Centenas de populares participaram no sábado na cerimónia de homenagem e inauguração do Monumento aos Combatentes do Ultramar em Tramagal, momento de respeito e reconhecimento ao povo e aos militares que decorreu sob uma chuva impiedosa mas que não fez demover a população unida no sentimento e no desejo “que a memória não se perca…”

Foi precisamente sob o mote “Para que a memória não se perca…” que o povo de Tramagal homenageou os combatentes da Guerra do Ultramar (1961-1974), e de forma emocionada a memória de João Lourenço Nunes (25.09.1946 – 15.02.1968), único militar que a freguesia de Tramagal perdeu na Guerra do Ultramar, nomeadamente na Guiné. O monumento ficou instalado junto ao Largo dos Combatentes, no coração da vila metalúrgica.

O mediotejo.net registou os vários momentos da cerimónia, e ouviu os familiares de João Lourenço Nunes, nomeadamente a víuva do malogrado militar e dois dois seus irmãos, que não esconderam a emoção perante esta homenagem, cerca de 50 anos anos depois da sua morte na Guiné. (ver video)

Familiares, população, militares e ex-combatentes marcaram presença numa cerimónia tão emotiva quanto justa, tendo as mesmas sido presididas pelo secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, pelo Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-General Chito Rodrigues, e pelos autarcas de Abrantes e Tramagal, Maria do Céu Albuquerque e Vitor Hugo Cardoso, entre outras individualidades civis e militares, que intervieram na ocasião.

O monumento, projetado pela Arquiteta da Câmara de Abrantes, Maria João Espadinha, é composto por dois blocos distintos, sendo que um deles apresenta três placas de pedra representando os três ramos das Forças Armadas, estando nelas gravado os vários países e continentes da Guerra no Ultramar, e o segundo painel de mármore é um memorial ao tramagalense João Lourenço Nunes, falecido na Guiné, e cujo corpo nunca foi resgatado.

A construção do monumento foi um propósito que partiu da sociedade civil, através de um grupo de ex-combatentes da freguesia, acompanhado pelo núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes, tendo a Câmara Municipal de Abrantes e a Junta de Freguesia de Tramagal assumido o investimento, que rondou os oito mil euros.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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