“A lei da bala”, Helena Pinto

Chegou a notícia da morte de uma mulher, assassinada com 4 balas na cabeça, dentro do seu carro, quando regressava de uma sessão de esclarecimento na cidade onde tinha sido eleita Vereadora. O motorista que a acompanhava, Anderson Gomes, também morreu baleado.

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Marielle Franco é o seu nome. Uma mulher jovem, tinha apenas 38 anos, nascida na favela “Maré”, uma mulher dedicada às causas simples mas grandes, as causas que defendem os direitos humanos contra as discriminações, todas as discriminações, que defendem os mais pobres, que defendem aqueles e aquelas que não têm meios para se defender dos mais variados abusos.

Nasceu na favela e considerava-se uma “favelada”, socióloga de profissão, foi eleita pelo PSOL – Partido Socialismo e Liberdade – e estava onde era preciso estar – lutando pelos direitos das mulheres, dos negros e negras, dos homossexuais e lésbicas. Nunca se calou perante a injustiça e a discriminação.

Presentemente assumia um cargo da maior relevância, era relatora da comissão de acompanhamento da intervenção militar do governo federal no Rio de Janeiro e era muito crítica da ocupação pelos militares de vastas áreas urbanas e dos atentados às liberdades que têm ocorrido. Esta autêntica ocupação militar de zonas do Rio de Janeiro, foi ordenada por Michel temer e tem suscitado muitas críticas dos mais variados sectores da sociedade brasileira, devido aos abusos cometidos.

O seu assassinato, ou melhor dizendo, a sua execução, traz de volta os piores tempos da história do Brasil, que vive momentos conturbados ao nível social e político, sobretudo desde o golpe que levou Michel Temer ao poder.

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A morte de Marielle Franco suscita dor, mas também revolta, milhares e milhares saíram à rua por todo o Brasil e as iniciativas de solidariedade aconteceram um pouco por todo o lado, com particular impacto em Portugal, como não podia deixa de ser, considerando todos os laços que nos unem ao povo brasileiro.

Uma semana depois é assassinado outro Vereador – Paulo Teixeira, também na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Quando se utiliza o assassinato como arma política é sinal de que a ditadura está ao virar da esquina. Vivem-se tempos perigosos no Brasil. Marielle sabia disso, mas lutava, todos os dias, sempre com um sorriso maior que o Mundo inteiro.

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