A concelhia de Torres Novas do BE condenou hoje a deslocalização da farmácia situada em Alcorochel para a cidade. Na foto, Helena Pinto, vereadora do BE. Foto: mediotejo.net

Vivemos tempos em que a notícia circula rápida, em que muitas vezes não é confirmada, em que se tiram conclusões só por uma frase, em que as “fakenews” (notícias falsas) fazem correr muita tinta e muito desmentido… Sabemos que o que vai para a net fica para a eternidade… Sabemos que na publicidade vale muita coisa… Mas também sabemos que continua válida a frase atribuída a Abraham Lincoln: “Pode-se enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas algum tempo, mas não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo”!!

Vem isto a propósito da publicidade (ou propaganda) que a empresa Fabrióleo tem tornado pública sobre a decisão do seu encerramento. Utiliza vários argumentos, mas justifica poucos. Haverá ocasião para falar sobre todos, mas queria, hoje, concentrar-me apenas num: Uma sentença do Tribunal Administrativo de Leiria confirma que a Fabrióleo obteve licença para a construção da ETAR Biológica.

De facto esta sentença, que condena a Fabrióleo (é bom relembrar), dá como provado que a empresa obteve licenciamento em 2017, através de prova testemunhal.

Numa sentença onde se transcrevem vários documentos é, no mínimo, de estranhar, que se dê como provada a existência de uma licença, apenas porque alguém afirmou que ela existia, sem que o Tribunal tenha feito alguma diligência para solicitar à entidade competente (neste caso a Câmara Municipal) a prova real de que tal licença existia.

Ou seja, a dita licença não existe e nunca existiu. Tal facto já foi desmentido pela Câmara Municipal.

Será de averiguar porque é que tal afirmação consta de uma sentença, embora essa frase não tenha nenhuma consequência jurídica. Cá está, porque é mesmo preciso apresentar a prova documental da existência de tal licença. Mas entretanto isso vai servindo para persistentemente tentar passar uma ideia para a opinião pública, que infelizmente é também ampliada por uma associação de empresários – a NERSANT.

Mas, a seu tempo tudo será esclarecido. Não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo.

Desenvolvimento e progresso é cuidar do ambiente, corresponder a padrões de produção de qualidade, respeito pela legalidade e pelas pessoas. Este caminho já é hoje assumido por muitas empresas, que merecem respeito. Outro caminho é o desrespeito pela legalidade, o abuso constante, a poluição destruidora. Não se pode estar dos dois lados.

Helena Pinto vive na Meia Via, no concelho de Torres Novas. Nasceu em 1959 e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda, de 2005 a 2015. Foi vereadora na Câmara de Torres Novas entre 2013 e 2021. Integrou a Comissão Independente para a Descentralização (2018-2019) criada pela Lei 58/2018 e nomeada pelo Presidente da Assembleia da República. Fundadora e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Feministas em Movimento. Escreve quinzenalmente no mediotejo.net

Entre na conversa

1 Comment

  1. (…)”Mas, a seu tempo tudo será esclarecido. Não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo.”
    E é fundamental que todos os actos tomados neste longo processo sejam do conhecimento de todos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *