Fundadores e membros do PDR do distrito de Santarém saem por “insuperáveis dissidências”

Sete membros do Partido Democrático Republicano (PDR) do distrito de Santarém e o cabeça de lista decidiram “sair em consciência” do projeto “por fortes e insuperáveis dissidências de substância, ideologia, estilo” e “défice evidente de funcionamento na sua democracia interna”.

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Em comunicado enviado à agência Lusa, os subscritores, entre os quais dois fundadores do PDR, Eduardo Milheiro e Fernando Condesso, revelam a “cessão de confiança” no partido e o abandono de funções.

A tomada de posição é subscrita também por Pedro Barroso, que, embora independente, foi cabeça de lista pelo partido no distrito de Santarém e que havia já tornadas públicas as divergências com o projeto, nomeadamente por este se fixar em demasiado a um “fundador específico”, numa referência ao presidente do PDR, António Marinho e Pinto.

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Assinam ainda Alexandre Zagalo, Andreia Fernandes (membro da Comissão Política Nacional), Carla Fernandes, Eduardo Costa e José Janeiro, que integraram a lista de candidatos pelo distrito nas últimas eleições legislativas.

“Pelo presente revelamos e relevamos a nossa cessão de confiança no PDR (Partido Democrático Republicano) – projeto que representámos em consciência e convicção – por fortes e insuperáveis dissidências de substância, ideologia, estilo, discordâncias de programa, desencontro evidente de objetivos e visíveis divergências de matiz politica”, começa o texto da “posição conjunta” enviado hoje à Lusa.

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O comunicado nota que a saída de mais dois fundadores, depois da que já havia acontecido com Eurico Figueiredo e Fernando Pacheco, revela que “algo está mal”, que “o rei vai nu” e que “muitas ideias que hoje surgem em nome do PDR são espúrias, avulsas, desordenadas, ao sabor da corrente, meramente proclamistas, pessoais e sem norte”.

Os subscritores afirmam que, antes desta tomada de posição, tentaram, “até às últimas consequências, insistir e tentar levar o partido a caminhos de coerência, clareza e intervenção cívica útil”.

“Tentámos, de facto – mormente aqui, no Ribatejo – encontrar rumos de orientação política precisos, com azimutes determinados e intervenções independentes, construtivas e entusiastas. Fomos exemplo determinante de conglomeração de esforços e abrangência de sensibilidades. Mas cedo verificamos que essa atitude não era um sentimento programático nacional, mas apenas uma tolerância da cúpula partidária, que nunca assumiria clivagens em plena campanha eleitoral”, declaram.

Os oito afirmam que as “pessoas arrojadas e generosas que constituíam a lista pelo Ribatejo, […] desiludidos com o centro repetitivo da governação e a corrupção generalizada no país”, acreditaram “numa busca comum de alternativas políticas e de mais justiça social”.

Fernando Condesso reafirma o seu apreço por António Marinho e Pinto “como pessoa de coragem” e com “possibilidades políticas, embora não saiba onde está, nem para onde quer ir”, enquanto Eduardo Milheiro admite que “não suporta ver um presidente do Conselho Nacional todos os dias usar linguagem de extrema-direita que o faz sentir envergonhado perante os amigos que tem no espectro político, pois sempre foi um homem de esquerda e o PDR está cheio de gente de extrema-direita”.

Os subscritores afirmam que saem “em consciência” do projeto por o considerarem “com deficit evidente de funcionamento na sua democracia interna, por revelar uma semântica que a cada dia se afasta mais dos pressupostos iniciais” que os mobilizaram, “revelando-se demasiado precário, autocrático, inconsistente, errático e contrário” às suas “mais fundas convicções democráticas”.

 

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1 COMENTÁRIO

  1. É sempre muito triste ver cair um projecto que à partida parecia ter pés para andar. Mas cedo deu sinais de alguma virulência, ao que me apercebi, porque apareceram alguns “GALOS” que almejavam poder a todo o custo.
    Penso que o Presidente, Marinho e Pinto, de tão preocupado e entusiasmado no arranque acabou por não conseguir ter o pulso e lucidez suficiente para por cobro ao que se estava a fermentar.
    Talvez até tenha pensado que chamar a si um poder mais forte, pudesse levar a bom porto o caminho que se estava a percorrer. Tal não aconteceu, porque a arte de minar ideias é sempre muito engenhosa e a virulência foi-se instalando, vindo, como se Vê, a desembocar nesta triste situação de desagregação.
    Apareceu muita gente inicialmente, mas parte dela sonhava com voos diferentes. Como tal não aconteceu, a queda foi inevitável.
    Não sei o que irá renascer dos escombros. Mas espero que alguma coisa se tenha aprendido e, para futuro haja uma filtragem mais sólida que consiga escolher gente que coloque acima de suas aspirações pessoais, o interesse em se poder formar uma força política bem estruturada, com são princípios possa ajudar a uma reestruturação sólida e prevalente.

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