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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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Abrantes | ‘Amigos do Mercado’ e forças políticas assumem posição em defesa do antigo edifício (c/áudio)

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu no dia 1 de julho um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício. A iniciativa, que decorreu junto ao antigo Mercado Diário da cidade, reuniu vários abrantinos em defesa da recuperação e devolução do edifício à sua função original, dois partidos – Bloco de Esquerda e Partido Social Democrata – e o movimento independente ALTERNATIVAcom. Ausentes estiveram a Coligação Democrática Unitária e o Partido Socialista que enviaram, no entanto, as suas posições à organização. O PS é o único partido que defende a reconversão do antigo Mercado num pavilhão multiusos. Todos os restantes defendem a reabilitação do edifício para que volte a ter as funções para as quais foi criado.

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No dia em que se assinalou o 2º Aniversário da Manifestação das Flores no antigo Mercado diário de Abrantes e poucas horas depois de ser conhecido o projeto vencedor para a reconversão daquele espaço, a convite do grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ as forças políticas do concelho produziram uma breve declaração pública sobre o que defendem para o futuro daquele edifício, “permitindo assim ao eleitorado abrantino fazer uma escolha informada sobre tão importante realidade da nossa cidade e concelho”.

O porta-voz do grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’, José Rafael Nascimento, começou por “agradecer e saudar a presença e o sentido democrático de quem aceitou aqui vir hoje, a fim de tomar posição pública e assumir, perante os eleitores, um compromisso relativamente ao futuro do Mercado Municipal de Abrantes”. E, para além dos cidadãos abrantinos que defendem a preservação do antigo Mercado Diário, estiveram presentes o BE, PSD e o movimento ALTERNATIVAcom. Ausentes estiveram a CDU e o PS que, no entanto, enviaram à organização da iniciativa as suas posições.

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Em causa “o destino do antigo Mercado e o futuro do atual mercado diário, envolvendo dois edifícios: este, de onde o mercado nunca devia ter saído, e aquele, para onde o mercado nunca devia ter ido”, disse igualmente José Rafael Nascimento.

A causa dos Amigos do Mercado de Abrantes passa pela defesa de três exigências: A preservação integral do edifício do antigo Mercado, i.e., a rejeição absoluta da sua demolição (mesmo mantendo as fachadas); o regresso do mercado diário ao seu berço histórico, depois de requalificado com valências que gerem sinergias com o Mercado; e a dinamização do Mercado Municipal de Abrantes, como polo comercial, cultural e social da Cidade, em particular do seu centro histórico.

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

O porta-voz afirmou que o grupo não é movido por “qualquer teimosia ou obsessão saudosista ou conservadora. Pelo contrário, somos abertos ao diálogo e defendemos o progresso e a inovação. O que nos move é o conhecimento e a consciência do inestimável valor histórico, patrimonial e identitário deste edifício e do seu enorme potencial para atrair clientes e visitantes, depois de renovado”.

Segundo José Rafael Nascimento “a polémica que rodeia o destino do Mercado Municipal de Abrantes e seus dois edifícios, deve-se, em nossa opinião, mais do que a incompetência, a falta de ética democrática e de respeito pela cidadania abrantina. Na verdade, tanto a decisão inscrita no PUA de demolir o antigo Mercado, como a de construir, há 10 anos, o atual edifício do mercado (popularmente conhecido por ‘bunker’, ‘mausoléu’ ou ‘mamarracho’ – uma obra de 1,5 milhões de euros, depois de uma derrapagem de 50%) e a de construir agora um novo multiusos neste local, sobre as ruínas do antigo Mercado (com o custo previsto de 2,7 milhões de euros, mas que poderá ir a 4), não foram [essas decisões, dizíamos] nem devidamente debatidas publicamente, nem sufragadas nas urnas com base em quaisquer programas eleitorais”.

Se tal tivesse acontecido, “ninguém questionaria a legitimidade democrática das decisões tomadas pela maioria autárquica relativamente ao Mercado e não haveria justificação para estarmos hoje aqui. Mas, como isto não aconteceu, entendemos que era imperioso convidar todas as forças políticas de Abrantes a clarificarem as suas posições e compromissos, permitindo aos eleitores votarem nas próximas eleições autárquicas de forma informada e consciente, como se quer em saudável democracia”.

