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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Abrantes | Cidade permanece sem sala de cinema, empreitada do cineteatro lançada este mês

A inexistência de uma sala de cinema em Abrantes voltou a ser tema levado pelo vereador do ALTERNATIVAcom a reunião de Câmara Municipal. Vasco Damas questionou o presidente Manuel Jorge Valamatos (PS) sobre o encerramento do edifício Millenium, em Abrantes, a única sala de cinema comercial que resistia na cidade até ao ano 2020. Vasco Damas já havia colocado questões sobre o mesmo assunto na reunião de executivo do dia 7 de dezembro de 2021.

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No dia 11 de janeiro o vereador do movimento independente recordou, citando uma ata de 7 de julho de 2020, uma afirmação do presidente da Câmara Municipal na qual garantia que “Abrantes não fica sem sala de cinema”.

Segundo a explicação prestada por Manuel Jorge Valamatos naquela época sobre o edifício Millenium “havia um contrato de arrendamento mas que a entidade bancária propôs a compra com um preço muito fora do enquadramento. Quanto à sala de cinema, disse que a autarquia continua em negociação com a entidade bancária para encontrar uma solução mas que existem outras possibilidades para salas de cinema com custos menores”, referiu Vasco Damas.

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Nessa sequência questionou o presidente sobre a razão quem mantém os abrantinos “a não dispor de uma sala de cinema, sendo obrigados a deslocar-se ao Sardoal ou a outros concelhos e o que falta para cumprir a promessa feita há alguns meses de que Abrantes não fica sem sala de cinema”.

ÁUDIO | VEREADOR VASCO DAMAS (ALTERNATIVAcom):

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Em resposta Manuel Jorge Valamatos explicou que “fomos confrontados com a situação de uma empresa que era a dona do espaço do cinema e depois, em conversas com a Caixa Geral de Depósitos, os valores apresentados para a compra – porque não era possível o aluguer, aquilo que desejávamos” foram considerados pelo executivo municipal “completamente desajustado” obrigando a procurar “outras alternativas”, afirmou o presidente em reunião de Câmara Municipal. À margem da mesma disse ao nosso jornal que os valores pedidos eram de um valor superior a meio milhão de euros.

Manuel Jorge Valamatos apontou possíveis salas de cinema “no multiusos e, se tudo correr bem, lançaremos ainda este mês a empreitada de recuperação do Cineteatro São Pedro, bem como a possibilidade do Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida ter alguma ação neste domínio do cinema” comercial e não comercial. Deu conta que essa matéria está a ser “trabalhada pelos nossos serviços de Cultura e havemos de dar as respostas possíveis e as melhores que conseguimos”.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS (PS), PRESIDENTE CM ABRANTES:

Recorda-se que a Câmara Municipal de Abrantes aprovou em agosto de 2021 a abertura de novo procedimento concursal para a obras de reabilitação e ampliação do edifício do Cineteatro São Pedro, em Abrantes, uma vez que não existiram propostas válidas no primeiro concurso lançado pela autarquia. Os concorrentes foram excluídos por apresentarem valores superiores ao preço base estabelecido no caderno de encargos, de 1.799.580,00 euros, para um prazo de execução previsto de 540 dias. A autarquia teve por isso de rever o valor em alta, abrindo novo procedimento concursal com intuito de conseguir uma proposta que se enquadre e se avance para a realização da obra.

No final de dezembro do ano passado foi anunciado ter sido aprovado apoio à obra de requalificação do Cineteatro São Pedro pelo Programa Operacional Regional Centro 2020, informou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC). A requalificação do Cineteatro São Pedro terá um apoio de cerca de 1.4 ME.

O projeto da empreitada de “Restauro, reabilitação, remodelação e ampliação do edifício do Cineteatro São Pedro”, em Abrantes, foi aprovada tal como a abertura do primeiro procedimento a 27 de abril de 2021. Esperava-se que a obra, a rondar os 2 milhões de euros, arrancasse em seis meses mas tal não aconteceu.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Ou seja, a autarquia tinha um contrato de arrendamento relativamente a salas no edifício Millenium em Abrantes “onde tínhamos associações, a empresa proprietária faliu e quisemos arrendar à Caixa Geral de Depósitos que pediu um montante elevado, valores completamente desajustados” quer pela sala de cinema quer pelas outras salas, detalhou o presidente ao nosso jornal.

Relativamente ao tempo que Abrantes ainda permanecerá sem cinema Manuel Jorge Valamatos não soube precisar mas salientou que a abertura de uma sala de cinema “não tem necessariamente de ser a Câmara a fazer. Quem nos dera que um privado quisesse investir numa sala de cinema, mas não é fácil!”, reconheceu o autarca dizendo que mesmo o cinema comercial “não tem a procurar que teve noutros tempos e agora temos de adaptar as nossas infraestruturas a esta realidade do cinema atual”, disse.

Quanto ao facto do cineclube abrantino Espalhafitas levar as sessões de cinema para Sardoal, com exibição às quartas-feiras no Centro Cultural Gil Vicente, o presidente considera “muito bem!” até porque os sardoalenses também “fazem um conjunto de coisas em Abrantes” por exemplo “utilizar a nossa pista de atletismo”, justificou.

Para Manuel Jorge Valamatos “são as comunidades a funcionar e acredito muito na Comunidade Intermunicipal. Uma das razões é essa; temos de partilhar infraestruturas”, defendeu, frisando ser “intenção” do Município de Abrantes criar essas condições. “Vamos fazer! Só que neste momento não temos” sala de cinema em Abrantes.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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