“Nos 110 anos da Ponte da Chamusca”, por José Martinho Gaspar

A Ponte da Chamusca, localizada na Estrada Nacional 243, que faz a ligação da Chamusca para a Golegã, está a comemorar o seu 110.º aniversário da sua construção. Não tanto por este motivo, mas especialmente pelos congestionamentos de trânsito que nela se geram, face à impossibilidade de ali se cruzarem dois veículos pesados, a ponte tem sido notícia, sendo alvo de um processo de semaforização provisório. O nome verdadeiro desta travessia do rio Tejo é Ponte João Joaquim Isidro dos Reis.

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João Joaquim Isidro dos Reis nasceu na vila da Chamusca a 4 de dezembro de 1849. Entrou para a Universidade de Coimbra, onde frequentou o curso de Direito, tendo-o concluído com distinção a 20 de juho de 1876. Tendo entrado para a vida pública em 1878, teve uma ascensão bastante rápida: começou por ser amanuense da Direção Geral dos Próprios Nacionais, integrada no Ministério da Fazenda; em 1879 foi promovido a segundo oficial; entretanto, tornou-se secretário do Conselheiro José Luciano de Castro; em 1886 atingiu o cargo de Diretor geral. Foi deputado por Tomar em 1880-81, 1887 e 1888-89, por Santarém no período 1890-93 e pela Golegã em 1897 e 1898-99.

Em 1879, encontrando-se o Partido Progressista no poder, no qual militava João Joaquim Isidro dos Reis, este interveio junto do governo no sentido de que fosse restaurada a comarca da Chamusca ou, em alternativa, que ali se construísse uma ponte sobre o Tejo, sob pena da sua situação política se tornar insuportável se não fosse aprovada nenhuma destas propostas. Dez anos depois, João Joaquim Isidro dos Reis voltou à carga e, acompanhado de representantes das câmaras municipais da Golegã e Torres Novas, dirigiu-se a Lisboa, onde solicitou a construção da ponte ao Conselheiro José Luciano de Castro, tendo o projeto sido posteriormente aprovado pela Comissão das Obras Públicas da Câmara dos Pares do Reino, sendo autorizada a construção em 1899. Chegou a equacionar-se a integração desta travessia no plano complementar dos caminhos-de-ferro, porém tal projeto acabou por ser abandonado.

A construção desta ponte rodoviária foi adjudicada à companhia francesa Fives-Lille em 1905 e as obras arrancaram apenas em 1908, apesar de a primeira pedra ter sido lançada em maio de 1906. A abertura da ponte ao trânsito ocorreu a 31 de agosto de 1909. Trata-se de um exemplar marcante da arquitetura em ferro, tão em voga em finais do século XIX e começo do século XX.

A Ponte João Joaquim Isidro dos Reis tem uma extensão de 756 metros, divididos por onze tramos, tendo os das extremidades dimensões silimares, com um vão de 57,1 metros, enquanto os restantes nove têm extensões idênticas (71,3 metros). O tabuleiro da ponte é metálico, sendo a sua largura constante de perfil transversal.

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Um destes dias, dando eu uma das minhas voltas de bicicleta e tendo parado, para recarregar baterias, no Restaurante Paragem da Ponte, exatamente junto à entrada para a Ponte da Chamusca, na margem sul do Tejo, deparei com uma interessante exposição fotográfica alusiva aos 110 anos do lançamento da primeira pedra desta infraestrutura. Para além de excelentes fotografias, a informação disponibilizada, apesar de sintética, é bastante oportuna, constituindo este um ótimo exemplo de como uma entidade pública (Câmara Municipal de Chamusca), responsável pela exposição, e privada (Restaurante Paragem da Ponte) podem dar as mãos no sentido de que se recuperem memórias identitárias. A Câmara da Chamusca podia ter optado por fazer estar exposição, temporariamente, num espaço fechado, porém a decisão foi exibi-la num espaço público, visitável a qualquer hora do dia ou da noite, junto da infraestrutura evocada. Em boa hora tomaram esta decisão!

"Nos 110 anos da Ponte da Chamusca", por José Martinho Gaspar

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