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Abrantes | ALTERNATIVAcom critica “trajetória de declínio do concelho” e propõe debate alargado

O ALTERNATIVAcom propõe “à maioria autárquica do Partido Socialista, bem como aos demais partidos e movimentos representados nos órgãos autárquicos que, até ao final do ano, seja realizada uma sessão da Assembleia Municipal de Abrantes (ou um fórum por esta promovido) aberta à intervenção dos munícipes, exclusivamente dedicada ao debate das estratégias e políticas autárquicas do concelho, por sectores de atividade”.

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Em comunicado, o movimento independente na corrida às eleições autárquicas de 2021, lamenta que o executivo camarário, “ao contrário do que parece exaltar”, não tenha manifestado “qualquer interesse em debater, analisar ou adotar” qualquer uma das medidas propostas pelo ALTERNATIVAcom. O movimento afirma que o silêncio foi absoluto, como quem “não sabe, não quer saber e até sente incómodo por quem diz”.

Recorda-se que o ALTERNATIVAcom publicou no passado dia 20 de maio um comunicado intitulado “Encarar a realidade e enfrentar os desafios”, através do qual “procurou alertar os abrantinos para a trajetória de declínio do concelho e recomendar 7 medidas para a inverter, mobilizando a comunidade para um novo projeto de recuperação e desenvolvimento, no qual todos se envolvam e contribuam, de acordo com as suas vontades e capacidades”.

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Este domingo 14 de junho, no Dia da Cidade e do Concelho, o presidente da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos (PS), frisou que “o nosso Concelho é único, uma história vasta que vai continuar a ser escrita por todos nós. Uma história que se fez e vai continuar a ser feita de valores, de igualdade, de liberdade, de solidariedade e de união porque, como todos sabemos, ‘A União faz Abrantes'”, palavras com as quais o movimento declara concordar, tendo registado “com interesse, as palavras dirigidas aos munícipes”.

No entanto, os dirigentes do ALTERNATIVAcom não veem “no atual executivo camarário – passados que são 16 meses desde a sua tomada de posse – a capacidade de inovação e realização de que Abrantes tanto necessita” lê-se no comunicado enviado à redação do jornal mediotejo.net, considerando que “os valores referidos pelo edil são preferencialmente aplicados a quem apoia ou se conforma com o poder instalado”.

Isto porque, numa reflexão e avaliação das palavras proferidas pelo presidente da Câmara, numa “aderência à realidade, dificilmente se encontra uma correspondência aceitável: o nosso Concelho não tem hoje uma identidade suficientemente forte e atrativa, a população tem decrescido dramaticamente (sobretudo a mais jovem) e enfrenta o flagelo do desemprego e da falta de oportunidades” observam.

O ALTERNATIVAcom vinca que em Abrantes “continuamos a assistir à degradação dos principais indicadores de desenvolvimento do concelho: mais desemprego, mais insucesso escolar, menos cultura, menos investimento ambiental, património abandonado, mercado diário disfuncional, projetos do Orçamento Participativo por concretizar, entre um sem número de outras situações que qualquer um de nós pode facilmente identificar” acrescenta a informação.

E exemplifica: “O concelho tem o maior número de desempregados do Médio Tejo (26,6% do total da sub-região, mais 77% do que Tomar, o município que se lhe segue) e o número de desempregados inscritos no Centro de Emprego de Abrantes sobe desde meados do ano passado, atingindo em Abril deste ano mais 31,6% do que no mês homólogo de 2019. O nosso município tem, também, a pior taxa de insucesso escolar no ensino básico e a terceira pior no ensino secundário, no conjunto dos treze municípios do Médio Tejo”.

Assim, segundo o movimento independente, “não se desenvolve Abrantes, assim não se constrói o futuro a que por direito e empenho todos aspiramos. É preciso defender os interesses de Abrantes e dos abrantinos. O poder político local existe para isso e não pode estar sujeito e ser submisso a cúpulas partidárias nacionais”.

Defendem os independentes que “os autarcas devem defender e fazer valer, junto do poder central, os interesses da sua comunidade local, seja em relação à descentralização administrativa, à eliminação de portagens na A23, à construção da nova ponte sobre o Tejo (no IC9), à localização do novo aeroporto em Tancos, à qualidade das águas do Tejo ou a qualquer outra matéria de especial interesse municipal. Mas, se a frente externa de defesa dos interesses de Abrantes e dos abrantinos é essencial, é no plano interno que as estratégias e políticas autárquicas devem ser gizadas, contando com todas as forças vivas e sensibilidades do concelho, incluindo as que pugnam por soluções estruturantes, de natureza inovadora e progressista, para além de medidas conservativas, de carácter preventivo ou reparativo”, defende o movimento, liderado por Vasco Damas.

O movimento ALTERNATIVAcom conclui o comunicado manifestando “a sua disponibilidade para contribuir construtivamente para este debate, com a convicção de que a esperança num futuro melhor só se concretiza com o saber, a arte e o engenho de todos os abrantinos, independentemente da sua ideologia ou cor partidária”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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