Covid-19 | Coro do Santuário de Fátima reduzido de 70 pessoas para seis elementos

Entrega do trigo na peregrinação de 13 de agosto de 2020 Foto: mediotejo.net

O Santuário de Fátima tinha registado na quinta-feira, dia 13 de agosto, a entrada de três grupos estrangeiros (Itália, Espanha e Polónia), sendo os quatro grupos restantes de portugueses. Pelo recinto, tradicionalmente pintado de bandeiras de todo o mundo, nesta que é a peregrinação dos migrantes e refugiados, as poucas cores estrangeiras eram representadas por emigrantes portugueses. O coro do Santuário de Fátima, foco do maior surto de Covid-19 no concelho de Ourém, encontrava-se a funcionar com apenas seis pessoas. O normal são 70 elementos.

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Não houve nada que o Santuário de Fátima não fizesse para prevenir o contágio por SARS-CoV-2, mas ainda assim pelo menos 25 pessoas do Coro ficaram infetadas em junho, num surto que afetou a retoma económica da cidade de Fátima. Neste 13 de agosto apenas cinco elementos do coro (o grupo costuma atuar com 70 pessoas) e o organista se encontravam a realizar a liturgia cantada, número ainda assim superior aos dias normais, em que se resume a um a quatro elementos e o organista.

Portugueses marcavam paisagem de Fátima neste mês de agosto Foto: mediotejo.net

“O Coro nunca mais se reuniu” desde o período de confinamento, garantiu ao mediotejo.net a assessora de imprensa do Santuário de Fátima, Carmo Rodeia. Gradualmente começou a ensaiar, mas por grupos de vozes, nunca todo o conjunto, até porque reúne pessoas de idade avançada. “Foi assim que ocorreu o contágio de 25 pessoas”, explicou.

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Após o primeiro caso de Covid-19, o Santuário procedeu ao despiste de todos os colaboradores, tendo realizado cerca de 400 testes.

Quando se retomaram as missas comunitárias, atuavam nas celebrações apenas os solistas. O grupo chegou a reunir 12 pessoas, referiu, mas atualmente os cânticos durante as celebrações foram reduzidos aos elementos mínimos essenciais, nomeadamente o organista e um/duas pessoas nos fins de semana normais até às cinco que cantavam neste 13 de agosto.

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Carmo Rodeia garantiu que o distanciamento social é cumprido no espaço reservado ao Coro, porém esta é uma atividade que exige projeção de voz e as pessoas não podem usar máscara.

Porta estandartes estavam reduzidos a duas pessoas. Isabel Esteves veio sozinha representar a Missão Católica Portuguesa em Londres Foto: mediotejo.net

“O Santuário de Fátima tem procurado fazer tudo ao seu alcance para proteger trabalhadores e peregrinos”, frisou a responsável, “foi assim desde logo antes do retomar das celebrações”. Alguns ações, como o encerramento de alguns WCs, ainda suscitam críticas, mas tem-se sido intransigente no cumprimento das normas da DGS. Nos espaços fechados ninguém entra sem máscara.

Ainda assim pelo recinto praticamente toda a gente usa máscara. Isabel Esteves veio de Londres, sozinha, e foi uma das duas únicas porta estandartes que compareceram a esta peregrinação. Natural do distrito de Viseu, está há mais de 30 anos em Inglaterra e a possibilidade de participar na peregrinação de agosto deste ano com o estandarte da Missão Católica Portuguesa era para si “um sonho”.

“Depois de meses sem saber o futuro, estar aqui é um sinal da mãe do céu”, comentou ao mediotejo.net, “continuamos numa pandemia e estamos aqui todos, sem medo”. Muito feliz, admite que vingou a fé ao receio de uma possível infeção nesta viagem a Portugal.

Na homilia desta quinta-feira, D.José Traquina, bispo de Santarém, recordou que nos últimos meses não foi possível realizar as tradicionais festas de Igreja. “Por isso, nalgumas comunidades resolveram ir às origens e celebrar a festa promovendo os sinais essenciais: uma eucaristia bem preparada, a imagem do padroeiro evidenciada, uma mensagem e uma lembrança partilhada para registar a festa celebrada em tempos de pandemia”, constatou.

O clérigo lembrou ainda a exploração dos refugiados que tentem chegar à Europa por vias não legais.

Segundo avança a Lusa, Fátima tem registado um “crescimento gradual” do número de peregrinos presentes no recinto após o desconfinamento, citando Carmo Rodeia.

Desde 30 de maio, a primeira celebração com peregrinos, até este 13 de agosto, a Cova da Iria tem vindo a receber cada vez mais peregrinos no seu recinto, disse a assessora de imprensa, salientando que em agosto tem-se registado “uma afluência maior”, também em virtude da maior presença de emigrantes em Portugal.

De acordo com a responsável, o Santuário tem procurado criar todas as condições para que os peregrinos “se sintam em segurança” em Fátima.

“O sentimento generalizado de segurança tem feito com que as pessoas venham com maior frequência e regularidade ao Santuário, o que não quer dizer que venham só nos dias 12 e 13. Há aqui, às vezes, uma certa deceção de termos as grandes peregrinações de junho, julho e agosto e não haver muita gente. Há muita gente, mas as pessoas vêm quando podem e vêm de forma desfasada”, constatou.

Segundo Carmo Rodeia, registaram-se muitos peregrinos nos primeiros 10 dias de agosto, para além de as missas dominicais terem tido “uma afluência enorme”.

Para a responsável da comunicação do Santuário de Fátima, o número de pessoas que se regista ao domingo pode, em parte, também ser justificado pela própria configuração do espaço, que é amplo e ao ar livre.

“Permite que as pessoas estejam com conforto e com muito distanciamento físico umas entre as outras. Ao domingo, o Santuário tem-se transformado na paróquia de muitas famílias”, observou, recordando que as igrejas estão a funcionar com um terço da sua capacidade devido à pandemia.

Nesta peregrinação internacional de agosto, o Santuário de Fátima teve pela primeira vez inscrição de grupos de peregrinos estrangeiros (um total de três).

Apesar disso, Carmo Rodeia acredita que este ano a esmagadora maioria dos peregrinos que vão marcar presença na Cova da Iria serão portugueses, dadas as dificuldades de mobilidade dos grupos estrangeiros devido à pandemia.

c/LUSA

 

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