Fui surpreendida pelas notícias que dão conta de uma agressão a um ambientalista que filmava a Ribeira da Boa Água para denunciar a poluição provocada pela Fabrióleo.

A Ribeira é pública, a estrada é pública e um cidadão recolhia registos de uma situação que entende dever ser denunciada. É assim em democracia. Os comportamentos identificados contra este cidadão, violentos, que poderiam ter colocado em causa a vida de uma criança são extremamente graves e configuram um crime.

Só a mesma impunidade com que se polui o ambiente, justifica esta agressão. A agressão é muitíssimo grave e espero sinceramente que as autoridades a levem até às últimas consequências.

Como têm que ser levados, até às últimas consequências, os processos contra esta empresa. Uma empresa que polui, que desobedece a vários embargos, que age como se fosse dona de uma ribeira, não pode continuar com estas práticas sem que nada aconteça. Toda a gente sabe o que se passa. Basta passar junto à Ribeira da Boa Água no Nicho, Torres Novas. O cheiro, a cor da água, as margens da ribeira, não enganam. A população é prejudicada, o Rio Almonda recebe toda esta poluição e os meses passam e nada acontece.

A Câmara e Assembleia Municipal de Torres Novas, por unanimidade, declararam o não interesse municipal nesta indústria, no final do ano passado. Nada justifica esta inércia do Ministério do Ambiente que sabe perfeitamente o que se passa.

A defesa do meio ambiente exige responsabilidade. À cidadania, que tem denunciado e alertado as autoridades, às Autarquias e ao Governo. Os interesses em causa estão bem identificados – de um lado o interesse lucrativo de uma empresa, do outro está o interesse público – o combate à poluição, a defesa da ribeira e do rio, a qualidade de vida para todos e todas. E existem leis, que alguns decidem desrespeitar. E agora, até decidem agredir de forma violenta quem se lhes opõe.

A impunidade vai continuar ou vamos colocar um ponto final nesta situação? Não são precisos mais argumentos para evidenciar a necessidade, urgente, de colocar um ponto final.

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

Entre na conversa

2 Comments

  1. Ainda ontem tive o azar de circular atrás dum camião que transportava trampa em caixa aberta para a o local da empresa site na sapeira-Meia Via. Fiquei com um cheiro nauseabundo dentro do carro idêntico ao que brota da Ribeira da Boa Água. Dizem que vão reunir com o Ambiente. Para quê tantas reuniões será para adiar o problema? Não chega já o que todos estão a suportar à vinte anos?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *