Gavião | À descoberta do paraíso pelos Passadiços do Alamal

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Foto: mediotejo.net

Os renovados Passadiços do Alamal estão prontos para caminhadas entre as tranquilas águas do Tejo e as altas colinas graníticas. Gavião aposta no seu prolongamento até que atinja dez quilómetros na totalidade, chegando ao PR2 de Atalaia. A Praia Fluvial do Alamal também sofreu intervenções, nomeadamente nas casas de banho e nas acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida. 

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*Com fotos de Jorge Santiago e David Pereira

“A grandeza de Gavião não se reflete num monumento de homens, num brasão ou numa celebridade. Está no seu lugar natural, nas gentes, no campo, no rio, na dedicação e no modo como edificaram a vida na busca do pão, na bravura e alteza da normalidade de um povo que se fez no esforço de cada dia, não no arrebatamento de momentos de lutas de vencedor, mas na paciência do fazer de cada dia, naturalmente”.

As palavras são de José Dias Heitor na obra “Gavião, Memórias do concelho”, e descrevem na perfeição o único concelho do Alentejo cujo território se estende acima do rio Tejo, pela freguesia de Belver.

Passadiços do Alamal, no Gavião. Foto: mediotejo.net

É à beira Tejo que os Passadiços do Alamal, situados na margem esquerda, levam à descoberta de um pedaço de paraíso ao lado de altas colinas graníticas. O rio desce tranquilo e as paisagens de beleza singular renascem com o ânimo da renovação após o fogo de 2017. O Município de Gavião avançou para a reflorestação e reconstruiu o Passadiço do Alamal queimado no incêndio.

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Para já, oferecem uma caminhada de cerca de dois quilómetros (1.800 metros) que convida a tirar o máximo partido da paisagem e do sol, num local em cima das águas calmas e fartas do Tejo, graças à localização entre duas barragens — a de Belver, a jusante, e a de Fratel, a montante.

A ideia de prolongar os Passadiços do Alamal continua de pé. “Já temos projeto e acredito que rapidamente iniciaremos obra de prolongamento do Passadiço do Alamal até ao PR2 da Atalaia, continuando na margem do Tejo, por mais 8 quilómetros. Tem cinco passagens sobre ribeiros, sendo uma ponte himalaia e quatro pontes fixas”, explicou ao mediotejo.net o presidente da Câmara José Pio.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Foto: mediotejo.net

Com um custo total de 300 mil euros, foi feita uma candidatura ao Turismo de Portugal. “Aguardamos aprovação, no entanto ponho como hipótese de retirar a candidatura e optar pelo pacto intermunicipal”, avançou o autarca.

Considerado o prolongamento daquele passadiço “estruturante” para o turismo no concelho, José Pio reconhece que atualmente os amantes das caminhadas “quando fazem só dois quilómetros sabe a pouco”. É fundamental “aumentar a parte em que as pessoas caminham à beira rio”.

O passadiço de madeira serpenteia agora lado a lado com o Castelo de Belver, embora na outra margem do rio Tejo. Liga a Praia Fluvial do Alamal com a ponte de Belver, um trajeto calmo e tranquilizante para todos que por ali passam, podendo percorrer um troço do vale do Tejo, que foi construído sempre junto à água, em comunhão com a natureza.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Foto: mediotejo.net

Fazendo uma comparação com os passadiços do rio Paiva, José Pio fala em “paisagens fantásticas” em Gavião e desafia o turista, deixando o convite para uma visita aos Passadiços do Alamal que começa na Praia Fluvial e termina “para já” na centenária ponte de Belver, de tabuleiro metálico, com 239 metros de comprimento, inaugurada em 1907.

Há ainda outra candidatura do município para receber apoio do Turismo de Portugal: a antiga Escola de Degracia onde a autarquia planeia fazer um centro interpretativo dos percursos pedestres. “Ao mesmo tempo vamos criar uma estação de serviço para BTT, onde os utilizadores poderão descansar, lavar a bicicleta e fazer a manutenção. Terá ainda um espaço para refeições e banhos”, num investimento de 395 mil euros, referiu José Pio.

No concelho, o turismo é sentido como “oportunidade maior” de crescimento económico. “Tudo faremos para criar condições para que o turista deixe de passar por aqui mas permaneça em Gavião algum tempo, use os nossos restaurantes, os nossos alojamentos e possa ao mesmo tempo beneficiar de um conjunto vasto de atividades que o levem a permanecer”, acrescentou o presidente.

Presidente da Câmara Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

A paisagem é estonteante, junto ao rio Tejo, e o percurso é cheio de surpresas, ao som das aves que vivem na floresta envolvente e da corrida das pequenas ribeiras que desaguam no Tejo, depois de percorridos caminhos de pedras esverdeadas pelo musgo. Sentimos os cheiros típicos do Alentejo, um aroma característico difícil de explicar.

Com o prolongamento, a ideia é ligar o Alamal “à ribeira do Vale Covo”, e ligar o PR1 ao PR2, explica o presidente. Ou seja, ao Corredor Ecológico das Ribeiras de Alferreireira e Barrocas, um núcleo moageiro que outrora teve enorme importância, não só para a Atalaia como também para as povoações vizinhas.

José Pio reconhece que na época alta o concelho não oferece o número de camas suficientes para o investimento turístico de atratividade a que se propõe. “Falta ainda alguma capacidade de alojamento e de restaurantes também”, diz. “Sentimos que há margem de progressão, no sentido de apostarem mais na gastronomia tradicional, mais naquilo que é o regional mas também aí estamos a trabalhar para que nessa área haja investimento privado”, garantiu.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Foto: mediotejo.net

O percurso dos Passadiços do Alamal é bastante fácil de fazer, não exige preparação física nem equipamentos especiais. E não era, até às obras de renovação, acessível a pessoas com mobilidade reduzida com cadeiras de rodas, não obstante a praia ser para todos. No entanto, com a renovação o passadiço, ficou em parte, preparado para pessoas com mobilidade condicionada, “não sendo possível na totalidade devido às condicionantes do terreno”, disse o autarca, falando nas “condições de permanência nesse local até que os acompanhantes regressem” da caminhada.

No restante passadiço “será mais difícil criar condições para a mobilidade reduzida, muito embora tenha sido uma preocupação que existiu na elaboração do projeto, mas a orografia do terreno não permite”, explica.

Dos muros que circundam a Quinta do Alamal, a vista sobre o rio é magnífica e revela um Alentejo encavalitado em abruptas encostas, longe das planuras que habitam lá mais para sul.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Na antiga quinta, hoje transformada em centro balnear, existem várias zonas de descanso e tranquilidade para os períodos de maior calor, como a fonte do Lagarto, uma fonte com água de nascente, trilhos para pequenas caminhadas, dois tanques de água e uma zona relvada para piqueniques.

A Praia Fluvial do Alamal “é o ex-libris do concelho enquanto espaço de descanso e permanência”, considera José Pio, indicando o Alamal River Club, a unidade de alojamento constituída por um conjunto de três edifícios que oferecem 17 quartos, a 20 metros do areal, e o Bar do Alamal onde podem ser apreciados os pratos da região.

“É de extrema importância porque é o local que atrai mais pessoas” ao concelho de Gavião.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Também a Praia Fluvial do Alamal sofreu algumas alterações para receber os turistas e veraneantes desta época balnear. “Remodelamos integralmente as casas de banho adaptando-as também às pessoas com mobilidade reduzida, substituímos todas as loiças, pintura e aumentámos a capacidade de duches no exterior”, avançou o autarca.

Igualmente a acessibilidade de pessoas com deficiência à própria praia foi melhorada, com corredores para cadeiras de rodas que as levam até aos Passadiços do Alamal, e “os lugares de estacionamento deixaram de estar logo no início e passaram para o fim, criando assim condições para acesso às casas de banho, às pontes e ao passadiço, uma alteração estrutural de beneficiação” referiu José Pio.

Para este ano 2019 está ainda projetado para a Praia Fluvial do Alamal um novo ancoradouro, um investimento que ronda os 40 mil euros, para barcos de recreio e motas de água no sentido de também potenciar os desportos náuticos, avançou José Pio.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Foto: mediotejo.net

Sendo, seguramente, uma das maiores atrações da região, apresenta excelentes condições para a prática de desportos aquáticos, pesca e atividades ao ar livre que se perscrutam num contacto ambivalente entre a natureza e o Homem, mas nem a beleza paisagística conseguiu travar o decréscimo de fluxo turístico com as notícias da poluição no rio Tejo.

O concelho de Gavião “sofreu e continua a sofrer”, desabafa José Pio. “Era difícil! Espuma no rio, peixes com dificuldades respiratórias… houve muitas desmarcações no Alamal River Club. Agora a água está boa, embora o problema comece em Espanha, agravando-se em território português, problemas que tentamos minimizar mas não conseguimos ultrapassar definitivamente”, afirmou o presidente.

Contudo, a opinião é consensual: “A qualidade da água no rio Tejo melhorou muito. Hoje vê-se o fundo do rio com toda a nitidez, muitos pássaros a pescar no rio. No passado recente, a água tinha uma qualidade da água no limite do aceitável. Hoje as análises são realizadas pela APA, que comunica no caso de haver algum problema. Não temos tido comunicações, o que significa que a água tem qualidade para banhos”, assegura.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Créditos: mediotejo.net

No concelho de Gavião, diz, “não há nenhum problema de afluentes para o rio, mas há outros que têm, mesmo aqueles que reclamam”, diz. José Pio considera uma “lacuna” a inexistência de uma ETAR no Alamal, mas chegando a autorização “será de ultima geração. Não sou contra a depositar no rio, mas quando se depositar tem de ser com qualidade” defende.

José Pio conta que a Câmara criou “a rede Internet gratuita no Alamal e futuramente já há a candidatura aprovada para Belver”. Da análise que é feita o município sabe que hoje o turista já não vem só um dia.

“Há um conjunto de atividades no concelho que lhe permitem ficar no alojamento local, terem as suas refeições em alguns locais de Gavião, visitar o Castelo, o Museu das Mantas, o Museu do Sabão e fazerem um percurso. Já ficam dois dias. Poucos ficam cinco dias, mas sentem o Alamal como um espaço de excelência”.

Passadiços do Alamal, Praia Fluvial do Alamal, Gavião. Foto: mediotejo.net

A ideia é trazer mais turistas a Gavião, mas de forma sustentável. “Temos tido muita prudência em não divulgar mais, de forma a não sobrelotar aquilo que é bom e que se podia tornar menos bom. Mas quando começarmos a ver crescer o glamping na estrada do Alamal, um investimento privado com capacidade para 150 pessoas, teremos de criar outro género de estruturas. Se for um sucesso, e vai ser uma novidade nesta zona, acredito que muita gente vai instalar-se nem que seja pela experiência”, diz.

Serão sete hectares, 10 bungalows, 13 tendas montadas, e capacidade de instalação de tendas que o turista alugará na receção com espaços definidos para acampar. A infraestrutura oferece restaurante, loja de produtos tradicionais e piscina.

O projeto é de autoria do arquiteto Luís Cachola, da empresa Connective Architects. Foto: Connective Architects

José Pio considera que “compete à Câmara criar condições para que essas pessoas se possam movimentar pelo concelho e ter alguns dos atrativos considerados importantes”. A piscina descoberta “terá de ser uma realidade e terá tradução em início de obra este ano, junto às piscinas cobertas. O espaço está destinado e o projeto feito. Uma obra para 14 meses. Se tudo correr bem, em 2020 temos piscina descoberta em Gavião”, promete.

A aposta é também cada vez mais também nos espetáculos ao ar livre durante o verão, disse, lembrando o Festival de Acordeão no ano passado, no Miradouro do Cruzeiro, com mais de 600 pessoas a assistir.

O Beat Fest é outra aposta do Município. “O objetivo passa por criar um grande festival, um espaço de referência com a vantagem de que não incomodam ninguém. O espaço tem boas condições para se tornar num festival muito bom no Norte alentejano e mesmo no País. Já adquirimos o espaço que servia no ano passado de estacionamento junto à Ribeira da Venda, podendo aumentar a capacidade de campismo”, indica o presidente.

José Pio admite que “criar o nome de um festival leva alguns anos, este é o segundo ano, a aposta continua a ser com a Antena 3”.

Passadiços do Alamal, em Gavião. Foto: mediotejo.net

COMO CHEGAR

Para chegar à Praia Fluvial do Alamal e aos seus passadiços, quem vier de Lisboa segue pela A23 e sai para a EN244 em direção a Gavião e depois na rotunda vira à direita (tem indicação de praia fluvial).

Se optar por viajar sem pagar portagem, segue em direção a Coruche, depois em direção à barragem de Montargil, Ponte de Sor e Gavião pela EN224, e vira à esquerda na última rotunda à saída de Gavião. As coordenadas GPS são: 39.488018, -7.967594.

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