Domingo, Fevereiro 28, 2021
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Abrantes | Partidos e movimentos repudiam ameaças e agressões a autarcas (C/ÁUDIO/ATUALIZADA)

Além do secretário-geral-adjunto do PS, José Luís Carneiro, também a Federação distrital de Santarém do Partido Socialista, as concelhias de Abrantes do PS, do BE e do PSD, as Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos (MS-ID), e o movimento ATERNATIVAcom já repudiaram publicamente as agressões e ameaças feitas a autarcas e funcionários do município no decorrer da reunião de executivo de terça-feira.

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Em declarações ao mediotejo.net, o presidente da Câmara de Abrantes, o socialista Manuel Jorge Valamatos, comentou a situação ocorrida e as manifestações de solidariedade e repúdio pelo sucedido, tendo o autarca assegurado confiar na Justiça e num Estado de Direito.

ÁUDIO MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

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Jorge Ferreira Dias agride autarcas em reunião de executivo. Créditos: mediotejo.net

PS REPUDIA AGRESSÕES A AUTARCAS DE ABRANTES

O secretário-geral-adjunto do PS, José Luís Carneiro, manifestou hoje “veemente repúdio” pelas agressões a autarcas de Abrantes, solidarizando-se com o presidente da câmara local, o socialista Manuel Jorge Valamatos.

“Nada justifica a violência. Queria, naturalmente, manifestar o veemente repúdio pela agressão de que foram vítimas dois autarcas”, disse o “número dois” de António Costa no PS, em declarações à agência Lusa.

Na terça-feira, o presidente e o vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes (CMA) foram agredidos durante uma reunião por um ex-empresário da construção civil que há anos responsabiliza aquela autarquia pela falência das suas empresas.

“Qualquer desrespeito por um autarca significa o desrespeito por um símbolo da democracia local, por isso, queria deixar uma palavra de solidariedade ao Manuel Jorge, presidente da câmara, e àqueles que foram vítimas desta agressão”, acrescentou Carneiro.

Segundo comunicado da CMA, o agressor, “munido de um pau com gancho de ferro, entrou ilegalmente no edifício onde decorria a sessão, proferiu várias ameaças verbais aos presentes e agrediu fisicamente o presidente, o vice-presidente e uma trabalhadora” do município ribatejano.

FEDERAÇÃO DISTRITAL DO PS REPUDIA AGRESSÕES E AMEAÇAS

Além do secretário-geral-adjunto do PS, José Luís Carneiro, também a Federação distrital de Santarém do Partido Socialista, as concelhias de Abrantes do PS, do BE e do PSD, as Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos (MS-ID), e o movimento ATERNATIVAcom já repudiaram publicamente as agressões e ameaças feitas a autarcas e funcionários do município no decorrer da reunião de executivo de terça-feira.

Em comunicado, a Federação distrital do PS, presidida pelo deputado Hugo Costa, assinou uma manifestação de “repúdio” pelas agressões em Abrantes e expressaram a sua “solidariedade” para com o presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos, restante executivo camarário e funcionários do município, alguns dos quais tiveram de receber tratamento hospitalar.

“Agressões e ameaças não são próprias de um Estado de Direito nem de uma democracia madura e segura como a Portuguesa. O exercício de cargos políticos, cumprido de forma abnegada e focado no bem comum, deve valorizado e protegido tanto pelos cidadãos como pelas instituições democráticas”, afirma a distrital socialista.

CONCELHIA PS DE ABRANTES SOLIDÁRIA COM AUTARCAS CONDENA AGRESSÕES

Também a concelhia do PS de Abrantes, presidida por Ricardo Aparício, condena, em comunicado, o clima de terror vivido na reunião de Câmara: “A Concelhia do Partido Socialista de Abrantes vem manifestar veementemente o seu repúdio pelos acontecimentos ocorridos durante a reunião de câmara de hoje, onde o Presidente e Vice-Presidente, juntamente com uma trabalhadora da Câmara Municipal de Abrantes, foram agredidos com um cajado com gancho de ferro”.

