Abrantes | PR diz que projeto piloto de Vida Independente é “bola de neve” em processo “irreversível” (C/VIDEO e FOTOS)

O Presidente da República cumpriu a promessa de “um dia” visitar Eduardo Jorge na sua casa e esteve na quarta-feira na aldeia de Ribeira do Fernando, freguesia de Concavada, Abrantes, para testemunhar a nova etapa da vida deste ativista, de 57 anos, e tetraplégico desde os 21 anos depois de um acidente de viação, que luta há vários anos pelo direito a poder continuar a viver em sua casa, em vez de estar “preso” num lar.

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Eduardo Jorge é agora um dos cerca de 400 cidadãos que integram o projeto piloto Vida Independente, modelo que lhe permite estar em sua casa apoiado por cuidadores escolhidos por si e pagos pela Segurança Social, durante 36 meses, como o mediotejo.net contou na reportagem Eduardo Jorge é tetraplégico e está de volta a casa, num regresso que é “um renascer”.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o projeto piloto Vida Independente é “uma bola de neve” e um processo “irreversível”, afastando diplomaticamente a sombra de dúvida que pudesse existir sobre a continuidade desta medida findo o prazo do projeto piloto lançado em maio deste ano.

“Já não se volta para trás” neste processo, assegurou. “Quando se sonhou com uma democracia, também social e não só politica, sonhou-se a pensar neste tipo de justiça também”, concluiu.

No final da visita à casa, à horta e ao quintal de Eduardo Jorge, com toda uma aldeia a aplaudir e tirar fotos e ‘selfies’ com o Presidente da República, o chefe de Estado destacou “a forma muito mais digna” e a “opção da vida muito justa ” com que estes cidadãos vivem o seu dia a dia através deste projeto, tendo feito notar que o mesmo é “resultado de vários militantismos e de muita gente”.

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Eduardo Jorge, que hoje tem direito a cuidadores durante 16 horas por dia, nunca se resignou a passar o resto dos seus dias num lar de idosos Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

Eduardo Jorge, que hoje tem direito a cuidadores durante 16 horas por dia, nunca se resignou a passar o resto dos seus dias num lar de idosos, onde esteve vários anos, tendo encetado vários protestos reclamando por “dignidade e liberdade” de escolha através de modelo de vida independente.

Com o apoio de amigos e do movimento que criou, “Nós, Tetraplégicos”, foi de cadeira de rodas de Concavada até Lisboa (uma viagem de três dias e cerca de 150 quilómetros) e realizou greves de fome em frente ao Parlamento, a última das quais dentro de uma jaula, tendo desmobilizado o protesto após ter sido visitado no local por Marcelo Rebelo de Sousa.

Eduardo Jorge cumprimenta a Secretária de Estado da Inclusão de Pessoas com Deficiência Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

Questionado sobre os motivos da visita, o Presidente da República disse hoje que acedeu a “um convite” de Eduardo Jorge, tendo feito notar que é um cidadão “muito autodeterminado, muito livre, muito independente” e que “foi bom vê-lo mais feliz, a trabalhar com a senhora secretária de Estado e todos os que apoiam esta causa por mais felicidade para muitos mais portugueses”.

Questionado sobre os motivos da visita, o Presidente da República disse hoje que acedeu a “um convite” de Eduardo Jorge, tendo feito notar que é um cidadão “muito autodeterminado, muito livre, muito independente”. Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

Em declarações aos jornalistas, a secretária de Estado da Inclusão de Pessoas com Deficiência disse que o projeto piloto Vida Independente, que tem a duração de três anos e uma verba global alocada de 36 milhões de euros, tem atualmente 17 centros a executar o programa, abrangendo cerca de 400 pessoas.

“Quando tivermos o sistema em pleno a funcionar vamos conseguir chegar a qualquer coisa como 870 pessoas em 35 centros de apoio à vida independente, espalhados pelo norte e sul do país”, disse Ana Sofia Antunes.

Questionado sobre se valeram a pena os protestos efetuados ao longo dos últimos anos, Eduardo Jorge disse que só fez “o que tinha de ser feito”, e que, depois, “as consequências aparecem, ou não”.

“Faço [os protestos] porque não consigo entender porque pessoas como nós, que têm limitações, têm de ser excluídas. Eu não aceito e digo que não. De braços cruzados é que não é solução”, concluiu, afirmando o seu “orgulho” e “alegria” pela visita do chefe de Estado à sua casa.

*Com Lusa

Fotos: Jorge Santiago

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