Abrantes | ALTERNATIVAcom apresenta conjunto de medidas para combater “declínio demográfico e socioeconómico” do concelho

Vasco Damas é o cabeça de lista do ALTERNATIVAcom às autárquicas de 2021 em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O movimento ALTERNATIVAcom apresentou um conjunto de medidas para “devolver dinamismo” ao concelho de Abrantes. Na base do comunicado está uma “inaceitável trajetória de declínio demográfico e socioeconómico, com acentuada perda de qualidade de vida e relevância regional”.

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Considera que tais medidas constituem “um passo decisivo para inverter a tendência de declínio do nosso concelho e mobilizar a comunidade para um novo projeto de recuperação e desenvolvimento, no qual todos se envolvam e contribuam, de acordo com as suas vontades e capacidades” e manifesta-se empenhado “na criação de condições que favoreçam e possibilitem a eficaz concretização dos compromissos enunciados, em benefício de todos, sem favorecimentos ou discriminações”.

Para o ALTERNATIVAcom, que tem Vasco Damas como cabeça de lista às autárquicas de 2021 em Abrantes, que é tempo de “exigir aos órgãos autárquicos que encarem seriamente e sem subterfúgios a difícil realidade em que Abrantes se encontra”.

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Assim, perante a comunidade abrantina, compromete-se a: “Promover uma auditoria independente ao Programa ABRANTES INVEST e apresentar publicamente os resultados dessa avaliação, esclarecendo em que medida este Programa contribuiu para a captação e promoção do investimento, a constituição e expansão de empresas e a criação de emprego estável e qualificado, tendo em conta os objetivos previstos e os custos suportados; Confirmando-se a ineficiência e ineficácia do Programa ABRANTES INVEST, reformula-lo ou substitui-lo por outro modelo mais proativo e dinâmico, baseado no apoio efetivo ao tecido empresarial do município, na procura ativa de investimento e empresariado externo, e na promoção da incubação e empreendedorismo interno, sobretudo no domínio das indústrias turísticas, criativas e tecnológicas”.

Também a “repensar a estratégia e o modelo de gestão do Tagusvalley, abrindo esta instituição ao tecido empresarial e empreendedor do concelho, tanto o atual como potencial, e integrando-a de forma clara e efetiva, quer no Programa que, eventualmente, sucederá ao problemático ABRANTES INVEST, quer nas instituições de ensino superior e técnico-profissional que devem ser melhor entrosadas e ter um papel reforçado no desenvolvimento do nosso concelho”.

A “valorizar as competências, energias, património, símbolos e marcas de Abrantes, incentivando o espírito empreendedor, criativo e inovador dos abrantinos, traduzido em atividades económicas, sociais, culturais e ambientais que promovam e enriqueçam o concelho, projetando-o a nível nacional e internacional, a começar pelos municípios geminados”.

Também a “aprovar um programa municipal de apoio e estímulo às atividades turísticas locais, em rede com os municípios e a oferta especializada da região, apostando especialmente no turismo de natureza, cultural, desportivo, gastronómico, industrial, de negócios e da Rota da EN2”.

A “dinamizar a organização, em bases sólidas e aspiracionais, dos artesãos e pequenos produtores familiares, com projeção externa e presença em todas as freguesias, apoiando a produção, administração, comercialização e distribuição dos seus bens e serviços. O contributo desta organização, em parceria com as universidades seniores do concelho, será muito importante para a dinamização da economia local e do emprego, assim como para a valorização das artes e ofícios tradicionais”.

E ainda a “promover o debate público sobre a execução do PEM – Projeto Educativo Municipal com vista à sua atualização, divulgando previamente as avaliações e recomendações feitas nos relatórios do respetivo Observatório. Não nos conformamos com os indicadores atuais e entendemos que Abrantes tem a obrigação de estar entre os municípios do Médio Tejo com melhor desempenho e sucesso escolar, em todos os níveis de ensino” defende o movimento em comunicado.

O ALTERNATIVAcom lembra que “em plena crise de pandemia viral, o Jornal Torrejano publicou no passado dia 20 de Abril um conjunto de quadros comparativos da evolução social nos principais concelhos do Médio Tejo entre 2010 e 2018, o qual pode ter passado despercebido à maioria dos abrantinos. O trabalho, assinado pelo antropólogo João Carlos Lopes, tem por base informação pública disponibilizada pela PORDATA e dá conta de uma realidade preocupante que parece passar ao lado do poder autárquico em Abrantes, atenta a sua agenda e intervenção pública corrente, bem como a ausência de estudos e debates sobre políticas municipais”.

