“Todos temos momentos infelizes…”, por Hália Santos

Nem sei se hei-de rir, se hei-de chorar… Estive a ler o artigo com as declarações da psicóloga católica que tanta indignação causaram. E o resultado é mesmo este: não sei se hei-de rir ou de chorar. Com o que ela diz e com certas reações.

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Podes não fazer nada, simplesmente ler as diferentes opiniões e refletir. Há momentos em que ficar a ver a espuma das coisas é o melhor a fazer. Ficar de fora, ver o que dizem uns e outros…

Mas eu não sou capaz. Há assuntos que são demasiado importantes para passar ao lado. Não consigo ignorar que há pessoas que ainda olham para a homossexualidade como uma doença.

Como uma doença? É disso que se trata? Dizer que a homossexualidade é como uma doença? Já vi tantos miúdos e miúdas que entretanto se transformaram em homens e mulheres a crescerem saudáveis na sua homossexualidade…

Pelos vistos há gente que nunca viu! Tive a curiosidade de ir ver mais coisas sobre a senhora que representa os psicólogos católicas e que está na origem da polémica. Quer dizer, ela agora tenta explicar que se referia à forma como aconselha os pais a lidarem com um filho homossexual, mas a verdade é que, para ela, ser homossexual não é normal.

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Numa sociedade com tanta diversidade, ser normal é que já começa a parecer-me estranho. Todos temos as nossas particularidades. Uns de nós somos mais parecidos com os outros do que vários outros. Uma das grandes vantagens dos últimos tempos foi mesmo termos desenvolvido esta capacidade de perceber que nem tudo é preto nem branco.

Por isso mesmo, se calhar devemos aceitar as opiniões dos outros, inclusivamente a da senhora psicóloga católica.

Aceitar as opiniões, sim, mas na medida em que devemos aceitar que todos se pronunciem livremente. Não é podemos aceitar que certas pessoas digam certas coisas de forma pública… Há uma coisa que se chama responsabilidade. Neste caso, há responsabilidade pessoal e profissional, nomeadamente em relação aos psicólogos que representa.

Para além da opinião que ela tem e divulgou, a senhora não se pode esquecer que quando fala em representação dos psicólogos católicos está a vincular muitas outras pessoas que podem não partilhar essa posição…

Não terá sido um momento infeliz? Todos temos momentos infelizes, nas nossas vidas privadas e pessoais! Nunca te aconteceu?

Claro que já… E alguns foram irreversíveis. Está dito, está dito. Mas uma coisa é um comentário infeliz, outra coisa é uma convicção infeliz.

Por que dizes isso?

Porque a senhora psicóloga católica já em 2008 dizia que não havia ‘estudos honestos’ que comprovassem a existência de anomalias cromossomáticas para a existência da homossexualidade. Ou seja, as pessoas que gostam pessoas do mesmo sexo seriam o resultado de uma imaturidade que se torna patologia. Ou, então, seriam mesmo o resultado de uma questão cultural.

Então não foi só um momento infeliz… É uma sequência de momentos infelizes, por muito que a senhora diga que os pais devem aceitar com amor os seus filhos, incluindo os que, para ela, são anormais.

Só que a sequência de momentos infelizes torna-se mais grave por ser proferida por alguém com responsabilidades. Se fosse uma conversa de café entre não especialistas o assunto já era mau. Assim, é muito mau!

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