Covid-19 | Constância lamenta que Santa Margarida “seja apenas lembrada nos momentos difíceis” (C/AUDIO)

O presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, não perde a oportunidade para lembrar a necessidade de uma nova travessia sobre o Tejo na zona de Constância. Foto: mediotejo.net

A Câmara Municipal de Constância está a acompanhar o processo de asilo dos 32 refugiados infetados por covid-19, transferidos para o Campo Militar de Santa Margarida da Coutada, tendo sido garantido ao autarca Sérgio Oliveira que “a nível de proteção das populações não havia questões de maior” dado o isolamento dos migrantes. Ainda assim, o Município não deixou de lamentar que Santa Margarida “seja apenas lembrada nos momentos difíceis, e que seja esquecida numa luta que temos há mais de 30 anos para construção de uma nova travessia sobre o Tejo”, recordando a longínqua reivindicação do concelho para melhorar acessibilidade e qualidade de vida. O edil espera que, com estes factos, os decisores políticos “vejam que Santa Margarida é uma peça fundamental para a região e para o país”.

PUB

Contactado pelo mediotejo.net, Sérgio Oliveira começou por referir que a Câmara de Constância pediu alguns esclarecimentos sobre a vinda dos refugiados para o concelho, tendo sido dada garantia que “nível de proteção das populações não havia questões de maior, uma vez que os migrantes estão a cumprir isolamento”. A Câmara Municipal continua a acompanhar a situação.

ÁUDIO: Sérgio Oliveira, autarca constanciense, explica a posição da autarquia em declarações ao mediotejo.net

PUB

 

Ainda assim, e reconhecendo o Município que o país se encontra numa “situação difícil”, não deixa de lamentar que Santa Margarida da Coutada continue, após mais de 30 anos, a ser esquecida na luta por uma nova travessia sobre o Tejo, lamentando que Santa Margarida “seja apenas lembrada nos momentos difíceis”.

O autarca espera que os decisores políticos do país “vejam que Santa Margarida é uma peça fundamental para a região e para o país”, e que com isso possam cumprir com este anseio de autarcas e comunidades da região.

PUB

Sérgio Oliveira recordou que o Campo Militar de Santa Margarida é “uma das bases militares mais importantes do país, que a freguesia e o concelho estão no centro do país, e são servidos por uma ponte do século XIX, algo que precisa de ser resolvido”.

O autarca pretende “alertar os governantes, para que não se lembrem de Santa Margarida só nos momentos difíceis, e que se lembrem também nos momentos em que é preciso dar resposta àquilo que são as legítimas expetativas das populações”

O Município entende que já foram feitos contactos e sensibilizações mais do que suficientes junto da Administração central sobre esta questão, recordando que tem transitado esta reivindicação por sucessivos governos, ao longo de várias legislaturas.

“Conhecem o processo da ponte de Constância, conhecem o tempo em que se arrasta, e há anos que todos os autarcas, de diferentes cores partidárias, que passaram pela Câmara Municipal pedem que sejam resolvida esta questão”, aludiu.

A CM Constância já havia publicado um discreto comunicado na página de Facebook do município, referindo que foram solicitados “os devidos esclarecimentos às entidades competentes acerca da transferência dos trinta e dois refugiados para o Campo Militar de Santa Margarida da Coutada”.

“Foi-nos assegurado que a segurança e a proteção das nossas populações estão garantidas. Vamos continuar a acompanhar a situação. Fomos e somos um povo solidário com o todo Nacional, nunca voltámos as costas aos momentos difíceis do nosso País. Somos pela igualdade e pela integração”, pode ler-se.

A CM Constância continua a reivindicar uma nova travessia sobre o Tejo, que venha suplantar as necessidades e as limitações da única ponte metálica existente, datada do século XIX. O município pretende que seja criada uma travessia que traga melhores condições de acessibilidade e qualidade de vida às populações, facilitando o tráfego rodoviário para a zona sul do concelho e região envolvente. Foto: CMC

Por outro lado, a autarquia lamenta “que infelizmente Santa Margarida apenas aparece nas agendas para os momentos difíceis. Quando há mais de trinta anos lutamos por uma nova travessia sobre o rio Tejo que resolva os constrangimentos que se fazem sentir nesta região e esse problema tem continuado esquecido”.

“Seria bom que que a partir de agora todos os decisores políticos fiquem recordados onde fica Santa Margarida da Coutada bem como a sua importância para a região e para o país”, termina o comunicado em questão.

Recorde-se que foram transferidos 32 migrantes infetados por covid-19 para o Campo Militar de Santa Margarida, concelho de Constância, que se encontravam em quarentena na Base Aérea da Ota, em Alenquer, distrito de Lisboa. Este é um dos grupos de um total de 171 cidadãos estrangeiros requerentes de asilo que estavam hospedados num hostel em Lisboa, por a grande maioria ter testado positivo à presença do novo coronavírus, tendo sido colocados em quarentena na Base Aérea da Ota, distrito de Lisboa, a 20 de abril.

Mais recentemente foram separados 56 migrantes, dos quais 32 testaram positivo à covid-19.

“Relativamente à transferência dos cidadãos migrantes que estavam na Ota, confirma-se que foram transferidos. Os que tiveram resultados negativos nos testes foram para soluções de alojamento na Área Metropolitana de Lisboa. Os positivos, efetivamente, foram para o Campo Militar de Santa Margarida, para garantir o seu acompanhamento sanitário e a continuação do confinamento até terem testes negativos”, indicou fonte oficial da Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações.

Segundo a mesma fonte, no processo de transferência dos 32 migrantes infetados verificou-se “algumas hesitações e alguma dificuldade em entender que teriam de continuar confinados”.

“Nesta transferência, perceberam que teriam de continuar confinados, portanto houve uma certa resistência, por essa razão. Entretanto já foi resolvida essa resistência e já estão todos mesmo no campo”, indicou a mesma fonte da Secretaria de Estado para a Integração e as Migrações.

c/ Lusa

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here