“Governo falta ao respeito aos bombeiros voluntários”, por Duarte Marques

Foto: DR

Segundo testemunho de vários comandantes de corporações de bombeiros, e ontem trazidos a público pelo Jornal de Notícias, o Governo atual não terá excecionado e acautelado a dispensa de funcionários públicos que prestam serviço voluntário em diversas corporações de bombeiros durante a época de incêndios. Este expediente era feito ao longo dos últimos anos.

Como todos sabemos, sobretudo nos meios mais pequenos, parte significativa do dispositivo de combate a incêndios é constituída por voluntários, que prestam serviço nos corpos de bombeiros das nossas localidades e que frequentemente são chamados para prestar serviço nos concelhos vizinhos ou até bem mais longe, colocando em causa muitas das vezes as suas vidas para proteger as nossas e os nossos bens.

Esta decisão não só é grave como representa um péssimo exemplo para as empresas privadas que, de forma altruísta, dispensam os seus trabalhadores que são bombeiros voluntários.

A opção do Governo liderado por António Costa faz com que dezenas de corporações se vejam privadas de recorrer ao trabalho destes homens e mulheres, enfraquecendo a sua capacidade e eficácia no combate ao fogo. Centenas de bombeiros que são simultaneamente funcionários públicos combateram o fogo apenas durante os períodos noturnos, ou pós-laboral, sendo obrigados a apresentar-se no local de trabalho logo pela manhã, muitas vezes após uma noite inteira de combate ao fogo, a centenas de quilómetros de casa.

Estas decisões demonstram uma total falta de respeito pelo esforço destes voluntários, um desconhecimento da realidade do dispositivo de combate a incêndios, e uma enorme insensibilidade política.

Se o objetivo do Governo é alterar o dispositivo de combate a incêndios, eliminando o sistema de voluntariado e fazendo-o substituir por um regime unicamente profissional, era útil que o fizesse com transparência. Se é essa a intenção então atrevo-me a sugerir que o assuma e o discuta com o setor, mas também com os restantes partidos.

Deste governo já nada me surpreende, mas confesso que esperava que se tratasse de um lapso de um jornalista. Mas não, o governo foi avisado e mesmo assim insistiu no erro. Não quero acreditar que se tratar de mais uma exigência do Bloco de Esquerda cuja líder Catarina Martins já manifestou publicamente o seu desprezo pelo trabalho dos voluntários em Portugal.

É por isso que os Deputados do PSD exigiram medidas diferentes, que acautelem qualquer prejuízo pessoal e de carreira na função pública para aqueles voluntários que prestaram serviço de voluntários no combate aos incêndios.

Os bombeiros não podem ser um tema de luta partidária, mas a verdade que também foi um governo socialista que acabou com os benefícios para a contagem do tempo de reforma que os bombeiros mereciam. O voluntariado já conheceu dias melhores e são necessários incentivos claros ao voluntariado, pelo que este tipo de decisões em nada ajudam. O governo anterior isentou de pagamento de propinas no ensino superior, os bombeiros voluntários. Urge criar novos incentivos como por exemplo a criação do “Cartão Social do bombeiro” entre outras medidas já defendidas pela Liga de Bombeiros.

Aos bombeiros portugueses só devemos duas coisas: agradecimento e respeito.

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Duarte Marques, 34 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias. Escreve no mediotejo.net à quarta-feira.
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1 COMENTÁRIO

  1. O que está mal neste país , começou AGORA … Os contratos com privados … NÃO , o aproveitar as estruturas militares … NÃO !! só como exemplos …
    As responsabilidades devem ser partilhadas por todas as cores políticas … dizer que o que está, tal como está, que está mal … é muito curto , além de Partidário … afinal convém defender a cor … Enfim, nada de novo nos horizontes da política … Deixem de uma vez por todas os operacionais tratar do combate porque os políticos – todos – confirmaram a incompetência !!!
    Não vi os deputados do PSD a comentar a atitude da UE sobre os meios pedidos pelo Governo e não disponibilizados … são as críticas habitualmente enviesadas … apenas o que interessa para o lado contrário … um verdadeiro sentido de estado ….. não vi a oposição através dos meios de comunicação social fazer apelo à População para ter cuidados redobrados na época do calor … apenas críticas e mais críticas …

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