À Descoberta: Uma noite à caça de Morcegos no Alviela (c/vídeo)

De que tamanho são os morcegos? São bons ou maus? São demoníacos? Bebem sangue? São cegos ou só vêem à noite? Agarram-se aos cabelos? A estas e outras perguntas o Centro de Ciência Viva do Alviela quer dar resposta este verão, num conjunto de iniciativas a que chamou “Noite com os Morcegos”. O mediotejo.net acompanhou a atividade noturna de 5 de agosto, que juntou cerca de 30 pessoas, entre adultos e crianças, “à caça” de morcegos no Alviela, em Alcanena. Nas grutas junto aos Olhos de Água existe um berçário deste mamífero voador, que alberga a cada verão cerca de 5 mil morcegos. Aí nascem as novas gerações de morcegos, inclusivé algumas espécies ameaçadas de extinção.

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Em Bissau, comenta uma senhora, onde passou a sua infância, existia uma torre de onde todos os fins-de-tarde saíam, em nuvem, milhares de morcegos. Uma noite, comenta outra senhora, em pleno Inverno, encontrou um morcego a hibernar em sua casa. O animal assustou-se, fugiu para a rua, tendo caído por terra de imediato, face ao frio. Assustada, contactou SEPNA e GNR, mas ninguém a conseguia ajudar. Ao fim de cinco horas descobriu um especialista em morcegos na internet, ao qual ligou, tendo-lhe este indicado qual os procedimentos a tomar para salvar o animal.

Estas foram questões de adultos, mas as crianças não se ficaram atrás. Como vivem, como se reproduzem, porque chegam apenas as fêmeas ao Alviela, como falam entre si, se bebem sangue de humanos… Ficamos a saber que existe apenas uma espécie de morcego que se alimenta exclusivamente de sangue, mas de animais, numa picada semelhante à de uma melga. O maior morcego do mundo chama-se Morcego-Raposa e tem 1,50 metros de altura. Mas calma! Vive na Austrália e é vegetariano. Muito associado ao demónio no mundo ocidental, o morcego tem personificado medos e mitos ao longo dos séculos.

Na Gruta da Lapa da Canada apenas existem espécies pequenas de morcegos, com cerca de seis centímetros, havendo nove (num total de 12 espécies identificadas) que estão em risco de extinção. Os inseticidas (estes morcegos sobrevivem à base de insetos), a destruição de habitats e os polémicos aerogeradores (diferenças de pressão entre as turbinas eólicas faz os corpos dos morcegos explodirem) são algumas das ameaças a este mamífero, essencial ao equilíbrio do ecossistema.

O Centro de Ciência Viva do Alviela tem uma sala dedicada aos morcegos, um dos pontos de passagem das iniciativas, gratuitas, “Noite dos Morcegos”, que terão continuação a 12, 19, 20 e 26 de agosto e 2 de setembro. Depois deste período os animais abandonam a gruta e vão ainda cumprir o ritual de acasalamento, antes de, por fim, hibernarem no inverno. Regressam ao Alviela apenas em abril.

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30 pessoas tiveram oportunidade visitara exposição dedicada aos morcegos que habitam no Alviela durante o verão. FOTO: mediotejo.net
30 pessoas tiveram oportunidade visitar a exposição dedicada aos morcegos que habitam no Alviela durante o verão. FOTO: mediotejo.net

A 5 de agosto, o grupo teve a oportunidade de se acomodar junto à Gruta da Lapa da Canada e através de equipamento adequado ouvir os sons emitidos pelos morcegos ao saírem da gruta para se alimentarem. Passam de rajada, quase sem serem vistos, à medida que a noite cai. O vento e algum barulho causado por caminhantes que faziam o percurso pedestre adjacente não permitiram ver muitos animais, mas a equipa conseguiu gravar o eco emitido por várias espécies de morcegos, para grande satisfação dos mais novos.

O programa do Ciência Viva no Verão não se fica apenas pelos morcegos. Visitas a ETARs, a um hospital termal, à ribeira de Seiça, ao polje de Minde, à fábrica da RENOVA, à rota dos Templários, à lagoa de Óbidos ou mesmo observação de estrelas, fazem parte do calendário até ao fim do verão, em parceria com várias associações e empresas locais. O programa nacional pode ser encontrado online.

Os visitantes que se deslocam ao concelho de Alcanena para estas atividades vêm um pouco de todo lado, mas dominam os curiosos dos distritos de Lisboa, Leiria e Santarém, assim como as crianças e adolescentes, referem os dados do Centro de Ciência Viva consultados pelos mediotejo.net. O espaço tem uma média de 17 mil visitantes por ano.

Com estas iniciativas pretende-se promover a educação ambiental e o apoio à investigação científica, além da valorização patrimonial da nascente do rio Alviela.

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