Abrantes: Estão aí os “Ritmos de Mudança”

Claustros de S. Domingos, em Abrantes, acolhem Feira Social e Solidária até domingo, dia 3 julho, no âmbito do encontro cooperativo "Ritmos de Mudança". Foto: mediotejo.net

Durante três dias, o encontro nacional de cooperativas “Ritmos de Mudança”, que irá decorrer em Abrantes, vai debater temas como a sustentabilidade e a economia solidária onde o objetivo é “valorizar as alternativas emergentes”.

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Organizado pela Cooperativa Verdeperto, sedeada em Rossio ao Sul do Tejo, pelo segundo ano consecutivo, o encontro “Ritmos de Mudança” arrancou esta sexta-feira, dia 1 julho, com a cerimónia de abertura a decorrer no auditório da ESTA – Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.

Dar a conhecer áreas “que estão bastante fora dos órgãos de comunicação social, como as finanças éticas, a energia” é um dos principais objetivos deste encontro “Ritmos de Mudança” “porque consideramos que são áreas que precisam de ser exploradas e divulgadas e também dar a conhecer o trabalho das diferentes organizações e, a partir deste encontro, podermos olhar para o futuro”, refere ao mediotejo.net André Freire, vice-presidente da Cooperativa Verdeperto.

Por outro lado, salienta André Freire, “um dos aspetos importantes neste projeto é divulgar Abrantes, mostrar que Abrantes tem coisas a acontecer, que não está nada como dantes, que há aqui massa crítica e pessoas preocupadas com o desenvolvimento de Abrantes, seja ao nível do turismo cultural, ambiental e turismo do conhecimento. É uma iniciativa que pretende trazer pessoas a Abrantes que veem à procura de relações de trabalho e conhecimento”.

(da esq. para direita) André Freire, presidente da Cooperativa Verdeperto, Luís Dias, vereador do desporto e cultura da autarquia de Abrantes, e Roque Amaro, professor e vice-presidente da RedPES, na cerimónia de abertura do encontro "Ritmos de Mudança" (Foto: mediotejo.net)
(da esq. para direita) André Freire, vice-presidente da Cooperativa Verdeperto, Luís Dias, vereador do desporto e cultura da autarquia de Abrantes, e Roque Amaro, professor e vice-presidente da RedPES, na cerimónia de abertura do encontro “Ritmos de Mudança” (Foto: mediotejo.net)

No programa dos três dias, André Freire destaca ao mediotejo.net a mostra de diversos projetos com práticas ligadas à sustentabilidade e à economia do terceiro setor, além do debate sobre finanças éticas, com a vinda de Núria del Rio, “que vai fazer uma retrospectiva do que está a acontecer em Espanha nesta área” e também Elena Castrillo que vem da Energética, uma cooperativa espanhola que está ligada à produção e comercialização de energia”.

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“A ideia este ano foi conseguir juntar uma equipa que ajudasse a fazer o programa, tivemos aqui várias parcerias, como a Rede Portuguesa de Economia Solidária, a ESTA, a Cooperativa Coopérnico, a Fajudis e Rede Animar, entre outras, e conseguiu-se este programa que aborda diversas áreas”, referiu André Freire, salientando que é intenção da organização “alargar estas parcerias e trazer experiências fora de Portugal, a ideia é criar um encontro que seja internacional”.

Paralelamente, aos diversos seminários, debates e conversas que irão decorrer no auditório da ESTA, realiza-se a Feira Social e Solidária nos claustros do Concento de S. Domingos, em Abrantes, com a presença de cerca de 20 expositores com artesanato, doçaria, produtos locais e organizações que vão mostrar o trabalho que desenvolvem. Nos claustros de S. Domingos está também montado um palco onde irão decorrer diversas atividades como apresentação de documentários, workshops e conversas ao longo de todo o dia de sábado e domingo.

Roque Amaro (de pé) defende que a economia solidária, que ainda é escassa em Portugal, é essencial para a continuação da vida humana no planeta (Foto: mediotejo.net)
Roque Amaro (de pé) defende que a economia solidária, que ainda é escassa em Portugal, é essencial para a continuação da vida humana no planeta (Foto: mediotejo.net)

Esta sexta-feira, nos “Ritmos de Mudança” falou-se de economia solidária em Portugal. Roque Amaro, professor, economista e vice-presidente da RedPES – Rede Portuguesa de Economia Solidária, defende que “é possível uma outra economia que seja mais multidimensional, ou seja, que tenha articulação com a dimensão social, cultural, política, territorial, ética”.

“Em todo o mundo há organizações que estão nesta linha e há países que têm ministérios e secretarias de estado de economia solidária, mostrando que isto é possível e desejável porque é uma economia mais sustentável, mais amiga da vida, mais próxima daquilo que é a vida real das pessoas e creio que seja necessário se queremos salvaguardar a nossa continuidade no planeta”, salienta Roque Amaro.

“Economia social acabou por cair no assistencialismo e acabou por esquecer as questões ambientais e culturais e este movimento de economia solidária que surgiu nos últimos 30 anos pretende enfrentar os desafios das sociedades atuais e ter em conta que precisamos de uma economia que seja capaz de enfrentar os problemas do ambiente, da pobreza e exclusão social”, refere Roque Amaro que salienta que, em Portugal, começou nos Açores em 1994, com a criação de uma cooperativa solidária.