Sobre as flores colocadas no mercado há dois anos – algumas delas ainda resistem – lembrou que o chefe do executivo municipal considerou essa manifestação “cidadã de afeto e patriotismo ‘extemporânea’ e afirmou que ‘as flores ficam muito mal no mercado, todas murchas, sem o efeito pretendido’. Nós achamos que o que fica muito mal no mercado é o seu indigno abandono e a injustificada e revoltante decisão de o demolir, mentindo-se descaradamente sobre a preservação das suas fachadas”.

ÁUDIO: AMIGOS DO MERCADO DE ABRANTES – JOSÉ RAFAEL NASCIMENTO

“Se convidam o PSD a discutir os interesses do antigo Mercado ou do atual, o PSD tem de estar presente porque é um tema caro a todos os abrantinos. Por isso mesmo, foi o PSD a primeira força política a insurgir-se contra a intenção do PS em demolir este antigo Mercado”, afirmou, por seu lado, Vítor Moura, candidato social-democrata à Câmara Municipal de Abrantes.

Sobre a reconversão do antigo Mercado em pavilhão multiusos, o candidato disse que “provavelmente prevalecerá a força da maioria socialista em Abrantes. Resta-nos chamar a atenção do povo de Abrantes para forma como o Partido Socialista nos governa, sobretudo para a força como o Partido Socialista gasta o dinheiro dos abrantinos, de todos os portugueses e dos cidadãos da Europa que normalmente nestes projetos concorre com a maioria do dinheiro que se gasta”, opinou.

Recordou o procedimento da ASAE e a decisão de encerramento do Mercado, “a machadada na muralha”, a demolição do “posto de turismo” e o atual a que “o PS abrantino chamou Welcome Center” e a decisão “dos nosso vizinhos” que relativamente aos antigos mercados “fazem bem diferente” citando como exemplos Chamusca e Santarém, concelhos que requalificaram os edifícios dos seus mercados “instalando áreas de restauração, áreas de lazer, área cultural”.

Vítor Moura notou que foram gastos 5 milhões de euros “para não termos mercado nenhum” porque, considera, fique o mercado diário no atual edifício ou no antigo “não vai sobreviver, e aqui com o projeto que parece que aí vem também não vai”, disse.

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

Declarando que em Abrantes “temos de nos habituar a uma PSD diferente” garantiu que “em setembro vem um PSD diferente, os eleitores dirão se é para melhor ou para pior mas não vai ser igual […] nem me teria envolvido [na candidatura à Câmara de Abrantes] se fosse o PSD que tem sido muito mais ao lado do PS do que contra”.

Assegurou que o PSD “ficará atento” até pelo projeto apresentado pela executivo municipal esta quarta-feira 30 de junho. “Para quem prometeu manter a traça e as fachadas deste edifício histórico a que eu queria continuar a chamar praça de Abrantes, não há nenhuma coincidência […] aquela volumetria desvirtua completamente” o antigo Mercado diário. “O PSD estará sempre do lado do regresso do Mercado ao seu lugar original, requalificado com outras funções que até aqui não tinha”, concluiu.

ÁUDIO: PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA – VÍTOR MOURA

Também a convite dos ‘Amigos do Mercado de Abrantes’, o ALTERNATIVAcom reafirmou, ontem, a sua posição política e correspondente compromisso eleitoral relativamente ao futuro do Mercado Municipal de Abrantes.

O movimento independente defende “com toda a clareza que o edifício do antigo mercado coberto não deve ser demolido, mesmo mantendo as fachadas, que o mercado diário deve regressar ao seu edifício original, depois de renovado e requalificado, e que o Mercado Municipal de Abrantes deve ser competentemente dinamizado, com base numa estratégia eficaz de design, comunicação e marketing”.

A sua posição e compromisso afirma estar “a inexistência de dúvidas ou reservas fundadas sobre as condições estruturais do edifício do antigo Mercado e o conhecimento específico que possuímos em matéria de gestão comercial, tanto do ponto de vista técnico como de experiências bem-sucedidas com outros Mercados Municipais similares”, disse Vasco Damas, candidato pelo ALTERNATIVAcom à Câmara de Abrantes.

Lamenta “a posição autocrática, obsessiva e obstinada do executivo municipal do Partido Socialista, que sempre se recusou a consultar e debater livremente esta matéria – tão íntima e sensível – com a generalidade dos cidadãos, tomando inclusivamente decisões autárquicas que, apesar de legais, não têm sustentação em quaisquer propostas ou programas eleitorais sufragados nas urnas”.

Lamenta, igualmente, “a instrumentalização que o executivo municipal tem feito dos jovens abrantinos para justificar as suas más decisões nesta matéria, bem como os argumentos falaciosos que têm sido aduzidos sobre as necessidades e prioridades do investimento municipal, o destino alternativo a dar ao atual edifício do mercado diário ou a livre escolha pelos cidadãos dos locais onde efetuar as suas compras”.

ÁUDIO: ALTERNATIVAcom – VASCO DAMAS

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

Do lado do Bloco de Esquerda, o vereador Armindo Silveira traçou o retrato histórico do edifício que foi “inaugurado a 1 de janeiro de 1933” e “alvo de uma requalificação estrutural em 1948. Essa requalificação que chegou até aos nossos dias, foi preconizada pelas mãos do arquiteto António Varela, um dos percursores do modernismo em Portugal e do engenheiro civil Jorge de Sena… sim, o poeta!”.

Acrescentou que no dia 30 de junho de 2021, “o executivo PS e o vereador do PSD deram mais um passo em frente na destruição do nosso património coletivo ao votarem favoravelmente, na reunião da Câmara Municipal de Abrantes, o relatório final do júri do concurso internacional de reconversão do edifício do antigo Mercado diário de Abrantes” sendo que o vereador do BE “mantendo a coerência” votou contra.

Armindo Silveira considera que “esta vontade do PS de Abrantes de deixar morrer o mercado diário e demolir o edifício já tem diversos precedentes. Talvez o mais marcante seja a recusa de avançar com obras a que a legislação obrigava quando alguns comerciantes se disponibilizaram para custear as mesmas. E, assim, para nossa vergonha coletiva, em 2010 a ASAE encerrou o antigo mercado diário”.

Mas “não ‘satisfeito’, o PS de Abrantes, em 2016, votou a favor da demolição do edifício. Algumas forças políticas e de cidadania uniram-se e propuserem a revisão do PUA para alterar a norma que estipula a demolição do edifício e a classificação de imóvel de interesse municipal. Novamente o PS de Abrantes votou contra e manteve a sua intenção de demolir o edifício do antigo mercado”.

Na sua intervenção, o vereador sublinhou que “o Património Municipal não é do PS mas sim dos abrantinos e abrantinas. Por isso, o BE considera ser necessário reforçar a luta para preservar o nosso património cultural material e imaterial sob pena de ambos morrerem ou ficarem na antecâmara da morte”.

Reafirmando a posição do seu partido “na defesa do património material, imaterial e natural pois faz parte do nosso ADN”, e reforça a exigência em três compromissos: “Proceder à revisão do PUA para retirar a norma que estipula a demolição do edifício; iniciar o processo de classificação de imóvel como de interesse municipal; preparar o regresso do mercado diário ao edifício original”.

ÁUDIO: BLOCO DE ESQUERDA – ARMINDO SILVEIRA

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

José Rafael Nascimento leu ainda as posições da CDU e do PS, forças políticas ausentes do “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” mas que enviaram as suas posições aos ‘Amigos do Mercado de Abrantes’.

A CDU declinou o convite para estar presente junto ao antigo Mercado diário, afirmando que “em relação à concentração para que nos convidaram, tento em conta que nos encontramos praticamente em pré-campanha eleitoral e que nos parece estar a haver aproveitamento político da situação por Entidade que se vai candidatar às próximas eleições autárquicas, a CDU Abrantes declina o convite”.

