A entrevista à SIC do super-juiz que alguns apelidam de “saloio de Mação” (c/vídeo)

“Não tenho fortuna pessoal, nem herdada, não tenho amigos pródigos, os meus encargos só são sustentados com trabalho sério”. Esta foi uma das frases fortes da entrevista exclusiva à SIC do magistrado Carlos Alexandre, o super-juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, responsável pelos processos mais mediáticos do país, como os casos BPN e Face Oculta, tendo decretado a prisão de um ex-primeiro-ministro e do maior banqueiro do país, sem medos.

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Numa conversa rara, e em tom por vezes intimista, Carlos Alexandre confessou que entre os juízes é por vezes apontado como o “saloio” de Mação. “Sou o saloio de Mação que não tem dinheiro em nome de amigos”, disse, no que aparenta ser uma “indireta” a José Sócrates, cuja prisão foi por si ordenada.

Um “homem simples”, e que cresceu passando algumas dificuldades, a quem os pais (um carteiro e uma tecelã de Mação) transmitiram a disciplina e a honradez do trabalho, exemplo que ele se orgulha em seguir. Diz que faz turnos de fim de semana no Tribunal de Instrução Criminal para ganhar mais 70 euros, porque tem de honrar os compromissos assumidos e os ordenados dos magistrados foram severamente cortados nos últimos anos. “Em 52 sábados num ano, trabalhei 48”, revelou, acrescentando que há dez anos que não sabe o que ter férias.

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É em Mação, de onde é natural, que recupera energias (tem também raízes familiares no Sardoal e alguns amigos chamavam-lhe “lagarto”, por esse motivo, como se contou num extenso perfil publicado no ano passado na revista Visão, onde se recorda também que Carlos Alexandre estudou em Abrantes, “dormindo num pequeno divã, de abrir e fechar, colocado no corredor da casa do irmão, funcionário das Finanças. Andou dois meses, nas férias de verão, a distribuir o correio na localidade ferroviária da Ortiga, na motoreta do pai, onde também carregava a bucha. Assentou os 17 degraus maciços da capela de São Miguel e foi servente em várias obras, além de vigia florestal”.)

Nesta entrevista para a SIC, deixou-se filmar participando na procissão em honra de Santa Maria. É um homem de fé e até poderia ter sido padre, confessa. Mas o apelo dos tribunais foi mais forte – e nasceu ali, em Mação, quando em miúdo subia ao primeiro andar do edifício da câmara municipal e acompanhava as sessões de um julgamento que pretendia apurar a paternidade de uma criança nascida fora de um casamento de um “fidalgo”.

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Carlos Alexandre está hoje numa posição muito diferente da que vivia em criança, na sua terra natal. É um dos homens mais poderosos do país mas recusa essa classificação. Admite saber muito sobre o que se passa na política e nos negócios do país, mas que isso só lhe traria poder se utilizasse o que sabe “para o mal”. 

Já recebeu muitas ameaças mas diz não ter receio de ir trabalhar, todos os dias. “Se tivesse medo, não me levantava da cama. Aceito o meu futuro e o meu destino.”

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