem se preocupa com o saldo entre o deve e o haver. Essa que se foca na tática de hoje sem ter qualquer estratégia para amanhã.

Se temos adiado o futuro temos certamente legitimidade para o continuarmos a adiar continuando a acreditar que sim, que é agora que vai ser feito aquilo que ainda não foi feito. Até porque a vertigem dos próximos meses trará muitas alegrias e uma dinâmica nunca antes vista. É nesses momentos que voltarei a recordar a letra da canção, “demagogia feita à maneira, é como queijo numa ratoeira”.

É gestor e trabalhar com pessoas, contribuir para o seu crescimento e levá-las a ultrapassar os limites que pensavam que tinham é a sua maior satisfação profissional. Gosta do equilíbrio entre a família como porto de abrigo e das “tempestades” saudáveis provocadas pelos convívios entre amigos. Adora o mar, principalmente no Inverno, que utiliza, sempre que possível, como profilaxia natural. Nos tempos livres gosta de “viajar” à boleia de um bom livro ou de um bom filme. Em síntese, adora desfrutar dos pequenos prazeres da vida.

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