No entanto, lamenta que os agricultores tenham visto “o velhinho mercado tradicional encerrar por manifesta falta de condições e foram empurrados para um pseudo-mercado idealizado por uma maioria do Partido Socialista sem que tenha havido a devida auscultação à população, ou seja, dos verdadeiros interessados, os vendedores e os consumidores”, e que “é confrangedor entrar no edifício do atual Mercado Municipal e ver como está praticamente sem atividade económica, ou seja, sem vendedores e sem compradores”.

A CDU Abrantes defende, então, que “o antigo mercado seja reabilitado, volte a ter as funções para que foi criado e seja posto ao serviço de comerciantes, agricultores e pescadores, servindo o espaço igualmente como um ponto de encontro da população abrantina”.

Também o PS declinou o convite para estar presente, afirmando que “esta ação é completamente desajustada, tendo em conta o processo que se encontra a decorrer [nos órgãos municipais]” e que “o Partido Socialista de Abrantes, tal como todos os outros partidos ou movimentos, criará os seus manifestos eleitorais e fará a sua campanha eleitoral dentro dos moldes que entender conveniente”.

O grupo ‘Amigos do Mercado de Abrantes’ promoveu um “ato público simbólico de tomada de posição e compromisso eleitoral” relativamente ao futuro do edifício, no dia 1 de julho, junto ao antigo Mercado diário. Créditos: mediotejo.net

Sobre o compromisso eleitoral a assumir quanto ao futuro do Mercado Municipal de Abrantes, defende-se que “a posição do Partido Socialista e dos seus eleitos relativamente a este assunto é a mesma que foi apresentada pela atual maioria do executivo da Câmara Municipal de Abrantes”, a saber: “Proceder à reconversão do antigo Mercado Municipal de Abrantes em edifício Multiusos, na perspetiva da sua reutilização ou adaptação como equipamento de resposta a uma nova realidade […] Um espaço que irá acolher desde feiras a congressos e até grandes concertos. Nesta reconversão, pretende-se preservar as fachadas principais e requalificar a área envolvente a este mercado”.

ÁUDIO – POSIÇÃO DE CDU E PS – LIDA POR JOSÉ RAFAEL NASCIMENTO

Mais afirma que “Abrantes possui um Mercado diário, com todas as condições exigidas por lei. Para que este, ou qualquer outro mercado, seja atrativo e dinâmico o que necessita efetivamente é de mais clientes e vendedores. É nisso que todos os eleitos do Partido Socialista acreditam e lutam diariamente”.

Finalmente, relembra que “existe o compromisso do sr. presidente da Câmara Municipal de Abrantes para que o projeto [do novo multiusos] seja apresentado e debatido pelos eleitos da Assembleia Municipal”.

VEJA AQUI O VÍDEO:

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 COMENTÁRIO

  1. Sobre este assunto parece-me que já não se passa da “teimosia política”!
    O edifício do antigo mercado está mal localizado, “em cima” de uma antiga estrada nacional (atual Av. 25 de Abril), sem espaço para um passeio pedonal que o local merecia e necessita. Um edifício feito com duas fachadas com alguma, para a sua época, dignidade. Quando se fala em recuperar o antigo mercado, mantendo as suas fachadas, será que alguém já olhou para as traseiras do edifício? São essas fachadas que querem manter?

    Em relação ao multiusos… O projeto vencedor parece-me bonito mas…. Será que não se poderia ir mais longe e construir um espaço de raiz para 5 a 10 mil pessoas como, por exemplo, o fórum Braga ou o multiusos de Guimarães? Os terrenos do antigo campo de futebol da Cidade de Abrantes já terão algum destino? Abrantes, no centro de Portugal, teria ótimas condições para os grandes concertos, peças de teatro, congressos, feiras e eventos desportivos como as finais dos mais diversos campeonatos nacionais… E para os “Amigos do Mercado” o melhor era mesmo voltar a comprar no Mercado, seja no antigo ou no novo espaço, porque é isso que precisa quem lá vende…

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