Abrantes | “Precisamos de eurocríticos não de eurobeatos” – Ana Gomes

'Conferência no Liceu' com a eurodeputada Ana Gomes. Créditos: mediotejo.net

A eurodeputada Ana Gomes criticou na sexta-feira a falta de interesse dos jovens portugueses nas eleições para o Parlamento Europeu, ao arriscarem colocar em mãos alheias o seu futuro. Convidada pelos alunos de Ciência Política da Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, falou durante a ‘Conferência no Liceu’ sobre ‘O Futuro da União Europeia’ e deixou clara a importância das próximas eleições europeias que em Portugal decorrem no dia 26 de maio.

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Como cidadãos “precisamos de ser exigentes em relação aos representantes que elegemos”, seja para o Parlamento nacional, seja para o Parlamento Europeu, seja para o Governo, defendeu na sexta-feira, 10 de maio, a eurodeputada Ana Gomes, eleita pelo Partido Socialista, na Escola Básica e Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes.

“Temos de os obrigar a definir o seus programas, temos de fazer uma escolha, de lhes pedir contas se eles não cumprirem, se não atuaram de acordo com aquilo que prometeram”, afirmou. Ana Gomes falava durante uma ‘Conferência no Liceu’ sobre ‘O Futuro da União Europeia’.

Relativamente aos deputados para o Parlamento Europeu a eurodeputada disse que “precisamos de deputados eurocríticos, não precisamos de eurobeatos. Os críticos é que são verdadeiramente europeístas, são os que reconhecem que há coisas positivas mas que há outras erradas e que têm de ser reformuladas”.

‘Conferência no Liceu’ com a eurodeputada Ana Gomes. Créditos: mediotejo.net

A eurodeputada, que logo em janeiro de 2019 anunciou a decisão de não se recandidatar ao Parlamento Europeu, referiu que Portugal “precisa da Europa” uma vez que, para os problemas que atualmente enfrentamos, “não conseguimos soluções sozinhos, tomar decisões ou decidir estratégias. Precisamos da escala e do ordenamento europeu”, nomeadamente para fazer face “às alterações climáticas, à grande desordem internacional, à cibersegurança, à proteção de dados ou à justiça fiscal”, enumerou.

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Explicou que o primeiro objetivo que esteve na base da União Europeia foi “garantir a paz, que pressupõe democracia, respeito pela diversidade” para o qual o voto é um elemento fundamental.

Por isso criticou os jovens, designadamente os universitários, desinteressados em votar para o Parlamento Europeu, ao arriscarem “abdicar do futuro”, nomeadamente permitir o avanço da “ameaça nacionalista e populista” que cavalga pela Europa “alimentando as forças xenófobas, racistas e o conflito civilizacional” com “a sua base organizada em Itália”, uma extrema-direita que tem como principal objetivo “destruir o projeto europeu que, apesar de tudo, é o melhor projeto de civilização com base em princípios de convivência universal”.

Ana Gomes admite, assim, os “erros” cometidos pelas instituições da União Europeia, tendo reconhecido até serem várias as razões que levam os cidadãos e os jovens a estarem descontentes, muito por causa “da injustiça social, do crescimento das desigualdades e do neoliberalismo que valoriza o fator capital em detrimento do fator trabalho”.

A eurodeputada apontou ainda às desigualdades existentes entre os diversos países da União Europeia. “O euro era suposto ser um instrumento poderosíssimo não só económico mas político, de criação de convergência macroeconómica entre países, no combate à desigualdade, mas porque nasceu manco e incompleto, e porque várias políticas neoliberais ainda não permitiram que estivesse ao serviço daquilo para que foi criado, estamos a ver criar, perversamente, desigualdades”, notou.

‘Conferência no Liceu’ com a eurodeputada Ana Gomes. Créditos: mediotejo.net

No entanto, acredita que a Europa enquanto união possui “capacidade regeneradora”, até por unir um conjunto de Estados de “direito democrático em que ninguém está acima da lei, com separação dos poderes executivo, legislativo e judicial”.

Além disso, a eurodeputada socialista lembrou que “85% de investimento no País faz-se através de fundos comunitários, seja na construção de escolas, de estradas, de piscinas municipais, de teatros e de outros equipamentos” no sentido de “reforçar a coesão e a justiça social” sendo esta última para Ana Gomes “uma questão estrutural, de fundamento da própria União Europeia”.

E lembrou que dentro da União Europeia existem países que funcionam como paraísos fiscais: “a Irlanda, a Holanda, o Luxemburgo, Malta e Chipre”, indicou, “situações que precisam de ser discutidas e combatidas no seio da União”, defendeu.

‘Conferência no Liceu’ com a eurodeputada Ana Gomes. Créditos: mediotejo.net

Recordou aos alunos que compunham a maioria da audiência na Biblioteca da Escola Dr. Manuel Fernandes, que o Parlamento Europeu, apesar de não ter direito de iniciativa legislativa pertença da Comissão Europeia, “já tem poder legislativo, graças ao Tratado de Lisboa”, tendo portanto “funções colegislativas” e “por influência do Parlamento Europeu acaba por obrigar a Comissão a tomar a iniciativa”.

No final da sua intervenção a eurodeputada respondeu a algumas questões do público que passaram pelas alterações climáticas, pelo efetivo poder legislativo do Parlamento Europeu, pela informação dos cidadãos e até pela reorganização do mundo do trabalho.

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