Abrantes | ALTERNATIVAcom questiona Câmara sobre futuro da Central Termoelétrica do Pego

Vasco Damas, do ALTERNATIVAcom. Créditos: Jorge Santiago

O encerramento da Central Termoelétrica do Pego levou o movimento independente ALTERNATIVAcom a questionar a Câmara Municipal de Abrantes sobre o futuro uma vez que poderá “comprometer cerca de 3% do emprego total em Abrantes”. O movimento refere que o concelho “já perdeu, entre 2002 e 2018, cerca de 6% das empresas e 15% do emprego, continuando em queda incessante”, lê-se em comunicado enviado às redações.

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Perante esta realidade, o ALTERNATIVAcom considera “expectável que o governo central e o município de Abrantes – este de forma autónoma, mas também no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) – trabalhassem em conjunto e procurassem, atempadamente, salvaguardar a atividade económica e o emprego na região, promovendo projetos e investimentos alternativos, relacionados diretamente ou não com a Central do Pego”.

Contudo, criticam o movimento liderado por Vasco Damas, “aquilo a que se tem assistido é a uma enorme e preocupante confusão e indefinição, avançando-se com ideias avulso e mal fundamentadas – todas elas contraditórias e polémicas – seja para prolongar a atividade da central a carvão ou simplesmente desmantelá-la, seja para a substituir pelo processamento de biomassa ou pela produção de hidrogénio verde”.

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Considera o movimento independente que “a agravar este panorama, e na sequência da diminuição da procura, do desincentivo fiscal e da criação pela Comissão Europeia do Fundo de Transição Justa (no montante de 79,2 milhões de euros), foi anunciada a intenção de antecipar ainda mais o encerramento das centrais a carvão – com Sines a fechar já este ano, quando estava previsto encerrar depois do Pego – o que aguarda a decisão final do governo”.

Assim o ALTERNATIVAcom exorta a Câmara e a Assembleia Municipal de Abrantes a:

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“Em concertação com a CIMT, mas sem prejuízo da autonomia e da defesa dos interesses próprios de Abrantes, tomarem uma posição firme junto das entidades governamentais e empresariais, no sentido de que estas esclareçam rapidamente e com total transparência qual o futuro que projetam para a Central Termoelétrica do Pego, seus trabalhadores e
fornecedores; Adotarem uma atitude exigente face às intenções e planos do governo, das empresas e de quaisquer outras entidades envolvidas, tudo fazendo para transformar esta ameaça numa oportunidade que sirva os interesses atuais e prospetivos de Abrantes; Absterem-se de defender ou apoiar, e se for necessário denunciar, quaisquer soluções ou projetos técnica e economicamente mal fundamentados, insuficientes ou prejudiciais para Abrantes, ou com contornos políticos pouco claros, venham eles de onde e de quem vierem; Assumirem o papel e a responsabilidade que lhes cabe no âmbito do Fundo para a Transição Justa, designadamente da prevista reconversão económica, ambiental, habitacional e dos transportes, incluindo o apoio técnico e financeiro à criação e investimento em pequenas e médias empresas, formação de recursos humanos, transferência de trabalhadores e introdução de tecnologias energéticas sustentáveis” pode ler-se no mesmo documento.

O movimento independente manifesta ainda “a sua permanente disponibilidade para colaborar com os órgãos autárquicos na defesa dos superiores interesses do Concelho, designadamente na solução a encontrar para o futuro da Central Termoelétrica do Pego, seus trabalhadores e fornecedores”.

Recorda no comunicado que “a Central Termoelétrica do Pego foi construída pela EDP – Eletricidade de Portugal, E.P. entre 1987 e 1995, visando o reforço e a diversificação das fontes energéticas do país. Começou a fornecer o sistema elétrico nacional a partir de 1993, ano em que foi vendida a um consórcio internacional. Contudo, a grave deterioração do ambiente e a necessidade de o proteger, descarbonizando as regiões dependentes de combustíveis fósseis e desmantelando as indústrias poluentes, levou o governo a antecipar para o final de 2021 o encerramento da central a carvão do Pego, mantendo no entanto a central de ciclo combinado a gás natural, em funcionamento desde 2011”.

Lembra, por fim, que “nestas quase três décadas de operação, a Central Termoelétrica do Pego assegurou emprego e salários a milhares de trabalhadores diretos e indiretos, e proporcionou negócios e rendimentos a centenas de empresas, muitas delas sediadas no concelho de Abrantes. Apesar de o volume de produção e de trabalho ter decrescido ao longo dos anos, a Central mantém à volta de 300 trabalhadores permanentes e mais de meio milhar de trabalhadores ocasionais, a que corresponderá um número aproximado de famílias”, conclui.

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