- Publicidade -

Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
- Publicidade -

Abrantes | PS rejeita proposta para celebração dos 90 anos do antigo Mercado (c/áudio)

A maioria PS na Assembleia Municipal de Abrantes rejeitou uma proposta de recomendação do movimento independente ALTERNATIVAcom para “Celebração dos 90 anos do antigo Mercado: património, memória e identidade”. A proposta foi chumbada com 18 votos da bancada socialista e 12 votos favoráveis dos restantes grupos municipais.

- Publicidade -

Na apresentação da proposta de recomendação “Celebração dos 90 anos do antigo Mercado: património, memória e identidade”, na sexta-feira, 10 de dezembro, em Assembleia Municipal, o deputado do ALTERNATIVAcom, José Rafael Nascimento, começou por dizer que “o edifício histórico do Mercado Municipal de Abrantes – nascido há perto de 89 anos como ‘mercado coberto’ e hoje apelidado de ‘antigo mercado’ – não só faz parte deste património, como constitui um dos seus principais símbolos, ex-libris da cidade e do concelho”.

Falou em “sentir orgulho no facto de possuirmos um edifício com a marca de dois nomes insignes da feliz relação entre técnica e arte: o arquiteto-pintor modernista António Varela e o engenheiro-poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e tradutor Jorge de Sena, exatamente aquele que, nas palavras do autor e crítico literário Eduardo Pitta, ‘é, depois de [Fernando] Pessoa, a mais importante personalidade literária do século XX português'”.

- Publicidade -

Considerou que “aquele edifício que ali nos contempla – muito mais do que nós o contemplamos a ele, como deveríamos – tem em si entranhada a grandeza destes dois nomes, assim como memórias importantes da nossa comunidade. Como afirmou o arquiteto neoclássico Etienne-Louis Boullée, ‘os edifícios, sobretudo os públicos, deveriam ser, de algum modo, poemas. As imagens que eles oferecem aos nossos sentidos deveriam despertar em nós sentimentos análogos ao uso para o qual esses edifícios foram consagrados’. O que significa, como disse o neurologista Oliver Sacks, que ‘não vemos com os olhos, vemos com o cérebro’, isto é, com a razão e o coração”, disse.

Para José Rafael Nascimento “é assim que milhares de abrantinos, de várias gerações, ainda hoje veem o ‘antigo mercado’: um espaço de múltiplas e tocantes experiências – sensoriais, socioculturais, económicas e ambientais – e um monumento a tantas memórias individuais e coletivas que carecem de recolha, tratamento, divulgação e preservação. A cada dia que passa, estas memórias vão desaparecendo e não há tempo a perder, se queremos que o nosso passado não se apague e a nossa identidade não se dissipe. A nossa geração tem, pois, a obrigação histórica de fazer hoje o mesmo que os nossos antepassados fizeram por nós: preservar o património material e imaterial que nos foi legado, deixando-o por herança às futuras gerações”.

- Publicidade -

ÁUDIO | DEPUTADO DO ALTERNATIVACOM, JOSÉ RAFAEL NASCIMENTO:

Por isso, o grupo do ALTERNATIVAcom propôs que a Assembleia Municipal de Abrantes deliberasse recomendar à Câmara Municipal que: “Garanta, de forma exaustiva e diligente, a recolha, tratamento, difusão e preservação de todas as memórias vivas e documentais que puderem ser identificadas sobre o “antigo mercado” de Abrantes, em todas as suas facetas materiais e imateriais; Envolva, neste processo, a participação ativa e entusiástica de todos os abrantinos, convidando à colaboração do CEHLA – Centro de Estudos de História Local de Abrantes da Associação Palha de Abrantes, assim como de todas as Freguesias, designadamente das suas Juntas, escolas, associações e coletividades; Edite um álbum e promova um evento celebrativo dos 90 anos do ‘antigo mercado’ de Abrantes – que se cumprem em 1 de janeiro de 2023 – no qual seja destacada a obra do arquiteto-pintor António Varela e do engenheiro-poeta Jorge de Sena, e divulgadas as principais memórias que, entretanto, for possível recolher e tratar para o efeito”.

