À Descoberta | Fomos conhecer o Dino Parque a 120km do Bairro… (c/ vídeo)

*retificado às 12h06 de 15 de fevereiro de 2018

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Abriu portas na sexta-feira, 9 de fevereiro, e no seu primeiro fim de semana, até segunda-feira, dia 12, contabilizou 4800 visitas. Na terça-feira de Carnaval a fila extravasava portas e contornava o Dino Parque, na Lourinhã, estimando a direção que se atingissem os 7 mil visitantes com o período carnavalesco. A cerca de 120 quilómetros do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurio da Serra de Aire, no Bairro, limite geográfico entre os concelhos de Ourém e Torres Novas, o Dino Parque é uma aposta de um investidor privado alemão, que aproveitou o potencial dos achados paleontológicos locais para construir um parque temático, com o apoio do município da Lourinhã e do Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã (GEAL) e co-financiado pelo Portugal 2020. Pensada ao pormenor para os mais novos, a estrutura está feita para ali se perder um dia. Os animais também entram. 

Duas décadas celebradas sobre a inauguração das Pegadas de Dinossáurio da Serra de Aire, o mediotejo.net quis ir conhecer o mediático Dino Parque da Lourinhã, cuja inauguração oficial decorreu na quinta-feira, 8 de fevereiro, abrindo ao público no dia seguinte. Situado na Abelheira, concelho da Lourinhã, distrito de Lisboa, numa rua intitulada apropriadamente como Vale dos Dinossauros, o parque resulta de uma acordo de cooperação, assinado em 2012, entre o município da Lourinhã e o Dinosaurierpark de Münchehagen (parque temático similar na Alemanha). A estrutura recebeu financiamento do Portugal 2020, através do programa Compete 2020, e começou a ser construída em 2017.

Segundo informação oficial, é o maior museu ao ar livre de Portugal, com um percurso de cerca de 2,5 quilómetros por entre 10 hectares de pinhal. Ao visitante é dado a conhecer, através de 120 figuras de dinossauros à escala real, quatro períodos da história da terra: o fim do Paleozóico, o Triásico, o Jurássico e o Cretácico. O Dino Parque tem ainda um museu interior que expõe os achados arqueológicos da Lourinhã: desde pequenos fósseis, inclusive de ovos, aos vestígios de grandes dinossauros carnívoros e herbívoros do período Jurássico. Encontra-se ainda visível, através de uma ampla vitrina, o laboratório de investigação científica.

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Entradas são gratuitas para crianças até aos 4 anos Foto: mediotejo.net

Mas o que chama verdadeiramente a atenção a quem chega é o preço: 12,50 euros por adulto, 9,50 euros por criança entre os 4 e os 12 anos (há descontos para grupos). O apoio municipal do empreendimento induz em erro, conforme constatou ao mediotejo.net o diretor geral do Parque, Luís Rocha, explicando que se trata de uma empresa privada, a PDL – Parque dos Dinossauros da Lourinhã, Unipessoal, Lda, que partiu do investimento de capital alemão, através do Dinosaurierpark, em parceria com a Câmara da Lourinhã e o GEAL, responsável pelo Museu da Lourinhã que detém a coleção de paleontologia.

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Por tal o Dino Parque não está ainda incluído em rotas turísticas, não havendo também qualquer ligação prevista às Pegadas da Serra de Aire. Quem chega encontra sobretudo muita informação sobre a Lourinhã, o Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, estando também à venda produtos regionais locais.

Nos seus primeiros quatro dias de funcionamento o Dino Parque recebeu 4800 visitantes. A expetativa, adiantou o responsável, com o dia de Carnaval era atingir as 7 mil. A atenção mediática a nível nacional fez passar a mensagem e a população aderiu dentro do esperado. “O entusiasmo foi grande”, admitiu.

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Primeiro fim de semana recebeu 4800 pessoas Foto: mediotejo.net

Para passar o dia, com crianças, e mergulhar na pré-história

A partir do concelho de Ourém chega-se sem dificuldade via IC9/A8 ou por Leiria/A8. As indicações para o Dino Parque só existem na Lourinhã, com uma rotunda com um dinossauro à escala real a dar conta da eminente chegada. No horizonte encontra-se o mar, Peniche fica a pouco mais de cinco quilómetros. Não muito longe também se situa o Bombarral, para quem quiser aproveitar e ir conhecer o Bacalhôa Buddha Eden. Pelo caminho passa-se por Óbidos, localidade muralhada onde se realiza um Festival de Chocolate e um Festival Literário já com nome na região. A localização é assim bastante estratégica para um dia de passeio.

Chegamos pouco depois das 10h00 de 13 de fevereiro, dia de Carnaval, quando no nosso concelho de origem se recordam os 13 anos da morte da Irmã Lúcia, vidente de Fátima. Foram um pouco menos de 120 quilómetros para conhecer o parque temático do momento. Uma aparente concretização do sonho dos que projetaram o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire e que se ambicionou potenciar com a proximidade à cidade religiosa.

O parque acabou de abrir mas o estacionamento já começa a ser escasso e visiona-se o princípio de uma fila. Crianças em idade pré-escolar e bebés de colo, vestidas a rigor para a data carnavalesca, esperam ansiosas que os pais comprem os bilhetes. Menores de quatro anos não pagam. É um dia de família, em que nem o cãozinho de estimação, com entrada permitida no parque, faltou.

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120 figuras de dinossauros. à escala real, estão distribuídas ao longo de 2,5 quilómetros de circuito circular. Foto: mediotejo.net

À entrada/saída encontra-se o restaurante/bar e a loja de lembranças, onde os peluches de dinossauro são a oferta dominante e mais apelativa. Confessamos, dá vontade de levar um. T-shirts, chapéus de safari, lápis de cor e cadernos, dinossauros de coleção, produtos regionais da Lourinhã, jogos científicos compõem o resto da oferta. Quem levar crianças não terá, por certo, grandes hipóteses de escapar aos olhos arregalados e cores garridas dos brinquedos pré-históricos.

Entra-se depois no museu interior, junto ao qual está o laboratório científico onde um rapaz de bata branca parece limpar um grande fóssil de dinossauro. Os vestígios paleontológicos da Lourinhã estão aqui em exposição, guardados dentro de vitrinas, juntamente com maquetes gigantes de esqueletos de dinossauro. O artificial e o natural misturam-se com certa facilidade, como de resto acontecerá ao longo de todo o percurso.

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O pinhal que envolve o parque também oferece uma caminhada e visita agradáveis. Foto: mediotejo.net

Saindo para o exterior, a visita, se seguirmos a linha cronológica, faz-se pela esquerda, iniciando no período Paleozóico. Um pavilhão com diverso tipo de atividades, desde pintura, moldagem de barro, a iniciação de limpeza de fósseis, orientadas por monitores, é no entanto a primeira etapa. Quem levar crianças facilmente perde ali as primeiras horas da visita.

Um pouco por todo o parque há também baloiços, escorregas e diverso tipo de parques infantis. Vêem-se também as primeiras mesas de merenda, montadas, em menor ou maior escala, ao longo de todo o percurso.

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Todo parque está pensado para receber crianças, com estruturas de apoio, atividades e muitos parques infantis Foto: mediotejo.net

Com uma criança pela mão não há por isso hipótese: as paragens são constantes. Mas para os adultos, principalmente os que gostarem de fotografia, também não há momentos mortos. O Dino Parque tem identificados os pontos onde se podem tirar as melhores fotografias. Mesmo que não se goste da artificialidade destes spots, todo o ambiente, com um bem tratado e alto pinhal, oferece condições quase místicas para fotos dignas de trabalho profissional, sem propriamente perder muito tempo em enquadramentos.

Para quem prefere o lado histórico e científico da experiência, as figuras em tamanho real (ao que nos informam a escala foi certificada cientificamente por diversos académicos especializados em paleontologia) oferecem o grande espetáculo, com placas informativas sobre a espécie em causa. Os períodos mais chamativos são o Jurássico e o Cretácico, onde se encontram os dinossauros de tamanho gigante, como o T-Rex, parecendo saídos diretamente do “Parque Jurássico” de Steven Spielberg. Os que conhecerem a saga jurássica de Hollywood reconhecerão inclusive vários dos animais.

Deste modo, facilmente passam três horas. Tivéssemos levado almoço e por certo a visita se teria prologando pela tarde. À saída a fila contorna o edifício de entrada e o número de pessoas que aguardam no restaurante/bar fazem perder o entusiasmo por provar a oferta local.

É um parque pensado para as famílias com crianças pequenas, para passar um dia de feriado ou de fim de semana de forma criativa, onde os mais novos têm sempre onde prender o interesse, de forma didática e vigiada. Com o bilhete é entregue uma fita à criança, onde fica registado o nome e o contacto em caso desta se perder. A polícia montada é bem visível ao longo de todo o percurso e não é difícil encontrar monitores.

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Museu interior tem expostos os fósseis da Lourinhã Foto: mediotejo.net
À Descoberta | Fomos conhecer o Dino Parque a 120km do Bairro... (c/ vídeo)
Laboratório de investigação científica é visível a partir do museu, onde se limpam e estudam fósseis Foto: mediotejo.net

Os que conhecem há muito o Monumento Natural da Serra de Aire lamentarão que a iniciativa alemã não tenha pensado no Bairro para fazer o seu investimento. O Dino Parque é um complemento significativo às pegadas de saurópedes de Ourém/Torres Novas, dando corpo ao que ali apenas pode contar com a imaginação. Uma visita não negará porém a outra. Ainda que a 120 quilómetros de distância.

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