A Rede Portuguesa de Economia Solidária – RedPES foi criada em agosto de 2015, formalmente foi constituída como associação em 2016, com sede no concelho de Rio Maior.

Nos claustros de S. Domingos, em Abrantes, está a decorrer a Feira Social e Solidária (Foto: mediotejo.net)
Nos claustros de S. Domingos, em Abrantes, está a decorrer a Feira Social e Solidária (Foto: mediotejo.net)

“Na região do Médio Tejo, há um forte eixo de economia solidária porque temos um grupo forte em Rio Maior, em Torres Novas há um grupo interessante e interessada, aqui em Abrantes e depois que vai até Castelo Branco”, refere o vice-presidente da RedPES que salienta que esta associação já está inserida nas redes internacionais, com ligação à Rede Catalã, à Rede Intercontinental na sua Rede Europeia de Economia Social e Solidária e recentemente fizerem parte da comissão instaladora da Rede Lusófona de Desenvolvimento de Economia Social e Solidária que integra os países da CPLP.

A cerimónia de abertura contou com a presença do vereador da Câmara Municipal de Abrantes responsável pelos pelouros da cultura e desporto, Luís Dias, que destacou a necessidade de união entre as diferentes associações que, no concelho de Abrantes são cerca de 200, fazendo alusão à música dos Amor Electro: “Juntos Somos Mais Fortes”.

Luís Dias deixou uma sugestão, em jeito de crítica: “Temos uma rede social em Abrantes que não está aqui hoje, houve uma falha de comunicação, e seria importante a sua presença para dar os seus contributos. Com parcerias locais, tudo se torna mais fácil.”

Palco montado nos claustros de S. Domingos, em Abrantes, onde irão decorrer diversas atividades como mostra de documentário, conversas e workshops (Foto: mediotejo.net)
Palco montado nos claustros de S. Domingos, em Abrantes, onde irão decorrer diversas atividades como mostra de documentário, conversas e workshops (Foto: mediotejo.net)

Programa:

Sábado, 2 de julho

10:00-11:00
A outra face da moeda – alternativas de financiamento do terceiro sector: as finanças éticas e solidárias.
Moderadora: Sara Trindade (Apresentação)
Núria del Rio – Finanças solidárias em Espanha
Fábrice Genot – Iniciativas em curso em Portugal
Oficina sobre Finanças Éticas (11:30-13:30 Sala A)

11:00-11:30
Coffee Break

11:30-13:00
Comunicação e Media
Moderadora: Hália Santos
Projeção de Vídeo (Alves Jana)
Marcos Nogueira (100Smart.coeer.org)
Maria de Lurdes Lopes (LUSA)
Conversa Aberta

13:00-15:00
Almoço

15:00-16:30
Energia – Formas alternativas de produção e gestão
Moderador: Miguel Almeida – Movimento cooperativo Europeu das energias renováveis.
Elena Castrillo – Energética – (Cooperativa de Valladollide) Espanha
Ana Rita Antunes – Eficiência Energética (Cooperativa Coopérnico)
Conversa Aberta

16:30-17:00
Coffee Break – World Music

17:00-18:30
Permacultura e Transição – Pontos comuns e diferenças
Moderador: Luís Amaral
Luís Amaral – Permacultura
Sandra Carvalho, Anaís Creoulo, Fernando Oliveira – Movimento Cidades em Transição
Conversa Aberta

19:00-21:00
Jantar

21:00-00:00
Bailarico na cidade:
Amarelo

Domingo, 3 de julho

10:00-11:00
Agricultura, Alimentação e Soberania Alimentar 
Moderador: Pedro Rocha (Apresentação do movimento em Portugal)
Samuel Thirion – Fundador da Urgenci
João José Fernandes – OIKOS

Assembleia Fundadora – Rede Nacional AMAP
(11:30-13:30 Sala A)

11:00-11:30
Coffee Break

11:30-13:00
Associativismo, Voluntariado e Desenvolvimento Local
Moderador: Jorge Claro – Fajudis
Luís Ferreira – Festival  Bons Sons (SCOCS)
Marco Domingues – Inovação Social e animação Comunitária em contexto de Aldeia (Ecogerminar)
Eugénio da Fonseca – Voluntariado: Potencialidades e constrangimentos (Confederação Portuguesa do Voluntariado)
Augusto Figueiredo – O contributo das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto para o Desenvolvimento Local
(FCCRDS)
Eduardo Figueira – Associativismo e Desenvolvimento Local (Animar)
Conversa Aberta

13:00-15:00
Almoço

15:00-16:30
Turismo, Educação e Lazer – Integração Multidisciplinar
Moderador: Pedro Saraiva
Frederico Abreu – Vale da Sarvinda
António Frazão – Terra Chã
António Carvalho – Terradágua
Visita guiada a projecto. (18:00-19:30)

16:30-17:00
Coffee Break – World Music

17:00-18:30
Encerramento – Conclusões e Agradecimentos
Professor Roque Amaro
André Freire – Cooperativa Verdeperto

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