“A ética em tempo pré-eleitoral”, por Helena Pinto

Estamos em ano de eleições autárquicas e já se sente o clima de disputa política, normalíssimo em democracia. Os partidos apresentam os seus candidatos e candidatas, as linhas gerais dos programas, começam a surgir as ideias de fundo, as propostas.

Até Outubro, até ao momento do voto, deveria decorrer o tempo da prestação de contas do que se fez e do debate sobre o que se propõe fazer, para que as escolhas sejam feitas em Liberdade.

É portanto, no mínimo muito questionável que os partidos no poder aproveitem os meses finais do seu mandato para fazerem o que não fizeram durante quatro anos, fazendo à pressa, que como sabemos é inimiga do fazer bem, assim como passarem por cima de um balanço efetivo das suas opções políticas.

Mais grave se torna quando existem maiorias absolutas, que do alto da sua sobranceria tudo resolvem contrapondo o voto nos órgãos à justificação e aos argumentos. A frase de Mia Couto, no seu romance “O Flamingo” – contra factos tudo são argumentos, faz aqui todo o sentido. Quem foge ao argumento, porque se refugia na garantia da sua maioria, não merece governar.

Em período pré-eleitoral sucedem-se as inaugurações, as inaugurações das intenções, os subsídios, as festas, as galas, os festivais, os dias comemorativos e espera-se que tudo isto seja o alimento dos dias da campanha e o motivo para colocar a cruz em determinado partido.

As ideias, a visão, as propostas para o território ficam para depois. As soluções ficam para mais tarde, como se vão concretizar logo se vê, é preciso é apresentar obra ou meramente a sua intenção.

Vivemos também o momento crucial onde se faz o “teste do algodão” à tão falada transparência nos órgãos autárquicos – é preciso justificar as medidas que se vão tomar, os lugares que se vão criar e até as dívidas que se vão contrair.

As eleições autárquicas são o momento ideal para debater. Trata-se de cada partido ou cada movimento de cidadãos/ãs que se candidate dizer ao que vem, o que pretende fazer e como o vai fazer, concelho a concelho, freguesia a freguesia. Um projeto autárquico não é a soma de obras – é uma proposta política integrada para um determinado território.

Já sabemos que não existe igualdade entre quem está no poder e quem está na oposição. Esse é o ponto de partida, desigual. Espera-se que não se fuja à prestação de contas e ao debate. Se assim não for, pode ganhar a política-espetáculo, mas perde a Democracia Local.

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