O PS de Abrantes lembra que “já por inúmeras vezes o agressor se dirigiu tanto ao executivo, como aos membros da Assembleia Municipal de Abrantes, proferindo graves acusações e ameaças, tendo agora partido para a agressão fisica”, e considera que estes acontecimentos “não dignificam a democracia e o Estado de Direito em que todos vivemos”.

“Aliás, nesta defesa do Estado de Direito, relembra-se que na situação em causa, o Tribunal Administrativo de Leiria já proferiu sentença, dando razão à Câmara Municipal de Abrantes”, sublinha o PS de Abrantes, afirmando também que “os partidos e movimentos políticos não devem, nem podem, servir-se deste tipo de situações nem viver de populismos e oportunismos, pondo em causa as próprias decisões judiciais”.

Nesse sentido, o PS de Abrantes refere que, “durante este processo, alguns grupos de cidadãos organizados e partidos políticos, nomeadamente, o Bloco de Esquerda de Abrantes, por várias vezes juntaram-se ao agressor em causa, tendo organizado manifestações ou participado em reportagens televisivas”, e conclui, ao afirmar que o PS em Abrantes “sempre teve e sempre terá uma atitude responsável perante a comunidade Abrantina e manifesta desta forma toda a solidariedade para com os agredidos”.

PSD DE ABRANTES CRITICA AGRESSÕES A AUTARCAS

A Comissão Politica de Secção (CPS) do PSD de Abrantes, presidida por José Moreno, também já criticou publicamente as ameaças e agressões físicas ocorridas na sessão de executivo.

“Ao tomar conhecimento da agressão à cajadada, levada a cabo por um munícipe, sobre o presidente e outros elementos participantes na reunião de hoje [ontem, terça-feira] do executivo do nosso município, a comissão política do PSD Abrantes, vem declarar o seu total repúdio por este e qualquer outro ato que desrespeite as normas do estado de direito e da vivência democrática, que são um dever de todos os cidadãos para com os seus eleitos, independentemente das razões que lhes assistam e que só à justiça compete decidir”.

MOVIMENTO ALTERNATIVAcom condena agressões físicas e verbais

O movimento ALTERNATIVAcom afirmou, em comunicado, que “condena perentoriamente as agressões físicas e verbais cometidas esta manhã [ontem, terça-feira], no decorrer da reunião de Câmara, contra membros do executivo municipal, desejando aos autarcas e funcionários afetados um rápido e completo restabelecimento. A “justiça” feita pelas próprias mãos não é justiça, nem resolve qualquer problema: quem tem razão, perde-a, e quem não tem razão, não passa a tê-la”, pode ler-se na comunicação daquele movimento, liderado por Vasco Damas.

“Em democracia, as instituições devem funcionar regularmente e os titulares de cargos públicos demonstrar um comportamento exemplar, oferecendo aos cidadãos todas as possibilidades de defenderem os seus justos direitos, sem recurso a atos violentos ou outros de índole não democrática. É preciso, pois, refletir sobre as causas e circunstâncias dos acontecimentos de hoje [ontem, terça-feira], os quais nos convocam para um outro patamar de respeito e exigência cívica e democrática”, conclui.

BE REPROVA AGRESSÕES E REJEITA ACUSAÇÕES DO PS

Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Abrantes diz que “reprova veementemente a invasão da reunião de Câmara Municipal de Abrantes” de 22 de dezembro, “perpetrada pelo munícipe Jorge Ferreira Dias, assim como as ameaças e os atos de violência que se seguiram”.

Segundo o vereador e coordenador da concelhia bloquista de Abrantes, o BE “manifesta publicamente solidariedade com todos e todas as envolvidas nesta situação e deseja rápidas melhoras aos Srs. Presidente da Câmara, Vice-Presidente e às trabalhadoras do Município de Abrantes”.

Na mesma nota, o BE afirma que “não foge às responsabilidades atribuídas por força dos resultados das autárquicas 2017. É público que o Bloco de Esquerda de Abrantes, através dos seus eleitos na Câmara e na Assembleia Municipal de Abrantes tem procurado esclarecer dúvidas e abrir caminhos de diálogo entre o executivo de maioria PS e o cidadão Jorge Ferreira Dias, pois o mal estar crescente assim o exigia”.

Para os bloquistas, “ter uma visão diferente da maioria PS, neste e noutros processos administrativos a decorrer, faz parte dos deveres e dos direitos da oposição em democracia, devendo ser encarados com normalidade por quem detém a maioria e o poder de decidir”.

Nesse sentido, acrescenta, o BE “refuta todas as acusações que lhe são dirigidas pelo PS de Abrantes no seu comunicado de 22 de dezembro de 2020, as quais considera de total má-fé e destituídas de qualquer sentido, que mais não são do que uma mal disfarçada tentativa de aproveitar um ato de violência, repita-se, a todos os títulos condenável, para limitar a legítima ação política do Bloco de Esquerda”, conclui.

MULHERES SOCIALISTAS TOMAM POSIÇÃO

Em comunicado, as Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos (MS-ID) dizem que “repudiam todas as formas de violência” e que, por isso, “associam-se à tomada de posição da Federação de Santarém do Partido Socialista, condenatória das agressões de foram alvo os participantes na reunião do Executivo de Câmara do Município de Abrantes”.

“As MS-ID solidarizam-se com os elementos agredidos durante o exercício das suas funções, desejando as suas rápidas melhoras”, pode ler-se, tendo afirmado que “este é o tipo de acontecimentos que não pode ter lugar num Estado de Direito, em que cidadãos eleitos para liderar instituições são alvo de ofensas, ameaças e agressões protagonizadas por outros cidadãos que, discordando de decisões judiciais, optam por “fazer justiça pelas próprias mãos”, confundindo planos e confundindo igualmente a opinião pública”.

EX-EMPRESÁRIO PRESENTE A TRIBUNAL DE SANTARÉM

O ex-empresário da construção civil, Jorge Ferreira Dias que agrediu na terça-feira, 22 de dezembro, o presidente da Câmara de Abrantes, o vice-presidente e uma trabalhadora do município acabou por ser presente na manhã desta quarta-feira a um juiz de Instrução Criminal, no Tribunal de Santarém, tendo ficado em prisão preventiva.

O subintendente Bruno Soares, da PSP de Tomar, onde o arguido passou a noite, adiantou que o agressor iria ser presente ao juiz de instrução criminal em Santarém esta manhã, para que lhe fosse decretada uma medida de coação tendo em conta os factos ocorridos. A medida de coação aplicada foi a de prisão preventiva, condição em que vai ficar até ao julgamento do processo.

CONCELHIA DO ‘CHEGA’, DE ALCANENA, CRITICA SOCIALISTAS

Em Alcanena, a concelhia do Chega tomou uma posição dissonante relativamente ao ocorrido e publicou na sua página do facebook uma posição em que refere que o ex-empresário foi alvo de “várias tramóias” e apelidou os eleitos abrantinos de “bandidos socialistas”, entre outros referências menos abonatórias.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Talvez Jorge Ferreira Dias seja o homem mais conhecido de Abrantes mas, na verdade, poucos conhecem verdadeiramente a história do homem que, em protesto, durante oito anos não cortou a barba e fez visitas anuais à Câmara Municipal com os seus burros. É uma história de conquista e de perda, de batalhas judiciais desiguais, de desespero pessoal plasmado nas manchetes dos jornais. Mas também uma história de persistência, apesar dos milhões que redundaram em miséria. O maior construtor e o maior detentor de área urbana de Abrantes é hoje um pastor que sobrevive com 300 euros de Rendimento Social de Inserção, enquanto espera que a Justiça lhe reconheça o direito a uma indemnização de mais de 6 milhões de euros.

    *Reportagem de Paula Mourato, com fotos de Paulo Jorge de Sousa, publicada em março de 2019

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