Mas a proposta de recomendação acabou rejeitada pela bancada do Partido Socialista, obtendo 18 votos contra e 12 a favor, dos restantes grupos representados na Assembleia Municipal de Abrantes.

Pela voz do deputado Paulo Teixeira dos Santos, os socialistas entenderam que a proposta “não tem qualquer sentido prático face à conjuntura atual ou de espírito de governança” e defenderam a reconversão do antigo mercado para multiusos.

Para a bancada do Partido Socialista “o Município de Abrantes tem mantido uma estratégia relativamente ao seu património cultural, como ativo distintivo do território e da sua identidade, sendo exemplos disso mesmo as recentes reabilitações da Igreja da Misericórdia, apoiada pela CMA, e da Igreja de S. Vicente, a conversão da Igreja de Santa Maria do Castelo em Panteão dos Almeida e ainda na última quarta-feira a inauguração do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes”.

A estratégia socialista “de desenvolvimento de projetos de natureza cultural e educativa é mesmo decisiva para o destaque que Abrantes vem assumindo no panorama nacional, com evidentes reflexos na sua valorização enquanto destino turístico. No antigo Mercado Municipal, tal como nas políticas de cultura, educação e de regeneração urbana, deve-se procurar reajustar o edifício às funcionalidades de cada lugar. É por isso que o Executivo Municipal lançou o concurso para o projeto de reconversão do antigo mercado municipal em Multiusos. Esta reconversão, assim como a requalificação da área envolvente, constituem na verdade uma oportunidade ímpar de devolver à cidade um espaço de encontro e de memória coletiva”, disse Paulo Teixeira dos Santos.

Seguramente, diz o deputado “o respeito pelo ‘espírito do lugar’ será salvaguardado, devolvendo uma função social a um espaço que foi vítima da eclosão de novas superfícies comerciais, de novos hábitos de consumo, do abandono de muitos comerciantes e de muitos compradores, e dos problemas sanitários e estruturais que levaram ao seu encerramento. Na verdade, a reconversão deste espaço é a melhor homenagem que lhe podemos prestar, devolvendo-lhe a utilidade que há muito não tem”.

ÁUDIO | DEPUTADO DO PS, PAULO TEIXEIRA DOS SANTOS:

Assim, a o grupo municipal do PS desafiou o Executivo Municipal, “não a celebrar os 90 anos do ‘antigo mercado’, como se de uma ‘festa de anos’ se tratasse, mas a homenagear todos os que o habitaram e o edificaram, sendo a inauguração do Multiusos o melhor momento para essa homenagem, através de um programa cultural alargado, onde uma exposição associada e a criação de um documento físico e audiovisual, perpetue o património de outrora, e, sobretudo, destaque a sua função social de agora. E, quiçá, preparar a celebração do seu centenário, em janeiro de 2033, no então já habitado Multiusos”.

Já o Partido Social Democrata votou favoravelmente a proposta por considerar que “é essencialmente um testamento àquilo que é o respeito pela memória daquele mercado e pela identidade que nos traduz ou simboliza enquanto abrantinos”.

João Salvador Fernandes defendeu que “a memória daquele mercado pode ser preservada independentemente dos projetos que se tenham ali para aquele espaço”.

ÁUDIO | DEPUTADO DO PSD, JOÃO FERNANDES:

Pedro Grave, pelo Bloco de Esquerda, disse que o seu partido “esteve sempre do lado certo na defesa do edifício do antigo mercado diário, assim como do regresso do mercado de frescos a este espaço”.

Manifestou apoio “sem reservas a esta proposta e acreditamos que ela será aprovada por unanimidade aqui, nesta sessão de Assembleia, pois quem dá valor e quer preservar o património material e imaterial da comunidade abrantina não poderá ter outra posição”.

ÁUDIO | DEPUTADO DO BE, PEDRO GRAVE:

O antigo mercado de Abrantes foi inaugurado a 1 de janeiro de 1933 e vai ser transformado em espaço multiusos. Foto: Paulo Seabra

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome