Tramagal | Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira honra memória e quer acrescentar valor à economia local (C/FOTOS/VIDEOS)

No Dia do Trabalhador, o povo de Tramagal saiu à rua para homenagear Eduardo Duarte Ferreira e para se integrar num dia histórico, do qual fez parte a inauguração do Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, para perpetuar a memória do império metalúrgico que chegou a empregar mais de 2.500 trabalhadores.

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Num dia de emoções à flor da pele, e com uma grande adesão popular, o Museu há muito esperado foi aberto ao público no dia 1 de maio de 2017 para preservar e divulgar uma parte do património industrial da MDF, importante indústria nacional do século XX que ajudou a escrever a história do Tramagal, e para honrar a memória do pioneiro da metalomecânica em Portugal, Eduardo Duarte Ferreira (1856-1948).

Mas este não é o fim de um ciclo, antes, significa o início de uma nova caminhada, que, no dizer da presidente da Câmara de Abrantes, visa atrair mais turistas e acrescentar mais valor à economia local e nacional, no âmbito de uma Rede de Museus de âmbito concelhio.

Museu mdf

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 1 de Maio de 2017

Foram muitas as centenas de pessoas que participaram no dia 1 de maio na cerimónia de inauguração do Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, um investimento na ordem dos 500 mil euros, dos quais 90 mil comparticipados por fundos comunitários, e que contou com a presença da secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria Fernanda Rollo, também ela uma estudiosa da história da metalúrgica, no âmbito da sua atividade académica e profissional, para além de diversas entidades, da família Duarte Ferreira, de Joaquim Dias Amaro, administrador da Diorama, que cedeu as instalações, e de autarcas de Tramagal e Abrantes, bem como do deputado Hugo Costa (PS), eleito por Santarém, que se associou ao evento.

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Tramagal l lancamento de livro sobre MDF

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 1 de Maio de 2017

Uma velha aspiração da comunidade tramagalense, o projeto de instalação do Museu, nas instalações dos antigos escritórios da MDF, consolidou-se em 2011, através de uma parceria entre a Câmara Municipal de Abrantes, a Junta de Freguesia de Tramagal e o Grupo Diorama, de Joaquim Dias Amaro, e conta agora com espaços expositivos e documentais daquela que foi uma das principais empresas metalúrgicas do país.

O Museu está a funcionar de quarta-feira a domingo, entre as 14h30 e as 19h00, para o público em geral, e nas manhãs de quarta-feira a sexta-feira, para visitas guiadas e serviços educativos. As marcações devem ser efetuadas para: museumdf@cm-abrantes.pt

A história com mais de um século – entre o dia em que Eduardo Duarte Ferreira ergueu a primeira forja (1879) e a data da extinção da Metalúrgica Duarte Ferreira (1997) – passa a ser também contada nas páginas da obra “1879-1997: Metalúrgica Duarte Ferreira – Uma história em constante metamorfose”, da autoria de Patrícia Fonseca, apresentado publicamente também no dia 1 de maio, numa edição da Câmara de Abrantes, e à venda no Museu, no Welcome Center, e em outros espaços municipais, com o preço de capa de 10 euros.

A secretária de Estado Maria Fernanda Rollo disse ao mediotejo.net que o espaço museológico “ é uma homenagem à história de Tramagal, ao seu património industrial e a Eduardo Duarte Ferreira, uma homenagem justa por parte da sociedade e um elogio à memória, à história do nosso país e aos que a protagonizaram”, tendo destacado que o momento é extensível “a todos quantos aqui trabalharam, e por vezes em momentos muito difíceis”, relevando o “vanguardismo” de Eduardo Duarte Ferreira.

Em declarações ao mediotejo.net, Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara de Abrantes, lembrou, por sua vez,  o 1 de maio de 1974 e a “ida de centenas de tramagalenses para Abrantes para a grande manifestação”, tendo referido que a abertura do Museu é uma “grande vitória da comunidade tramagalense que ansiava há muito por ter um espaço que fizesse perdurar a memória da Metalúrgica”.

A autarca disse ainda que o Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira “fará parte de uma rede de museus concelhia para atrair mais turistas a nível regional e nacional, para acrescentar mais valor à economia” local.

“Tencionamos criar condições para recuperar o 1º piso no âmbito de um projeto que reforça a nossa estratégia de criação de produtos turísticos para podermos trazer mais visitantes ao nosso concelho, seja através do património cultural, seja através do património de arqueologia industrial, tão importante na história de Tramagal, de Abrantes e de Portugal”, já havia afirmado Céu Albuquerque, na assinatura do protocolo para a instalação deste equipamento.

“Este é um ponto de partida, não um ponto de chegada, porque há muito trabalho a fazer”, afirmou, numa lógica de um projeto de “museu dinâmico que se quer que sirva a nossa economia, o nosso tecido social e que seja um fator de motivação para as gerações mais novas”.

Vitor Hugo Cardoso, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, por sua vez, disse, não escondendo o seu orgulho e satisfação, que a inauguração deste Museu foi “muito importante para o Tramagal”, pois era “um anseio de todos os tramagalenses, de todos os metalúrgicos e trabalhadores”.

Frisou ainda, na ocasião, o 95º aniversário do TSU, em cerimónia que também participou, ladeado pelo vereador com o pelouro da Cultura e Desporto, Luís Correia Dias, e num ano em que o clube que ostenta a borboleta como símbolo conseguiu concretizar um sonho antigo e dotar o campo de jogos com um relvado sintético.

Tramagal l Dia 1 de maio

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 1 de Maio de 2017

O projeto do Museu resultou de uma parceria entre a Câmara de Abrantes, a Junta de Freguesia de Tramagal, a empresa Diorama (que funciona nas instalações da antiga metalúrgica), e a Predierg, e visou permitir a recuperação integral do edifício onde funcionavam os antigos escritórios da Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), a partir do espólio legado pela emblemática empresa.

Os parceiros quiseram assim preservar a memória de um dos pioneiros da metalomecânica em Portugal, Eduardo Duarte Ferreira (1856-1948), com a dinamização deste polo museológico que salvaguarda parte do património industrial da empresa e que quer “crescer de forma sustentável”, nas palavras da presidente da autarquia.

A intervenção realizada incide num edifício com dois pisos, estando um deles concluído, precisamente o que foi inaugurado em 2017.

Segundo o plano inicial, no piso superior será construído um pequeno centro cultural, com salas de reuniões, conferências e outros eventos. Será ainda criado um percurso turístico de ar livre que fará a ligação do futuro Núcleo Museológico ao atual Museu “A Forja”.

Ao longo do percurso, com cerca de 300 metros, serão colocadas as máquinas de grande porte ali construídas ao longo do século XX, como debulhadoras, ceifeiras ou os célebres camiões Berliet, que equiparam o exército colonial português.

Nascido em Tramagal em 1856 no seio de uma família muito humilde, o fundador da fábrica, Eduardo Duarte Ferreira, começou por se dedicar ao fabrico de alfaias agrícolas, em especial charruas, estando a sua pequena forja unipessoal na génese daquela que viria a ser uma das maiores unidades industriais portuguesas, tendo adotado como seu símbolo comercial e de marca uma borboleta.

Fotos: Jorge Santiago e CMA

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