Abrantes: SOS Tejo denuncia muralha no Tejo que não permite passagem de peixe

A Associação de Defesa do Ambiente – SOS Tejo – disse hoje que o rio Tejo foi cortado com um novo dique junto da Central Termoeléctrica do Pego, unindo esta localidade com a freguesia de Mouriscas, ambas em Abrantes, tendo manifestado ao mediotejo.net a sua “revolta” pelo que consideram de “nova machadada no rio Tejo”.

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Muralha de pedra une as margens das localidade de Pego e Mouriscas, em Abrantes. Foto SOS Tejo

“O Rio Tejo está bloqueado de margem a margem e não dá para passar um peixe do tamanho de uma folha de oliveira”, disse ao mediotejo.net Arlindo Consolado Marques, presidente da associação ambientalista recém-criada, tendo lembrado ser “totalmente proibido, mesmo para um pescador, atravessar com uma rede de margem a margem. O que é certo é que hoje estivemos no local e o rio está todo ele tapado por uma muralha”.

“O rio Tejo foi cortado com um novo dique junto da Central do Pego e nem um simples tubo de plástico deixaram para a passagem de peixes”, disse, por sua vez, Sebastião de Mattos, porta-voz do SOS Tejo.

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Travessão sobre o Tejo. Foto SOS Tejo

“Trata-se de um corte do rio a 100% sem uma única passagem para os peixes, sendo para nós evidente que a atual Central não precisa de tamanha quantidade de água e que a solução técnica nunca poderia ser esta”, criticou.

Para Sebastião de Mattos, “está descoberta a razão porque não tem chegado peixe à Ortiga”, a montante, e já no concelho de Mação, “pois o peixe não consegue voar um paredão de 4 metros de altura e com uns 20 metros de largura”.

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SOSSSSS SOSSS“A intenção, continuou, parece ser a de construir uma nova estrada e um segundo espelho de água pois aquela largura toda nunca seria necessária para reforçar um pequeno paredão que tinha sido construído há cerca de 20 anos, aquando da construção da Central do Pego”, considerou o ambientalista, tendo assegurado que a Associação SOS Tejo vai “apresentar uma queixa-crime contra a Central do Pego, contra o empreiteiro e contra a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que autorizou”.

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Placa da empresa Pegop com aviso de reabilitação do travessão do rio Tejo. Foto SOS Tejo

“A legislação não permite estes crimes ambientais, e logo num curso de água internacional. Já não bastava a poluição e os caudais, foi preciso mais um corte no Tejo”, vincou.

Na placa colocada no local, onde se escreve que a Pegop é dona da obra, pode ler-se que a mesma é uma “reabilitação do travessão do rio Tejo”, consignada a 2 de setembro deste ano e com um prazo de execução de dois meses.

“Esta situação é gravíssima e apresenta diversas violações à Lei da Água 58/2005. São mais de 30 violações em todas as alíneas dos 108 artigos da Lei, pelo que é urgente instaurar uma providência cautelar que garanta de imediato a abertura do dique e o embargo total da obra para posterior apuramento de responsabilidades”, defendeu Sebastião.

P1240540“A Associação SOS Tejo vai apresentar uma queixa-crime contra a Central do Pego, contra o empreiteiro e contra a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que autorizou”, anunciou.

P1240544Contactada pela Lusa, a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, disse que esta “intervenção estava programada, no âmbito da estrutura já existente”, tendo afirmado que o resultado final da obra “não vai causar questões adicionais, para além das que existem atualmente” naquela zona.

Afirmando-se “tranquila com a habitual postura social e ambiental da Pegop”, a autarca notou que a responsabilidade de fiscalização em domínio hídrico “é da APA”.

P1240534Em declarações à Lusa, José Vieira, diretor de recursos humanos da Central Termoelétrica do Pego – Pegop -, disse que “as acusações e as preocupações ambientais são infundadas”, tendo feito notar que a obra de reparação está “devidamente licenciada” pela APA. “Estamos a fazer uma reparação de um rombo no travessão sobre o Tejo, uma estrutura que existe há 25 anos, e que nunca teve problemas com a subida dos peixes”, defendeu, tendo observado existirem nas laterais do travessão, “zonas rampeadas” para a circulação da fauna piscícola.

*C/LUSA

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6 COMENTÁRIOS

  1. Isto é o que se pode chamar “deitar dinheiro à água” quando chover muito e de repente, vão ter que abrir as comportas da Barragem de Belver e esta terra toda vai por água a baixo, vão ver!

  2. é vergonhoso ver que o nosso governo deixa fazer coisas destas num rio que tem tanto de historia como de cultura onde antigamente muita gente se banhava nele e pescava e agora querem por mais diques e outras coisas mais no rio tejo só e pena o partido do pan não ver isso e não haver mão justa das justiça para travar isso

  3. achei uma burrice fazer isto,veja o que aconteceu no brasil em mariana, poderiam era construir uma ponte de estacas, sou engenheiro e diretor da toplus idiomas ,rio de janeiro,parece que todos so pensam em ganhar dinheiro e nao vem a natureza e o problema que pode vir ,nao se brinca com a naturezafernando goncalves simao-toplus amizades mundiais-toplus idiomas-rio de janeiro\\\\\\\\\\\\\\\\\\]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]

  4. Eu sou funcionário da A.R.B.V.S e eles no percurso do sorraia fizeram a mesma coisa.

    Ao longo do rio existem uns 6 ou 7 dikes indenticos ao que está no Tejo segundo as chefias é para segurar as areias perto dos pontões…..

    Só espero que venha uma cheia para espalhar as pedras e o rio retomar o seu curso…

  5. Concordo! Mas porque é que a mesma Associação quando a água do mesmo Tejo corre negra e toda espumado não se manifesta junto das entidades competentes.

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