Europeias | Já sabe em quem votar no próximo domingo?

Já sabe em quem votar nas eleições do próximo domingo? Se a sua decisão está tomada, este artigo não é para si. Mas se está entre os cerca de 40% de eleitores indecisos ou que manifestam a intenção de se absterem, segundo as sondagens publicadas esta semana, talvez estes dois minutos de leitura o possam ajudar a clarificar ideias.

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Primeiro, há que tomar a decisão: votar sim, sempre. Porque é um direito mas também um dever. Porque os mais radicais votam, e é assim que têm subido ao poder figuras que não representam de todo o pensamento e a vontade da maioria dos cidadãos. Mas quando os cidadãos de demitem de participar nessa escolha, que fazer? Por isso repito: votar sim, sempre.

A abstenção nas eleições europeias é tradicionalmente mais elevada do que nas restantes eleições nacionais mas nunca como hoje foi tão importante mostrar a importância que damos (ou não damos) à ideia de uma Europa unida em torno de ideais comuns.

O mundo enfrenta muitos desafios, das migrações às alterações climáticas. A ideia da Europa assenta no pressuposto de que quando os problemas são partilhados é mais fácil encontrar soluções. No Parlamento Europeu tomam-se todos os dias grandes decisões: como desenvolver a economia, como reduzir o consumo de energia, como garantir que os alimentos que consumimos são seguros. Quando votamos, escolhemos quem toma estas decisões e o que elas significam para o tipo de mundo em que queremos viver. O voto é também uma forma de dizermos que nos importamos.

E votar em quem? Para os que têm militância política, a decisão fica facilitada. Um benfiquista apoiará sempre o Benfica, mesmo que não goste muito do novo treinador ou os resultados comprometam a luta pelo título. Mas para uma imensa minoria persiste a dúvida, quase sempre até ao momento de desenhar a cruz no boletim de voto. Porque até concordamos com o que um determinado candidato diz, mas logo a seguir pomos as mãos na cabeça com outra ideia que se descai a expressar… porque os programas são demasiado vagos, tentando abarcar os gostos das massas, e em vez de “sim” ou “não” apostam no “talvez”.

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É realmente difícil perceber o que cada partido defende. Mas e o que nós defendemos? Isso já será mais fácil de saber, certo? Vale a pena responder a este pequeno questionário, o eunandi2019*: em menos de 5 minutos ficará a saber quais os partidos que defendem posições coincidentes com o seu pensamento.

Por exemplo, concorda que os programas sociais devem ser mantidos mesmo que isso implique o aumento dos impostos? Ou que, em matéria de Segurança e Defesa, a Europa deveria falar a uma só voz?

No final, além de uma listagem dos partidos que mais se aproximam das suas respostas, poderá também ver o seu posicionamento político num mapa e num “radar” que mostra o espectro de preferências políticas em sete dimensões. É um exercício muito interessante e, até quem sabe, revelador…

No final, como sempre, a escolha é sua. No meu caso, por exemplo, não irei votar no partido que, segundo o questionário, mais se aproxima do que defendo. Nem sequer no segundo, ou no terceiro… Haverá sempre variáveis difíceis de medir e de analisar, e factores de ponderação que irão pesar mais numas questões do que noutras. O perfil dos candidatos, por exemplo. Quem são como pessoas, o que já conquistaram e provaram no passado, qual a bandeira que (acreditamos) nunca deixarão cair no futuro.

No próximo domingo há 17 partidos no boletim de voto à espera da sua escolha. Dezassete. Todos os votos contam, mesmo nos “outros”, naqueles mais pequenos que pouco tempo de antena têm. Até os brancos e os nulos. Os que não contam são os que não entram nas urnas de voto.

Se ainda está a ler este artigo é certo que se preocupa suficientemente com o mundo em que vivemos – e com o mundo que deixaremos às futuras gerações -, para, pelo menos, expressar a sua opinião desenhando dois simples risquinhos: X. É preciso votar, sim. Sempre.

*O euandi2019 está disponível em 22 países e faz parte do projeto Spaceu2019, que pretende fomentar a cidadania europeia. Recebeu apoio europeu e tem como parceiros o Centro Robert Schuman de Estudos Avançados, o Programa Europeu de Governança e Política, a Universidade de Luzerna e o Observatório Global de Cidadania.

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Sou jornalista desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Vinte anos depois, mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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