Alcanena | Há todo um novo conceito de ensino a crescer em Alcanena

Aula a decorrer no Laboratório Criativo da Escola Secundária de Alcanena Foto: mediotejo.net

Ana Cláudia Cohen, diretora do Agrupamento de Escolas de Alcanena há cinco anos, está a liderar uma pequena revolução no sistema de ensino das escolas de Alcanena. Depois da Sala do Futuro, do projeto Aula sobre Rodas e do agrupamento integrar o projeto piloto nacional de flexibilização escolar, o secretário de Estado da Educação, João Costa, inaugurou ali um “Laboratório de Criatividade” em 2018. Resultado: este ano, o Agrupamento de Escolas de Alcanena foi considerado o melhor da Europa entre 1100 escolas de 15 países no ensino das ciências, uma distinção do STEM School Label, um projeto que alia a Ciência, as Engenharias, as Artes e as Matemáticas e é financiado pela União Europeia.

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Porque o aluno de hoje não aprende da mesma forma que o de ontem e é necessário prepará-lo para o futuro, o lema é flexibilizar, retirar os jovens dos ambientes claustrofóbicos da salas e aprender com o que o mundo tem para oferecer.

Ensinar os alunos a pensar, mais que fazê-los interiorizar excesso de conhecimento que não compreendem é uma das grandes revoluções em curso ao nível da Educação, que se traduziu no ano letivo 2018-2019 no projeto de flexibilização escolar a que algumas centenas de escolas aderiram.

Em Alcanena, porém, esse processo começou logo em 2016 com a inauguração da Sala do Futuro, seguindo-se o projeto “Aula sobre Rodas” (Classroom on Wheels), levando equipamentos às diversas salas de aula.

Secretário de Estado da Educação inaugurou Laboratório Criativo Foto: mediotejo.net

Depois da adesão à flexibilidade no ensino, o Agrupamento de Escolas de Alcanena inaugurou no dia 17 de abril do ano passado (2018) o “Laboratório de Criatividade”, um novo espaço de criatividade inserido nas dinâmicas do movimento STEM, uma metodologia pedagógica que alia a Ciência, as Engenharias, as Artes e as Matemáticas no objetivo de estimular o pensamento crítico e o diálogo interdisciplinar.

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Equipamentos de robótica, uma máquina de costura, mesas onde se pode escrever, design thinking estão presentes neste laboratório na Escola Secundária, que se traduziu, adiantou Ana Cláudia Cohen, num investimento da escola na ordem do 10 mil euros.

O laboratório, que teve o apoio da Universidade Lusófona e dos Materiais Diversos, é assim mais um passo no caminho da modernização pedagógica que está em voga nos meios educativos e que Ana Cláudia Cohen tem implementado no Agrupamento de Escolas de Alcanena, sendo que em breve irá lançar um livro precisamente sobre flexibilidade escolar.

“Desde que o Secretário de Estado da Educação falou no tema que comecei a discuti-lo”, confessou a diretora, explicando que a sua preocupação é que todos os alunos, e não apenas os bons, tenham sucesso.

“É preciso diversificar”, defendeu, levar os alunos a descobrir e a apreciar as matérias, por forma a “sentirem orgulho da escola que têm”.

Laboratório de Criatividade une no mesmo espaço robótica, artes, entre outras disciplinas, para promover o pensamento crítico Foto: mediotejo.net

Ana Cláudia Cohen fala de uma “responsabilidade social”. Sendo o Agrupamento de Escolas de Alcanena o único do município, “do sucesso das nossas estratégias depende o futuro do concelho”, deste crescer, ser “mais ou menos inovador”. Daí a importância de toda esta estratégia, por forma a “conseguirmos conquistar os nossos alunos para eles gostarem de aprender ao longo da vida”.

O princípio destas ideias nasceu da própria iniciativa da diretora. Ana Cláudia Cohen realizou uma formação nos Líderes Inovadores da Microsoft e, neste âmbito, teve que fazer um plano de mudança e inovação.

