Ferreira do Zêzere | Feira da Alegria atrai comunidade estrangeira residente

Os balões coloridos, no edifício do mercado ao lado da Junta de Freguesia de Areias, Ferreira do Zêzere, anunciavam que algo de diferente se passava aqui neste dia. No exterior, um grupo de pessoas praticava Tai-chi. Um pouco mais além, outros criavam um círculo de energia através do som das vogais. Viam-se bancas de chás naturais, produtos biológicos e ainda muito artesanato. E comunicava-se, muitas vezes em inglês porque eram em grande números os estrangeiros que se encontravam neste espaço, pontuado pela cor e ambiente descontraído.

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Estávamos na Feira da Alegria que chegou a Areias no sábado, 25 de março, através da Arca de Lis, uma associação sem fins lucrativos que, com esta iniciativa teve como objetivo valorizar a partilha, os produtos da terra e os produtos naturais promovendo uma nova abordagem do dia-a-dia das pessoas, convidando feirantes ocasionais a participarem, sem espartilhos, “para que se desenvencilhem de coisas que têm em casa e já não precisam, sendo ainda um modo de arranjarem uns trocos”.

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Cristiano Gandra, da Arca de Lis (à dir.) interagiu com os presentes convidando-os a participar nas diferentes iniciativas Foto: mediotejo.net
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Grupo que praticou Tai-chi no exterior do mercado de Areias Foto: mediotejo.net
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Evento contou com diversas atividades Foto: mediotejo.net

“Este já não é um conceito novo. Já tínhamos realizado a Feira de Trocas, tanto em Chãos (F. do Zêzere) como em Tomar, eventos que tiveram um impacto aquém do esperado porque, na região, as pessoas não têm o hábito de trocar coisas”, conta Cristiano Gandra, da Arca de Lis.

“Uma vez disseram-nos: achas que eu vou levar as coisas que tenho em casa para as pessoas saberem que eu tenho? Ainda há algum secretismo, preconceito em mostrar o que se tem”, refere, acrescentando que, por outro lado, a comunidade residente estrangeira já pensa de forma diferente.

Mesmo assim tem-se mostrado resiliente e nem o facto de terem ficado, por decisão da Câmara de Ferreira do Zêzere, sem a sua sede na Escola Primária de Chãos, onde se encontravam há sete anos. “Não precisamos de uma escola, precisamos de um local. A associação é onde estão os seus associados”, refere. Como tal, decidiu ir falar com o presidente da Junta de Areias/Pias para organizar a Feira da Alegria, ideia que foi acolhida pelo autarca.

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Membros organizadores da Feira da Alegria Foto: mediotejo.net
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Grupo que participou numa conversa sobre sementes Foto: mediotejo.net

Em relação ao facto dos estrangeiros aceitarem mais este tipo de feiras, Cristiano Gandra considera que os mesmos, especialmente os holandeses, estão mais abertos a estas iniciativas, usuais nos seus países de origem, onde são mais espontâneas ainda. “As pessoas pensam em encontrar-se e criam mini feiras”, exemplifica. Para o organizador da Feira da Alegria, o objetivo é mesmo esse: espalhar alegria, de forma gratuita, a uma comunidade, algo a que as pessoas não estão habituadas.

Numa das bancas, chamou-nos a atenção algumas guitarras de fado feitas a partir de madeira. Gerrit KLaasen é holandês, vive em Portugal há oito anos e foi parar a Olalhas, Tomar, porque foi ali que comprou uma casa para morar. “Podia ter sido em qualquer parte do mundo. Foi ali”, respondeu displicente. Conta que trabalhava como fabricante de caixilharias e que agora constrói guitarras a partir de madeira e outros materiais recicláveis. “Se quiserem que eu faça uma guitarra, tragam a peça de madeira que eu faço. Mas não são para vender, são apenas para mostrar o que faço”, atesta.

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O holandês Gerrit KLaasen constrói guitarras a partir de materiais recicláveis Foto: mediotejo.net
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Produtos biológicos da BioThomar estiveram presentes. Foto: mediotejo.net
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Chás naturais não faltaram à Feira da Alegria Foto: mediotejo.net

Também a BioThomar, um novo conceito na cidade templária que comercializa variados produtos naturais de agricultura biológica, certificados e livres de aditivos artificiais, marcou presença na Feira da Alegria, apresentando uma enorme variedade de produtos. “As pessoas estão a adquirir uma consciência diferente. Estão mais atentas, mais informadas”, consideram. E ao lado, João Miraldo, veio de Coimbra para apresentar a “Alfazema e Girassol”, com uma gama de chás medicinais e naturais.

Arca de Lis: avivar o saber adormecido

A Arca de Lis foi criada, por escritura pública, no dia 1 de setembro de 2009. Veio parar a Ferreira do Zêzere por intermédio de Cristiano Gandra que, quando vivia em Lisboa, deslocava-se com um grupo de amigos ao Rio Zêzere para meditar e entrar em comunhão com a natureza. No caminho passava por uma escola abandonada que, por várias vezes, pensou que seria um sítio magnífico para apoio a peregrinos ou para quem goste da natureza. “Há sétima vez, quando chego a Lisboa, decido contactar a Câmara de Ferreira do Zêzere, e consegui um encontro com o anterior presidente Luís Ribeiro Pereira que gostou muito do projeto, convidando-me a visitar a escola de Chãos”, recorda, realçando que a autarquia é um membro cofundador da associação, algo que consideram que o atual executivo deve desconhecer uma vez que não divulgaram este evento nos seus canais, como foi pedido.

“A nossa intenção é trazer algum do conhecimento dos nossos avós, algum do saber que está adormecido. Como tal, editámos uma revista sobre a influência da lua sobre plantas e animais e como observar e saber quando o tempo vai mudar”, indica, acrescentando que “todos os dias o povo utiliza, de forma empírica, porque é isso que inspira através da sua alma”.

Cristiano Gandra considera que a Feira da Alegria foi aberta a feirantes ocasionais porque, refere, “se queremos um desenvolvimento sustentado temos que começar a pensar em deixar de consumir e em reutilizar, várias vezes, os mesmos objetos que ainda estão em estado funcional”.

“Se tenho coisas antigas lá em casa que não uso, então porque não vou trocar? E o dinheiro também é uma energia de troca. Porque é que não se abre a possibilidade a qualquer cidadão de vender ocasionalmente numa feira?”, interroga.

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