Diz o autor, com base nos referidos quadros, que “Torres Novas e os concelhos vizinhos estão em acentuada sangria demográfica, com perdas assustadoras nos casos de Abrantes, Tomar ou mesmo Alcanena” e que “Tomar e Abrantes estão no topo das populações mais envelhecidas”. O estudo indica que “Abrantes apresenta a natalidade mais baixa de todos os concelhos compreendidos nesta análise (6,3 nascimentos por mil habitantes)” e que a Golegã lidera na mortalidade, “seguida por Tomar e Abrantes, com índices que traduzem as altas taxas de envelhecimento”.

 

Quanto ao saldo fisiológico (diferença entre nascimentos e óbitos), afirma-se que “Abrantes, com apenas 38 nascimentos por cada 100 pessoas que morrem, está mais uma vez na cauda e numa situação verdadeiramente dramática a médio prazo, tendo perdido mais de 30% da sua população escolar no ensino não superior, uma cifra impressionante”.

O autor termina salientando que “a criação de novos empregos foi claramente insuficiente para compensar aqueles que essas políticas [autárquicas] destruíram” e que “Abrantes lidera destacada a percentagem (3% em 2018) de população a receber o rendimento social de inserção”.

O movimento lamenta tal “imagem de Abrantes fora do concelho”. Acrescenta que “em matéria de investimento e empreendedorismo, por exemplo, verifica-se uma fraca dinâmica de criação de empresas (sociedades) – Abrantes ficou no ano passado em 7º lugar no ranking do distrito de Santarém, perdendo uma posição relativamente a 2017 –, sendo a taxa de sobrevivência das novas empresas inferior à taxa geral do Médio Tejo. Quando considerados também os empresários em nome individual e os trabalhadores independentes, observa-se que Abrantes tem vindo a perder dinamismo na sub-região passando, entre 2009 e 2018, de 15% para 12% de novas atividades abertas”.

Quanto aos números do emprego, designadamente do pessoal ao serviço das empresas, constata-se que “o peso de Abrantes no Médio Tejo diminuiu, entre 2009 e 2017, de 12,9% para 12,3%, sendo a oferta de emprego e a colocação de desempregados muito fraca. Abrantes não só tem o número mais elevado de desempregados inscritos nos Centros de Emprego destes municípios, como esta cifra aumentou no último ano, ao contrário do que sucedeu nomeadamente em Tomar e Torres Novas”.

No sector da Educação, Abrantes “mantém há vários anos uma das mais elevadas taxas de insucesso escolar do Médio Tejo, tanto no ensino básico como secundário, com o ano de 2018 (últimos dados disponíveis) a mostrar um agravamento, em vez de melhoria, comprometendo o futuro de uma geração de abrantinos. Não se compreende como é que um concelho com tão boas tradições e recursos educativos não esteja no topo e tenha deixado de ser exemplo e referência para os demais municípios da sub-região e tememos que os resultados da carta educativa que serão conhecidos nos próximos dias nos mostrem uma realidade ainda mais preocupante”.

Alerta para a realidade socioeconómica de Abrantes e para o continuado declínio do concelho, “não só no plano nacional como também no conjunto dos municípios que integram o Médio Tejo”.

Sublinha o movimento que os dados acima referidos dizem respeito “a uma realidade anterior à emergência da crise pandémica viral” notando que a covid-19 “vem agora agravar este diagnóstico ao provocar um desastre económico sem precedentes”.

Termina dizendo  ser “ainda cedo para avaliar com rigor todos os efeitos negativos desta crise, mas já se fazem sentir os custos sociais que dela resultam. E, se a prioridade tem sido até aqui de minorar os impactos sanitários e oferecer a primeira ajuda solidária às pessoas e instituições mais carenciadas, haverá um trabalho ciclópico de recuperação económica e sociocultural a fazer, o qual não se compadece com a incompetência e imobilismo a que nos ‘habituaram’, ainda que disfarçados por bonitas palavras de ação, gratidão e salvação”, lê-se também no comunicado.

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