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Abrantes | ALTERNATIVAcom pede esclarecimento à Câmara sobre “contratos de 200 mil euros” em comunicação

O movimento independente ALTERNATIVAcom considera que a comunicação do município de Abrantes “carece de significativos ajustes e alguns esclarecimentos”. Desde logo, dizem, “os munícipes têm o direito de saber, com rigor, qual a razão por que, no último ano e pouco – e com eleições autárquicas no horizonte – o executivo municipal contratou mais de 200 mil euros em serviços externos extraordinários de comunicação (a que se juntam mais de 100 mil euros em equipamentos e materiais diversos), quantias estas que acrescem aos expressivos custos correntes, inerentes à atividade própria e normal da Divisão de Comunicação”.

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Em comunicado, o movimento diz que esperaria que tais “investimentos se traduzisse em maior qualidade da comunicação” mas, consideram, “a realidade mostra que o principal suporte e meio de comunicação do município – o Portal na Internet – continua a exibir conteúdos desatualizados, confusos e irrelevantes, omitindo outros que consideramos essenciais e mandatórios do ponto de vista democrático”. A responsabilidade, dizem, “não é só de quem gere o Portal, devendo ser repartida com quem tem a obrigação de fornecer os conteúdos”.

Para o movimento independente “os exemplos são mais que muitos e basta uma breve navegação no Portal para começar a detetá-los, percebendo-se assim a razão pela qual Abrantes passou, de 2013 para 2017, do 4º para o 93º lugar no Índice da Transparência Municipal (ITM), um ranking baseado na avaliação dos websites dos municípios portugueses. Para que servem, então, os referidos investimentos, se não são para melhorar de forma permanente a comunicação corrente do município?”, questiona.

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Segundo o ALTERNATIVAcom, “também a plataforma Abrantes 360 – criada para facilitar a interação do município com os cidadãos – requer vários aperfeiçoamentos”, por exemplo “a nível da simplificação do registo de utilizador e dos prazos de resposta aos munícipes”. E quanto ao boletim municipal Passos do Concelho, “que em 2020 teve apenas uma edição (era suposto ter quatro”, dizem, “ainda não foi dado qualquer esclarecimento sobre as razões do seu sumiço”, notam no referido comunicado.

Entretanto, “assistiu-se ao reforço das redes sociais do município – e de redes privadas ao seu serviço –, o que não deixa de ser curioso, tendo em conta o sistemático ataque do executivo camarário à opinião publicada e partilhada pelos cidadãos nas redes sociais”, consideram. Para o movimento ALTERNATIVAcom, “é essencial para a democracia e o desenvolvimento local que os cidadãos tenham uma participação ativa no domínio público, inclusive nas redes sociais, expressando-se de forma respeitosa e com base na verdade dos factos”. Por isso, dizem, “tudo faremos para dar mais voz aos cidadãos e garantir que essa voz seja mais valorizada”.

O ALTERNATIVAcom entende que “o município deve apoiar a comunicação realizada pelas freguesias – e, na medida do possível, também as associações e coletividades”, contribuindo “para melhorar os seus processos e os seus meios, analógicos e digitais”. O caso da Junta de Freguesia da U. F. de São Facundo e Vale das Mós, “exemplifica bem esta necessidade de apoio, verificando-se que até hoje não foi capaz de cumprir a promessa antiga de ‘atualizar o portal da freguesia’ e ‘disponibilizar acesso a internet wireless nos espaços públicos'”, notam.

Na perspetiva do ALTERNATIVAcom, a comunicação entre as autarquias e os cidadãos – munícipes e fregueses – “deve ser encarada com integridade e proficiência, respeitando três aspetos essenciais: 1) a sua importância estratégica, 2) o seu caráter ético e 3) a sua abordagem profissional. A importância estratégica recomenda que a comunicação seja aberta, permanente e interativa, valorizando as opiniões, sentimentos e aspirações dos cidadãos, em momentos anteriores e posteriores às decisões relevantes dos órgãos autárquicos”.

O caráter ético da comunicação autárquica “obriga a que seja honesta, transparente e assente em sólidos princípios e valores democráticos, refletindo a realidade tal como ela é, sem deturpações ou simulações. A abordagem profissional impõe, por sua vez, que a comunicação da autarquia seja rigorosa, criativa e coerente, chegando de forma rápida, simples e eficaz a todos os cidadãos (e vice-versa), sem qualquer tipo de discriminação (negativa) ou favoritismo”.

Para o movimento ALTERNATIVAcom, “a comunicação autárquica deve visar a coesão e inclusão social, e assumir um caráter objetivo e não propagandístico, não sendo aceitáveis abordagens sectárias e manipuladoras, ou que possam ser confundidas com comunicação partidária. Se os partidos com maiorias autárquicas pretendem fazer propaganda da sua atividade municipal ou de freguesia, então que a façam com recursos próprios e não com os recursos do Estado, que a todos os cidadãos pertencem”.

No mesmo comunicado defende que “a comunicação autárquica deve dar mais atenção e espaço à realidade dos concelhos e das freguesias – seus territórios e suas gentes – do que à atividade própria (política e administrativa) dos órgãos autárquicos, incluindo a excessiva exposição da imagem dos autarcas que, nalguns casos, parecem apreciar um certo ‘culto da personalidade’. Deve essa comunicação, por outras palavras, ser um exemplo virtuoso de serviço público e não um exercício vicioso de relações públicas e autogratificação”.

Nota ainda que “além dos meios próprios, parte relevante da comunicação autárquica é mediada pelos órgãos de comunicação social regionais e locais, tanto em conteúdos noticiosos como publicitários”. O movimento ALTERNATIVAcom defende “uma imprensa livre e independente, comprometida com a democracia e o desenvolvimento”, devendo os municípios “contribuir responsavelmente para que os meios locais sejam financeiramente viáveis, adotando-se modelos de apoio isentos e acima de qualquer suspeita de favorecimento ou condicionamento político”, defendem.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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