“O ponto de não retorno”, por Helena Pinto

As decisões da Agência Portuguesa do Ambiente e do Ministério do Ambiente que visaram duas empresas – a Celtejo e a Fabrióleo, são uma boa notícia.

Finalmente são tomadas medidas que permitem inverter o caminho de absoluta destruição de recursos hídricos – o rio Tejo e a Ribeira da Boa Água / rio Almonda que, com a maior impunidade, foram massacrados até ao limite nos últimos anos.

A questão até é muito simples: de um lado, indústrias poluidoras, sem ética, que usam e abusam dos recursos naturais, que sabem como se movimentar na procura das escapatórias da lei e assim acumulam os seus lucros, sem o mínimo de preocupação sobre os prejuízos que causam à economia, ao meio ambiente, às populações, ao território em que estão inseridas. Do outro lado, todos aqueles e aquelas que acreditam que aquilo que é de todos não pode ser destruído por alguns.

Foi preciso um mar de espuma nunca visto, um espectáculo tenebroso para que alguma coisa fosse feita. A Celtejo recebeu ordem de redução em 50% da sua produção (proposta feita pelo BE no ano passado e recusada na altura), ordem que já foi estendida por mais 30 dias. A Fabrióleo recebeu ordem de encerramento, na sequência de mais uma acção inspectiva que confirmou, mais uma vez, aquilo que já se sabia: não tem condições para se manter a laborar (coisa que o BE também propôs e foi recusado).

Podia-se ter resolvido estas situações há mais tempo? Podia, claro que podia. Perdeu-se tempo? Sem dúvida. Hoje, todo o país conhece a situação, sabemos mais sobre a dimensão da poluição e sobre a dimensão do descaramento de quem polui.

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Será preciso muito tempo para repor a qualidade das águas, para que o Tejo naquela zona deixe de ser “um rio morto”. Será preciso muito tempo para que a boa água corra na ribeira e sejam descontaminadas as margens. Não é possível devolver às populações os anos em que viveram com cheiros terríveis e respirando não se sabe o quê e quais as consequências para a sua saúde.

Na última semana aconteceram factos muito importantes. Chegados aqui, retornar à poluição não é solução, nem para a economia, nem para o emprego e muito menos para o ambiente e para a saúde e qualidade de vida das populações. Só o respeito pelo ambiente garante o futuro e o emprego. Há que continuar nesse caminho.

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