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Quinta-feira, Maio 13, 2021

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Abrantes | ALTERNATIVAcom defende ‘uma cultura de Cultura’ para o concelho

O movimento ALTERNATIVAcom disse hoje lamentar “profundamente o abandono a que a governação autárquica socialista tem votado a Cultura em Abrantes”, tendo manifestado preocupação com a ampliação da rede museológica do município “sem que se saiba da existência de um estudo prévio de viabilidade económica”.

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Em comunicado, o movimento candidato às eleições autárquicas considera que esse “abandono” encontra-se “claramente refletido no último programa eleitoral do PS e no mandato de má memória que, em breve, chegará ao fim”.

O movimento de independentes, que tem Vasco Damas como cabeça de lista à Câmara Municipal de Abrantes, lembra as “três únicas medidas culturais propostas”, e afirma que “está por conhecer o ‘alargamento da rede de equipamentos culturais’, ignora-se a ‘criação da Oficina da Cultura’ e a promessa de ‘requalificação do Cineteatro São Pedro’ é o que se sabe: está encerrado há mais de três anos, sem digno sucedâneo nem prazo de abertura à vista”, afirma.

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Refere no mesmo documento que “a crise gerada pela pandemia por covid-19 veio agravar a realidade cultural de Abrantes, fustigando severamente artistas, técnicos, artesãos, empresários e outros agentes do setor. A resposta do município de Abrantes foi pífia, ficando muito aquém daquilo que seria possível e necessário”.

O movimento ALTERNATIVAcom assume a Cultura e as Artes  como uma “prioridade” “em todo o concelho de Abrantes, apoiando nomeadamente a formação e mobilidade dos artistas, a circulação e divulgação de obras, e a criação de novos públicos”.

E propõe aos cidadãos abrantinos seis linhas de política cultural:

“1. Mobilizar os recursos culturais existentes no concelho, humanos e materiais, pondo-os ao serviço efetivo da comunidade, com adequada programação e divulgação – os agentes culturais deverão ser apoiados, designadamente na sua formação e iniciativas, e os equipamentos culturais deverão ser mantidos e conservados, recuperando-se os que justificadamente necessitarem e investindo em equipamentos novos de que o concelho ou as freguesias carecerem;

2. Valorizar o diversificado património cultural da nossa comunidade, tanto o tangível (natural e edificado) como o intangível (memória e identidade), nas suas diferentes escalas física e simbólica – o acervo cultural deverá ser convenientemente organizado e divulgado, dentro e fora do concelho, estimulando a investigação e recolha dos elementos patrimoniais que permanecem desconhecidos ou por preservar e inventariar;

3. Incentivar o envolvimento de todas as entidades públicas, privadas e do setor social – município e freguesias, organizações e agentes culturais, escolas e instrutores, associações e coletividades, empresas e empreendedores – em projetos culturais que contribuam para a formação dos cidadãos e a promoção externa do concelho – a Cultura, enquanto veículo de expressão e aprendizagens, deverá ser usada por todos os setores de atividade como instrumento essencial de reforço da consciência cívica e do desenvolvimento;

4. Criar oportunidades de intercâmbio (interno e externo), criação e empreendedorismo artístico-cultural, incentivando projetos colaborativos de cocriação e coprodução – deverão emergir ecossistemas empreendedores e instalar-se indústrias culturais, criativas, tecnológicas e recreativas, designadamente nas ARU dos centros históricos e nas zonas industriais, integrando espaços de oficina e exposição, comércio e serviços, convívio e entretenimento;

5. Recuperar os bons projetos e propostas culturais que foram realizados ou pensados para Abrantes e que, por motivos alheios ao seu mérito intrínseco, designadamente de preconceito, incompetência ou iniquidade políticas, foram descontinuados, desvirtuados ou esquecidos em vãs promessas eleitorais – as boas iniciativas devem ser consolidadas e os seus promotores valorizados, beneficiando dos ganhos que a estabilidade e o estímulo proporcionam;

6. Assegurar uma gestão sustentável da rede museológica do município, cuja ampliação, sem que se saiba da existência de um estudo prévio de viabilidade económica, é motivo das maiores preocupações – tudo faremos para que haja uma gestão parcimoniosa e se alcance um nível de visitação que justifique os elevados investimentos e compromissos financeiros assumidos”.

O ALTERNATIVAcom, no mesmo comunicado, afirma ter “da Cultura uma visão abrangente, pragmática e estruturante. Enquanto conjunto de modos de pensar, sentir e agir de uma comunidade, a Cultura é transversal a todas as dimensões da vida em sociedade, desenvolvendo-se localmente com base, não só em dinâmicas próprias, mas também em importantes estímulos e influências, incluindo os induzidos pelas políticas autárquicas”.

Para o movimento de independentes a Cultura “deve promover os valores democráticos e do desenvolvimento, orientados para a livre iniciativa e o bem comum, numa ótica de ‘mente sã em corpo são’. Mas, para que a Cultura seja fator de coesão, por todos valorizada e assumida em plenitude, torna-se imprescindível fomentar uma ‘cultura de Cultura’, isto é, uma perceção geral da sua importância e necessidade”.

Sublinha no mesmo documento que “uma sociedade democrática e desenvolvida só é possível quando a maioria dos seus membros sabe pensar, comunicar e agir com sentido crítico e eficácia, produzindo impactos positivos e construtivos. E, na pluralidade das suas capacidades e sensibilidades, sabe equilibrar as múltiplas dimensões da vida pessoal, familiar e comunitária, articulando com mestria o progresso e a tradição, a modernidade e a identidade, a cultura (erudita ou popular) e o desporto (competitivo ou recreativo)”.

Em termos de desenvolvimento, para o ALTERNATIVAcom “a Cultura constitui um fator estratégico de regeneração, competitividade e projeção externa, gerador de emprego, riqueza e felicidade. A sua capacidade para reinventar os territórios e os modos de vida é assinalável, assim como é determinante o seu potencial de atração de visitantes e fixação de novos residentes, compensando em acrescido valor ou capital humano a quebra demográfica que se verifica”, conclui.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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