A ideia base encontrava-se no facto dos novos alunos estarem a aprender “de forma diferente. Os novos alunos deste milénio não aprendem da mesma forma que nós aprendemos e como nós aprendemos”. É necessário portanto pensar novas estratégias para conseguir ir alcance destas novas perceções da realidade, estimuladas pelas novas tecnologias.

Mas como é este novo aluno?, questionamos. “Este aluno é um aluno com muitos estímulos, demasiados estímulos. Um aluno que retém a atenção em curtos espaços de tempo, que faz várias coisas ao mesmo tempo, pensa em várias coisas ao mesmo tempo, é um aluno que quer sempre mais”, explicou a docente.

Atividades dos alunos são expostas num painel de fotografias na escola Foto: mediotejo.net

Daí estas novas estratégias e métodos de ensino, que retiram os jovens das salas de aula e levam-nos a aprender determinados temas em empresas de curtumes, na Serra de Aire e até com um pastor.

A flexibilidade, aliada aos novos espaços da escola, permite juntar diferentes anos letivos e criar debates, assim como conjugar diversas matérias. Um processo ao qual os professores se têm vindo a adaptar e que tem dado resultados.

Nas disciplinas de Biologia e Geologia, exemplificou a diretora, que fazem exame nacional no próximo ano, o nível de satisfação é grande quanto ao conhecimento da matéria, não obstante se estar a apostar nestas novas metodologias.

Marcelo Rebelo de Sousa visitou a escola de Alcanena em 2018. Foto: CM Alcanena

Ana Cláudia Cohen admite que existe alguma preocupação na parte da avaliação externa dos alunos, que não estará ainda completamente adaptada à mudança do tipo de ensino. Este é um caminho, porém, que está a ser feito. A flexibilidade encontra-se atualmente numa fase de consolidação e a obter bons resultados.

Foi o secretário de Estado João Costa quem inaugurou o “Laboratório Criativo” e foi falar precisamente sobre flexibilidade na quinta edição dos Encontros Interconcelhios, que decorreu em Alcanena. “Tenho aprendido imenso com as escolas, com as práticas das escolas que visitamos”, confessou ao público de professores reunido no Cine-teatro São Pedro.

“Esta política não é mais que dar legitimidade a muitas práticas que existiam nas escolas”, referiu, elogiando ainda o trabalho dos municípios nesta área. O resultado a nível europeu que posicionou o trabalho desenvolvido em Alcanena como o melhor dos melhores ainda não era conhecido mas a excelência do projeto e o mérito do trabalho desenvolvido viria a resultar nesta distinção em 2019.

De acordo com os dados divulgados pelo STEM, este ano o projeto reuniu 1100 escolas, de entre as quais 300, de 15 países diferentes, alcançaram o selo de Competentes no Ensino das Ciência, sendo cinco delas portuguesas (Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento, Escola Secundária de Loulé, Escola Profissional de Oliveira do Hospital Tábua e Arganil, Agrupamento de Escola de Odemira – Escola Secundária de Odemira e Escola Profissional de Almada).

No entanto, o nível Proficiente foi apenas atribuído ao Agrupamento de Escolas de Alcanena, a primeira escola, em toda a Europa, a receber o Selo de Proficiência STEM.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Prezada Ana. te felicito. Mas não é esse o caminho… Poderemos conversar? Fraternalmente e com disponibilidade de aprendermos juntos, aqui deixo o meu e-mail: jpacheco.1951@gmal.com
    E, em Setembro, irei a Portugal. Poderemos conversar presencialmente.
    Abraço fraterno!
    José

  2. O regresso dos pedabobos, estilo Ana Benavente. A destruição da escola pública, transformando-a em ATL/centro de doutrinação neo-Marxista/fábrica de ineptos. As loucuras da Escola da Ponte/Paulo Freire/ Gramschi. Os colégios privados financiados pelo contribuinte, mas só para alguns.

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