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Quarta-feira, Junho 23, 2021

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Abrantes | BE quer conhecer estudo que fundamenta apoio à biomassa na Central do Pego (c/ÁUDIO)

Na última reunião de executivo de Abrantes, o vereador do BE, Armindo Silveira, quis saber qual o estudo em que os autarcas do Médio Tejo, nomeadamente o presidente da Câmara de Abrantes e da CIM Médio Tejo, se baseiam para apoiar a reconversão da Central Termoelétrica do Pego para biomassa. Manuel Jorge Valamatos não avançou qual é esse estudo, ou sequer mesmo se existe, mas garantiu que a autarquia está a acompanhar e que esta semana vai reunir com o secretário de Estado da Energia, João Galamba.

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É público que o presidente da Câmara de Abrantes afirma ver com agrado o projeto de reconversão da central a carvão do Pego (Abrantes) para centro produtor de energia verde, designadamente na vertente biomassa. Também a presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo reforçou publicamente o apoio ao projeto de reconversão da Central Termoelétrica do Pego para um centro produtor de energia verde, com destaque para a biomassa, numa fase inicial, e o hidrogénio, como principal fator de produção numa fase posterior.

Ora, o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, considera que tal apoio “só pode estar baseado num sólido estudo sobre o consumo de uma central de 600 megawatts e sobre as áreas, em Portugal, onde a biomassa vai ser recolhida”, afirmou na última reunião de Câmara de Abrantes, esta terça-feira, 1 de junho.

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Lembrou que os dois acionistas da Tejo Energia têm posições diferentes para a reconversão da Central do Pego, e por isso quis saber “qual a instituição ou instituições que elaboraram o referido estudo que suporta a posição do presidente da Câmara de Abrantes e dos restantes presidentes dos municípios do Médio Tejo”.

ÁUDIO: VEREADOR DO BLOCO DE ESQUERDA

De facto, a TrustEnergy e a Endesa manifestaram recentemente ter planos diferentes para o futuro da central elétrica, sendo a central a biomassa uma das divisões dos acionistas, com a TrustEnergy a querer apostar neste setor ao contrário do acionista minoritário, a Endesa, que aposta no desmantelamento da central a carvão e noutro tipo de projeto.

Em declarações à Lusa, Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, explicou que a empresa espanhola não se entendeu com o seu atual sócio na Tejo Energia, a TrustEnergy, para a apresentação de um projeto conjunto de substituição da central a carvão, e criticou a decisão desta entidade em avançar com uma reconversão baseada na biomassa.

Em cima da mesa, segundo informação disponibilizada pela Endesa, está um projeto de substituição da central elétrica a carvão que “inclui a construção de uma central solar fotovoltaica de 650 megawatts (MW), o desenvolvimento de 100 megawatts (MW) de capacidade de armazenamento com baterias e a instalação de um eletrolisador com capacidade de produção de 1.500 toneladas/ano de hidrogénio verde”.

Nuno Ribeiro da Silva afirma mesmo que “não há biomassa para uma central desta dimensão” e que, por isso, a central iria “comprar um problema enorme com vários setores industriais”, recordando que muitos deles são clientes da empresa. Além disso, explicou que “a biomassa nomeadamente para centrais de grande escala está a ser posta em causa” na sua classificação de neutra em dióxido de carbono (CO2) em Bruxelas.

Por Abrantes, Manuel Jorge Valamatos explicou que a posição da presidente da CIMT – também presidente da Câmara Municipal de Tomar – “está de acordo com aquilo que o Município de Abrantes tem pensado a este propósito”.

E deu conta de uma reunião com o secretário de Estado da Energia “ainda esta semana” bem como reuniões com os acionistas esta terça e quarta-feira. Mas, segundo o presidente,  “a reconversão da Central Termoeletricidade do Pego não se interpreta apenas e exclusivamente à biomassa. Há mais vida para além da biomassa. É um elemento importante nesta fase de transição. As questões do hidrogénio são pertinentes e de futuro. Estamos a acompanhar os projetos das empresas acionistas”, garantiu, considerando um assunto “extremamente delicado que importa ir gerindo de forma cuidadosa”.

ÁUDIO: PRESIDENTE DA CÂMARA DE ABRANTES

Por seu lado, Armindo Silveira disse que “só se pode pronunciar sobre o que veio a reunião de Câmara” e declarando não ter informação suficiente para se pronunciar voltou a questionar sobre “o estudo que os presidentes dos municípios do Médio Tejo se baseiam para dar apoio a um projeto que é privado” e lembrou que o BE já efetuou, anteriormente, perguntas quer ao Governo quer ao presidente da Câmara de Abrantes.

Para o vereador do Bloco de Esquerda importa que o apoio dos autarcas “seja fundamentado em estudos técnicos”, insistiu, exigindo que esse mesmo estudo lhe seja facultado.

ÁUDIO: VEREADOR DO BLOCO DE ESQUERDA

Em resposta, Manuel Jorge Valamatos garantiu que “a seu tempo” disponibilizará ao vereador a documentação que tem, ou em alternativa sugeriu que Armindo Silveira solicite aos acionistas os projetos. “Estamos numa fase muito inicial de um processo de reconversão. À Câmara Municipal compete tornar publico os projetos concretos quando eles se assumirem como tal. É isso que irei fazer”.

ÁUDIO: PRESIDENTE DA CÂMARA DE ABRANTES

Recorda-se que a central a carvão, no Pego, será extinta em novembro de 2021.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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