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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Crime | Detido por fogo posto na Sertã é também suspeito no incêndio que devastou Mação em 2017

O engenheiro eletrotécnico que hoje foi detido é suspeito de ter sido o autor de pelo menos 16 incêndios, incluindo o grande fogo que devastou Mação, em 2017, consumindo 33 mil hectares – foi o concelho com a maior área ardida a nível nacional, nesse terrível ano que fica na memória de todos pelas mortes ocorridas em Pedrógão Grande. 

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A Polícia Judiciária avançou a informação esta tarde, em conferência de imprensa, explicando que a investigação começou em 2018 e culminou esta segunda-feira com a detenção deste homem, de 38 anos, que reside na Sertã. A PJ teve no terreno a colaboração da GNR da Sertã e do Grupo de Trabalho para a Redução das Ignições em Espaço Rural, do Centro.

A Judiciária realizou nos últimos três anos um levantamento exaustivo de várias áreas ardidas entre 2017 e este ano, e está convicta de que o homem poderá ser o autor de pelo menos 16 incêndios, afirmou o coordenador do gabinete de investigação de incêndios da Diretoria do Centro da PJ, Fernando Ramos.

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“É provável que haja mais”, admitiu, salientando que muitos dos engenhos que eram usados para pegar fogo podem passar despercebidos ou terem acabado destruídos nos incêndios, quase todos de grandes dimensões.

O suspeito usaria um temporizador programado, por isso podia estar até no trabalho ou numa festa e tinha alibi para o momento em que o fogo começava

Segundo Fernando Ramos, este engenheiro eletrotécnico é suspeito de ter sido o autor do grande incêndio de Mação, em 2017, em que houve 33 mil hectares destruídos pelas chamas, e também, em 2020, dos incêndios em Oleiros e Proença-a-Nova, em que os fogos resultaram, respetivamente, em 5.000 e 14.000 hectares de área ardida.

Em nenhum dos incêndios identificados em que o detido é suspeito de ter sido o autor houve vítimas mortais ou feridos graves. Contudo, como no caso de Mação, as consequências da devastação foram enormes, quer a nível ambiental, quer a nível económico e social.

De acordo com Fernando Ramos, o suspeito usava um temporizador programado para uma certa hora ou dia (tinha capacidade de programar até 11 dias de distância), sendo que o fecho do circuito provocava a incandescência no filamento de uma lâmpada, que estava exposto e que permitia a ignição da matéria combustível próxima.

Tal engenho permitia que o autor podia “estar no trabalho ou no plano social e não ter nada a ver com o momento em que o incêndio começava”, realçou o diretor nacional adjunto da PJ, Carlos Farinha, referindo que os incêndios, muitas vezes, eram programados para coincidirem com eventos sociais de maior impacto – foi o caso de um incêndio em 2020, em que aconteceu ao mesmo tempo que decorria a Festa do Maranho, na Sertã.

O autor terá também conhecimento sobre a evolução de um incêndio e da forma como este se comporta mediante linhas de água, declives ou temperaturas, explicou.

Carlos Farinha realçou que, aquando da detenção do indivíduo, já a PJ tinha feito muita investigação e estava munida de mandados de busca, aproveitando o momento.

Esta é uma investigação “com muitas páginas e alguns volumes”, destacou, notando ainda que se inovou na investigação de incêndios florestais, ao terem sido usados métodos intrusivos, como a localização celular ou a interceção telefónica, meios pouco usados nesta área.

Questionado pela agência Lusa sobre qual terá sido a motivação do suspeito, Carlos Farinha escusou-se a avançar com uma resposta, acrescentando, porém, que tudo leva a crer que se trata de uma atuação de uma pessoa só.

“Isto não caiu do céu”, salientou o subdiretor da Diretoria do Centro da PJ, Valter Constantino, realçando a investigação complexa que foi levada a cabo.

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Agência de Notícias de Portugal

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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